Ester Chaves

Ester Chaves é uma escritora brasiliense. Graduada em Letras pela Universidade Católica de Brasília e Pós-graduada em Literatura Brasileira pela mesma instituição. Atuante na vida cultural da cidade, participou de vários eventos poético-musicais. Já teve textos publicados em jornais e revistas. Em junho deste ano, teve o conto “Os Voos de Josué” selecionado na 1ª edição do Prêmio VIP de Literatura, da A.R Publisher Editora.

Engenhosidade poética e liberdade artística: a música de Mila Cavalhero

Em tempos de espaços transitórios, nichos virtuais onde as obras artísticas se proliferam numa velocidade espantosa, é natural que algumas coisas importantes escapem. Porém, é quase impossível escutar esta voz sem esboçar um sorriso, cantar junto ou ser fisgado por ela.


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Cantora e compositora brasiliense, Mila Cavalhero é dessas almas fluidas que empunham o violão embalada pela força de seus versos. Incentivada pela mãe, começou a tocar violão aos 7 anos e tem como principais influências ídolos consagrados da MPB: Marisa Monte, Cássia Eller, Djavan, Caetano Veloso e Nando Reis.

Com a música “Jura de dedinho”, de sua autoria, participou em 2016 da coletânea virtual de música independente Garimpo, organizada pelo selo musical Brasileiríssimos. As canções bem elaboradas e poéticas convidam o ouvinte a viajar em cada estrofe. Mila conduz o canto ao auge da interpretação visceral. Por onde passa, atrai pelas performances vibrantes que retratam os sentimentos provocados pela arte:

“A forma com que eu interpreto a música de outros artistas, é a forma que entrou em mim. E a forma como eu expresso, obviamente, sou eu tentando colocar isso para fora. Não é uma tentativa de equiparar ou de superar de forma alguma o autor ou a autora, é simplesmente uma expressão do que estou sentindo quando aquela arte me toca”.

Compositora sensível e atenta, Mila não se limita ao universo das canções amorosas. Explora diversos temas, interpreta, recria, compõe. Em sua “Ode tardia”, escrita há mais de oito anos, discorre sobre os sentimentos mesquinhos que corroem as relações humanas: “Dignidade se perdeu, a inocência morreu, a ganância é maior. E o amor, cadê?/ A tolerância pra quê se a força bruta satisfaz?/ Uma ode ao teu caráter farei pra ver se a ficha cai”.

Na canção “Salva-vidas”, o apelo se dá em prol do autorresgate — afogado na própria poça, o eu poético se debate em busca de um porto seguro. A música retrata o embate interno que todos nós, em algum momento da vida já tivemos: “Sai, tira o pé dessa poça que você mesma criou/ Vai atrás da vida que você sempre quis e ainda não chegou”.

A terra firme encontrada após a experiência de “nadar” e afogar-se nas próprias dúvidas, materializadas na poça aparentemente inofensiva em relação ao desproporcional perigo que acarreta, sugere que muitas de nossas pendências emocionais dependem da decisão de abandonar a zona de conforto. A mesma ideia de resistência é perceptível na música “Sangue Ferve”, onde a vontade de suplantar as dificuldades impostas pela vida contrasta com o esmorecimento de quem já está cansado de lutar, mas mesmo assim não desiste:

“O sono dos justos que virá, assim que der/ Todo dia é uma luta pra viver/A vontade é o pão e a maré enche, mas não é suficiente pra nadar/Eu sei o que eu passei e a dor que eu senti/E sinceramente o sangue ferve e ainda não serve pra amar”.

“Jura de dedinho” é uma confissão sobre dores, medos e anseios de um eu poético que se sente completamente inseguro para se entregar novamente após várias desventuras. A canção é um pedido afetuoso que chama atenção para o cuidar e ser cuidado, sobre a responsabilidade emocional que deixamos de ter quando fazemos promessas que escapam à vontade de realização. Ao mesmo tempo que deseja viver intensamente, o eu poético se retrai por medo de investir no amor e se machucar. As experiências indicam que a vida nem sempre retribuirá da mesma forma aos que procuram ter uma atitude positiva diante dela.

“Cê jura de dedinho que você não vai me sacanear?/ É que eu já vivi tanta coisa ruim que agora tenho medo de confiar 100%/E eu sempre tento ver o lado bom, viver tudo bem, mas não é sempre assim./ A gente vai andando e de repente cai e aí demora pra conseguir levantar...”

A relação da cantora com a música é marcada pela entrega apaixonada, pelo frenesi incendiário de saber que cantar vai além da apresentação — é um convite para sentir, fazer sentir e suscitar sentidos:

“O momento de entrega é quando a música e a voz se tornam um canal para tudo que tem dentro da gente sair e dizer, seja paixão, dor, amor, tristeza, saudade, medo”. Ainda sobre o instante de cantar/compor/criar, Mila escolhe as palavras intensidade e verdade para falar sobre a música que produz: “A palavra eu acredito que seria intensidade. Não faz sentido se você não for intensa e verdadeira naquilo que você quer passar”.

Em tempos de espaços transitórios, nichos virtuais onde as obras artísticas se proliferam numa velocidade espantosa, é natural que algumas coisas importantes escapem. Porém, é quase impossível escutar esta voz sem esboçar um sorriso, cantar junto ou ser fisgado por ela. Apreciem!

Mila Cavalhero nas redes sociais:

YouTube: https://www.youtube.com/c/MilaCavalhero

Facebook: https://www.facebook.com/MilaCavalherooficial/

Instagram: @milacavalhero

Soundcloud: https://soundcloud.com/milacavalhero


Ester Chaves

Ester Chaves é uma escritora brasiliense. Graduada em Letras pela Universidade Católica de Brasília e Pós-graduada em Literatura Brasileira pela mesma instituição. Atuante na vida cultural da cidade, participou de vários eventos poético-musicais. Já teve textos publicados em jornais e revistas. Em junho deste ano, teve o conto “Os Voos de Josué” selecionado na 1ª edição do Prêmio VIP de Literatura, da A.R Publisher Editora..
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