cem mais palavras

Observando o mundo ora através de um telescópio, ora através de um microscópio

Laura Maria

Estudante de jornalismo que, contra tudo e todos, abandonou o curso de publicidade na hora certa para seguir o sonho de unir a paixão pelas palavras à paixão pelas pessoas. Do encontro, nasceu a vontade escrever. Seja amenidades ou questões filosóficas, quando o assunto é se expressar me recorro às palavras, aonde nelas me encontro por completo.

Quanto pesa a saudade?

Não dá pra dividir a saudade em duas ou mais partes. Se a sente, é por inteiro. Cai como uma pancada visceral num único corpo mortal. E o coração, órgão responsável por bombardear vida para o corpo inteiro, se transforma em receptáculo perfeito deste sentimento.


IMG-20160816-WA0088.jpg Saudade. Palavra que só existe em português. Dizem. Mas o sentimento é universal. Na verdade, não é só a sensação que é igual para todos, e, sim, tem o peso de um universo inteiro. Um universo inteiro. Composto de casas, estradas, quilômetros, milhas, mares, céus, constelações, sistemas solares… Todos suportados por só um, apenas um único coração.

Não dá pra dividir a saudade em duas ou mais partes. Se a sente, é por inteiro. Cai como uma pancada visceral num único corpo, mortal, composto de membros, tronco, cabeça – como se aprende na segunda série do ensino fundamental – e… coração.

Pobre órgão… Para onde se destinam todos os sentimentos. Ele também não divide a saudade com as outras partes do corpo. Egoísta que é. Mas se se pensar bem, é ele o responsável por bombear sangue para todo o corpo. É ele que leva, em cada veia, num conjunto de leucócitos e hemácias, todo aquele sentimento que aperta até doer.

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Doer seria a palavra certa? Se a saudade vem acompanhada de um sorriso faceiro, uma lembrança boa, talvez seja melhor mesmo falar em sufocamento, que só passa depois de uma longa série de suspiros.

O peso da saudade, então, se traduz em longos, bem vagarosos, suspiros. Daquele que rouba cada pequeno espaço de oxigênio dos pulmões, num largo comprimento do abdômen e se esvai, poluindo a atmosfera com o mais rico gás carbônico.

Preservem as árvores – e as algas! Só elas são capazes de, junto do pobre coração, ajudar a suportar os quilos de tonelada chamados de saudade.

*Fotos dos Bosques de Palermo, em Buenos Aires

Publicado originalmente aqui.


Laura Maria

Estudante de jornalismo que, contra tudo e todos, abandonou o curso de publicidade na hora certa para seguir o sonho de unir a paixão pelas palavras à paixão pelas pessoas. Do encontro, nasceu a vontade escrever. Seja amenidades ou questões filosóficas, quando o assunto é se expressar me recorro às palavras, aonde nelas me encontro por completo..
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