chacoalhão

sublime cotidiano

Renan Berlitz

Publicitário por formação e desajustado por natureza. Apesar de ser supersincero e muito exigente, tenta viver uma vida mais leve

Quando o mundo é ruim

Cuidado! A negatividade é contagiosa. A positividade igualmente.


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Se tem uma coisa que vem me chateando nos últimos tempos é o pessimismo das pessoas. Cada vez mais está difícil ter uma conversa com alguém sem ter que, em algum momento, envolver algum arrependimento, notícia ruim ou comentário negativo. Não que a gente tenha que sair por aí abraçando árvores e batendo palmas para o pôr do sol o tempo todo. Só acho que poderíamos ver o copo como meio cheio, invés de sempre meio vazio.

Confesso que estou há praticamente um mês sem acompanhar noticiários. O que eu perdi com isso? Nada.

Na semana passada, um conhecido meu me disse que, em um mesmo dia, um embaixador foi morto, um caminhão atropelou várias pessoas e houve um atentado terrorista. Ele me perguntou se eu havia visto isso e disse que não. Ele ficou muito espantado com a minha falta de atualização sobre o mundo (?). Respondi que estava um pouco cansado de viver em função de tragédias e que, na minha concepção, não estava perdendo nada. Ele finalizou a conversa dizendo que ele tinha que ficar ligado em tudo, porque tudo de certa forma o afetava, economicamente falando. Ele é acionista da bolsa. E eu tratei de acionar um gif de catioríneos e tomar o meu Toddynho.

Aconteceu também recentemente que um amigo meu tinha que renovar um seguro. Desta vez, ele quis contratar um cara diferente para fazer o trabalho. O novo cara, então, tratou de trazer uma opção a mais para a análise do meu amigo, invés de só renovar o plano que ele já tinha. O cara explicou que, pagando mais R$30,00, ele aumentaria a cobertura de um item X em R$20.000,00. Meu amigo não quis, porque achou que o tal queria só empurrar um plano mais caro para que conseguisse uma comissão maior, consequentemente. Vai saber, né?! Nem me passou pela cabeça que o cara só estava querendo fazer o seu trabalho da melhor maneira possível. Ele só quis apresentar a melhor opção de custo x benefício, para assegurar de forma mais eficaz o patrimônio do meu amigo. Espertinho. Não foi dessa vez que ele pegou um trouxa. Tremendo pilantra mesmo.

Fila de banco, então, é quase uma sentença perpétua de sofrência. Sempre tem aqueles idosos (novinhos inclusos) que se encontram e desandam a falar da vida (leia-se problemas de saúde). É sempre um nervo ciático que não tem sossego, uma quase cegueira chegando, a filha do amigo que descobriu um câncer e o primo do pedreiro do cunhado da advogada do João com uma pedra nos rins. É assim, todos vamos morrer mesmo, fazer o que.

Assistir TV faz você não querer sair de casa. Ler jornal faz você não querer sair de casa. Navegar na internet faz você não querer sair de casa. Escutar o rádio faz você não querer sair de casa. Conversar com o vizinho faz você não querer sair de casa. Você pisou em um caco de vidro em casa e quase foi para o necrotério. Ih, nem em casa mais é seguro. Melhor chamar logo o padre para a extrema-unção.

Apesar de quase tudo confabular para que nos tornemos personagens do Cidade Alerta, nós não somos. Eu sei que tá difícil de acreditar. Eu sei que tá difícil de confiar. Eu sei que tá um pouco difícil de viver. Mas somos guerreiros. Somos batalhadores. Não é porque as coisas estão complicadas que devemos desistir. Vou contar um segredo revolucionário, mas não espalha, tá? A vida nunca foi um mar de rosas. Agora não tá diferente. Mesmo assim, aqui estamos nós. Chegamos e conquistamos. Bola pra frente, vida que segue.

Se o mundo é caótico, é porque nós estamos fazendo ele assim. Se o mundo é um lixo, nós é que vamos reciclá-lo. Se o mundo está preto e branco, nós é que vamos colori-lo. Quando o mundo é ruim, nós é que precisamos ser melhores.


Renan Berlitz

Publicitário por formação e desajustado por natureza. Apesar de ser supersincero e muito exigente, tenta viver uma vida mais leve.
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