cem mais palavras

Observando o mundo ora através de um telescópio, ora através de um microscópio

Laura Maria

Estudante de jornalismo que, contra tudo e todos, abandonou o curso de publicidade na hora certa para seguir o sonho de unir a paixão pelas palavras à paixão pelas pessoas. Do encontro, nasceu a vontade escrever. Seja amenidades ou questões filosóficas, quando o assunto é se expressar me recorro às palavras, aonde nelas me encontro por completo.

Música pra transpassar a alma

O clique é sedutor. Depois de ouvir o primeiro acorde do trompete, você não conseguirá parar de ouvir. A única sensação será absorção total, e, quando acabar, você vai pedir mais! E o melhor de tudo: tem mais!


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Ele sustenta o bigode e o cavanhaque da mesma forma que peita os brincos de argola, o turbante e os lábios e olhos maquiados. Este é Liniker, vocal do projeto musical de mesmo nome, fundado em Araraquara, cidade do interior paulista, no finzinho do ano passado. Mas essa descrição se torna pobre e superficial quando você assiste aos três videoclipes de “Cru”, primeiro EP da banda, com o selo Vulkania. Aí é que a coisa se transforma.

Com um som arrebatador, que capta até a alma mais apática, o Liniker traz uma obra completa que faz bem para os ouvidos e para os olhos, mas especialmente para a alma. Fiquei horas perdida em meu encantamento, que só consegui descrever o som deles depois de muito escutá-los – alguns vão falar que isso é desculpa esfarrapada para justificar o meu clique insistente no replay.

A música que me fisgou foi “Zero”. Estava passeando pelo Youtube quando o vídeo apareceu nos relacionados. O clique foi suficiente para me deixar no chão. O Liniker tem uma voz rasgada, como bem disse um amigo, que traduz todo o sentimento da música, que fica entre melancolia e romantismo. A canção recebe a pitada fundamental das back vocals, e a cartada final vem com a guitarra funkeada e o arranjo vigoroso do trompete. O resultado é um soul contemporâneo de ótima qualidade acrescido da música black brasileira. Sem mais delongas:

Depois de escutar incansáveis vezes “Zero”, fui sedenta por mais canções. Encontrei, então, “Loiuse du Brésil”. A música é superanimada e, enquanto escutava, o Síndico não saía da minha cabeça. Liniker tem um quê inconfundível de Tim Maia em sua voz, e umas pitadas de Ney Matogrosso em suas performances. Tcharãm:

Em “Caeu”, última de “Cru”, o projeto não perde o fôlego. Ali tem uma sensualidade deliciosa para os ouvidos. Não tem como não se entregar para a canção. A guitarra e o baixo encontram a voz de Liniker e das back vocals com tanta sintonia que sai um casamento perfeito, sem arestas. De novo, a linguagem visual te deixa com água na boca. Destaque para depois de 3:20 da música, mas isso deixo pra vocês mesmos saborearem:

Publicado originalmente aqui.

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Laura Maria

Estudante de jornalismo que, contra tudo e todos, abandonou o curso de publicidade na hora certa para seguir o sonho de unir a paixão pelas palavras à paixão pelas pessoas. Do encontro, nasceu a vontade escrever. Seja amenidades ou questões filosóficas, quando o assunto é se expressar me recorro às palavras, aonde nelas me encontro por completo..
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