celeste frança

Insights e expurgos, um pouco de tudo que não pude calar.

Celeste França

Pernambucana de coração e nascimento e escritora por impossibilidade de guardar pra si seus pensamentos

Ser ou não ser feliz depende inteiramente de você

Não há felicidade à venda para os solitários. Não estar ao lado de alguém, ou não pertencer a um grupo elimina em mais da metade a sua chance de ser feliz, afinal, somos incompletos. Será que o outro é realmente a resposta para a infindável busca por felicidade? Hoje é possível comprar não apenas o que devemos ter para sermos felizes, mas também o que devemos ser para sermos socialmente felizes. Receitas para a felicidade: Qual é a sua?


Meu amor pela música começou com a música popular brasileira, com os grandes. Na minha infância o pagode se espalhava como uma febre por todo país, mas na radiola da minha casa e nas reuniões de família, Chico Buarque, a Bossa e a Tropicália reinavam absolutos. O poeta dizia que era impossível ser feliz sozinho, as comédias românticas hollywoodianas endossam esse pensamento, as datas comemorativas e tudo na cultura em que fui criada, grita que a solidão é o caminho certo para a tristeza, e uma regra maldosa foi estabelecida: Somos metade, e o único caminho para a realização pessoal é achar alguém que em um passe de mágica nos fará completos, e assim seremos felizes.

O dia dos namorados vem aí, e tal qual acontece todos os anos, a tristeza que é estar só, é esfregada na cara de todos aqueles que ainda não encontraram sua metade. Quem não faz parte dessa festa pra dois, é tido como infeliz e com problemas a resolver, e essa atitude faz com que muita gente entre em relacionamentos pros quais não estão de fato preparados.

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Por que afirmo que não estão preparados? Porque o amor é demasiado delicado para ser manuseado por mãos que só contém incertezas, principalmente incertezas sobre nós mesmos. Antes de amar outra pessoa, é necessário se fazer inteiro, e feito isto, é necessário amar-se como uma pessoa completa, e muitas vezes essa é a parte mais desafiadora disso tudo.

Modelos de felicidade são vendidos a todo instante: pelos amigos, pela família, pela mídia, pelas redes sociais e ao tentar alcançar algum desses modelos, perdemos totalmente o foco do que realmente nos faz feliz. Refletir sobre isso é necessário, e aceitar o que nos faz feliz, mesmo que esteja fora de moda ou que seja clichê, demanda coragem.

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Já tentou pensar no que realmente te faz feliz? Não nas coisas que hoje são tidas como terapêuticas ou que estão super na moda como livros de colorir, brigadeiros gourmet, filmes independentes, canais de humor online e afins, mas algo seu (que por sinal, pode sim ser alguma dessas coisas), algo que não precise ser publicado e aprovado pelos outros através de curtidas que dizem: “Olha lá como ele é feliz, descolado e se diverte com coisas tão bacanas!”, mas somente algo seja bacana para você, como assistir um filme que você decidiu não assistir por ter recebido críticas duras ou porque o tal filme foi ridicularizado por pessoas que se enquadram nessa felicidade promovida e aprovada pela maioria. Parou pra pensar que pode ser que a sua mãe tenha razão? Você não é todo mundo.

Quando conseguirmos nos ver finalmente livres de todos esses tutoriais para chegar ao pote de ouro que supostamente está lá na outra ponta do arco-íris, possivelmente sem nos dar conta iremos nos perceber inteiros, e ao nos perceber desta forma, a felicidade sorrateiramente tomará conta, pode ser que tenhamos alguém que vai somar felicidade à que já temos, mas não precisa ser assim, e também não precisa ser pra ontem.

Pessoas inteiras tem essa luz que parece atrair outras pessoas inteiras, e nesse momento finalmente percebemos que nada é impossível para a felicidade. E que metades, potes de ouro e tutoriais são mitos, porque não há maior forma de felicidade e amor próprio do que viver sobre os seus próprios dogmas.

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