cem mais palavras

Observando o mundo ora através de um telescópio, ora através de um microscópio

Laura Maria

Estudante de jornalismo que, contra tudo e todos, abandonou o curso de publicidade na hora certa para seguir o sonho de unir a paixão pelas palavras à paixão pelas pessoas. Do encontro, nasceu a vontade escrever. Seja amenidades ou questões filosóficas, quando o assunto é se expressar me recorro às palavras, aonde nelas me encontro por completo.

"A Revolução dos Bichos": resistência ao longo dos anos

Clássico de George Orwell atravessa os limites do tempo e traz, mesmo 70 anos depois de escrito, uma reflexão fresca e lúcida sobre as fraquezas e mazelas de qualquer sistema


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Uma das características que marca um clássico da literatura é a sua atemporalidade. Com “A Revolução dos Bichos” é assim. A primeira edição da obra de George Orwell, que completou 70 anos em agosto passado, traz para os leitores uma reflexão política e social contemporânea. Escrito no fim da Segunda Guerra, o livro provoca uma discussão que ainda cabe nos tempos atuais.

No enredo, os animais da Granja do Solar, comandados pelos ideias de um porco, se rebelam contra o o dono da fazenda e, depois de um ataque, passam a reger o local com as regras próprias, listadas em sete mandamentos. Liderados por outro porco, porém, os bichos começam a sentir que a realidade em que vivem não se tornou muito diferente da de quando estavam sob o domínio de um ser humano, já que o comportamento do animal líder se assemelha muito ao do antigo dono, que os obrigava a trabalhar a troco de ração diária.

A genialidade de Orwell começa na estrutura da escrita: ele retira dos homens o protagonismo e o transfere para os animais. Com esse tipo de narrativa, embasada nas fábulas, o escritor deixa claro o papel de cada personagem na trama.

Os porcos, por exemplo, são as criaturas que mais têm capacidade de pensar e, consequentemente, de poder. Eles conseguem sempre convencer os outros bichos, que têm o pensamento crítico pouco desenvolvido, de suas decisões.

Ao longo do livro, é possível reconhecer momentos que se assemelham aos de hoje em dia, como quando um moinho, construído depois do esforço dos animais, é batizado com o nome do porco-líder. Ou quando os porcos passam a ter mais privilégios que os demais animais, como melhores aposentos, simplesmente porque eram os “trabalhadores intelectuais”.

Já os outros animais eram todos submissos, apesar de suas peculiaridades. O cavalo, por exemplo, trabalhava sem cessar em honra ao seu dever para com o líder, já as ovelhas repetiam o que lhes era imposto sem que pensasse a respeito.

Na época em que foi escrita, "A Revolução dos Bichos" chegou a ser taxada de paródia do sistema comunista, que apresentou as falhas desse sistema. Se por um lado essa foi mesma a intenção inicial de Orwell, por outro, ela expandiu-se pela linha que marca o tempo e transformou-se em clássico obrigatório da literatura.


Laura Maria

Estudante de jornalismo que, contra tudo e todos, abandonou o curso de publicidade na hora certa para seguir o sonho de unir a paixão pelas palavras à paixão pelas pessoas. Do encontro, nasceu a vontade escrever. Seja amenidades ou questões filosóficas, quando o assunto é se expressar me recorro às palavras, aonde nelas me encontro por completo..
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