Ester Chaves

Ester Chaves é uma escritora brasiliense. Graduada em Letras pela Universidade Católica de Brasília e Pós-graduada em Literatura Brasileira pela mesma instituição. Atuante na vida cultural da cidade, participou de vários eventos poético-musicais. Já teve textos publicados em jornais e revistas. Em junho de 2016, teve o conto “Os Voos de Josué” selecionado na 1ª edição do Prêmio VIP de Literatura, da A.R Publisher Editora.

Desabafo não é sinal verde para invasões

"A decisão de comunicar um incômodo a alguém não é sinal verde para invasões. A cautela deve impedir que falemos mais do que o necessário. O desabafo, a fúria instantânea de contar quase nunca prevê os riscos. A euforia não apaziguará o arrependimento posterior, caso surja alguma fofoca. Portanto, antes de qualquer atitude, é preciso respeitar o tempo de cada coisa. As dores vêm e vão, moldam o que somos e nos preparam para desafios que dependerão da nossa discrição em relação a determinados assuntos".


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Em algum momento da vida, as dúvidas serão companheiras incômodas até definirmos o caminho que nos atenderá melhor diante de um desafio. É comum e até compreensível o eventual auxílio da segunda opinião. Porém, a decisão sobre qualquer assunto será sempre por nossa conta e risco.

O fato é que devemos tomar certas precauções quando decidirmos externar aborrecimentos ou expor os dramas pessoais. Algumas pessoas desconhecem a distância entre o comentário e o julgamento. Usam o disfarce do "eu não estou julgando, é apenas uma opinião" para projetar frustrações nas histórias alheias. Misturam os papéis, invertem os personagens de seus desfechos infelizes e os colocam numa vida que nada tem a ver com as experiências infrutíferas que tiveram.

Nem sempre o apoio solicitado diante de alguma dificuldade, requer a citação de exemplos ou a narrativa de vivências similares. O acolhimento, o olhar desacompanhado de palavras, costumam, aliados ao bom senso, respeitar as dores alheias. A decisão de comunicar um incômodo a alguém não é sinal verde para invasões.

O desabafo, a fúria instantânea de contar quase nunca prevê os riscos. A euforia não apaziguará o arrependimento posterior, caso surja alguma fofoca. Portanto, antes de qualquer atitude, é preciso respeitar o tempo de cada coisa. A cautela deve impedir que falemos mais do que o necessário. As dores vêm e vão, moldam o que somos e nos preparam para desafios que dependerão da nossa discrição em relação a determinados assuntos.

A comunicação imediata de tudo que acontece, satisfaz a tendência especulativa dos aparatos tecnológicos, como se a vida fosse um espetáculo a céu aberto — a estranha mania de contar para viver antes mesmo de ter vivido. A dependência de atender ao apelo frenético das redes, nos torna suscetíveis a cometer erros primários, a dar informações e municiar mentes que só privilegiam a aparência, o supérfluo das cascas e a manutenção de uma vida forjada. Dissolver certos nós internos longe dos radares alheios, depende exclusivamente da nossa maturidade de não transformar episódios passageiros em fardos que alimentam apenas à curiosidade da plateia.


Ester Chaves

Ester Chaves é uma escritora brasiliense. Graduada em Letras pela Universidade Católica de Brasília e Pós-graduada em Literatura Brasileira pela mesma instituição. Atuante na vida cultural da cidade, participou de vários eventos poético-musicais. Já teve textos publicados em jornais e revistas. Em junho de 2016, teve o conto “Os Voos de Josué” selecionado na 1ª edição do Prêmio VIP de Literatura, da A.R Publisher Editora..
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