chacoalhão

sublime cotidiano

Renan Berlitz

Publicitário por formação e desajustado por natureza. Apesar de ser supersincero e muito exigente, tenta viver uma vida mais leve

Caixa da felicidade

A caixa da felicidade só tem fechadura quando buscamos uma chave.


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2015 não foi um ano muito bom para mim e eu estava empregado. 2016 foi melhor do que 2015, mas eu passei boa parte dele desempregado. Você pode achar isso bem estranho, porém sim, é possível ser feliz mesmo tomando inúmeros nãos nos processos seletivos.

Em 2015, eu estava infeliz em vários aspectos. Foi nesse período que comecei a ler mais sobre felicidade, passando várias vezes por termos como autoajuda e terapia. Em outro texto vou abordar mais sobre essas duas palavras. O fato é que eu acabei me deparando com um artigo da Elizabeth Gilbert sobre um exercício que ela havia desenvolvido. Gilbert é a aclamada escritora do Comer Rezar Amar, e vamos dizer que ela é bem eloquente em termos de infortúnio. O artigo, então, falava sobre a caixa da felicidade. Esse exercício é tão simples que por vezes me achei meio tosco por estar fazendo ele.

O que você tem que fazer é anotar em um pedaço de papel o que te deixou mais feliz naquele dia. É recomendado fazer de noite, antes de ir dormir, para você já ir avaliando o seu dia como um todo. Não é textão, artigo científico ou nova versão da Bíblia. É uma frase. Só. Mais nada. Aqui não tem dia útil, ok? Tem que ser feito todos os dias, mas não leva cinco minutos. Após escrever, é só colocar em uma caixa. A escritora coloca em um jarro vintage de vidro que achou em um antiquário. Não precisa disso, viu? Pode ser uma caixinha de papelão, sacola de mercado, Tupperware. Qualquer recipiente tá valendo, o importante é deixar os papéis guardados.

Descobri esse exercício perto do Natal de 2015 e não quis começar por um ano que já estava acabando. Resolvi esperar mais uma semana para iniciar no ano novo e, assim, tentar completar o exercício até o final de 2016. Consegui. Esse texto, inclusive, foi a frase que escrevi para o dia 31/12. Essa imagem aqui abaixo é a real. Essa é minha letra mesmo. 😀

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Muitas vezes você vai achar que esse troço é uma baboseira, vai ficar com preguiça de perder uns minutinhos, vai pensar em desistir, vai se achar muito perdedor por ter escrito “comi pizza de calabresa”. Tudo isso aconteceu comigo. Entretanto, essa atividade é sua, não precisa mostrar para ninguém. Pode escrever sem medo “consegui fazer 10 abdominais”. Vai lá, ninguém tá vendo.

O que eu tirei de lição de tudo isso? Eu tenho mais razões para ser feliz do que infeliz. Inclusive teve vários dias em que aconteceram tantas coisas legais que tive o "trabalho" de ter que escolher somente uma para escrever. O nosso problema é que costumamos focar somente no que é prejudicial, não dando atenção para as coisas simples. São elas que fazem toda a diferença. A gente também percebe que temos que ser mais gratos. Muito mais.

Retomando o início do texto, 2015 não foi um ano bom para mim. Mentira, foi um ano bom sim. Eu é que fiz ele ser uma porcaria achando todos que todos os dias eram iguais e me lembrando somente das nocividades dele. Em 2015, eu não tive nenhum problema grave de saúde, estava empregado, tinha dinheiro e até consegui guardar um pouco, tinha e fiz vários amigos, entre outros. Fui feliz sim, mas na minha cabeça eu só pisei em ovos podres. E eu só cheguei a essa conclusão ao longo desse ano.

Iniciei 2016 empregado e fazendo o exercício. Dois meses depois, eu fiquei desempregado e quis já parar tudo. Como eu poderia dar continuidade a isso sendo que dali para frente eu seria um inútil? Como eu mencionei antes, apesar disso, 2016 foi um ano bem proveitoso. Confesso que devo atribuir grande parte disso a essa atividade. Nesse tempo “livre”, eu reavaliei vários aspectos que estava negligenciando até então. No quesito profissional, um dos aprendizados foi de que prefiro ganhar menos e fazer algo que eu tenha alguma afinidade, do que ter um ótimo salário e só me estressar. De nada adianta ganhar mais e depois ter que gastar o extra em remédios e tratamento psicológico. É uma conta burra, eu diria. No quesito pessoal, um dos aprendizados foi que não sou obrigado. Isso quer dizer que eu não preciso me encaixar em nenhum perfil pronto, afinal tenho o meu próprio. Também significa que se tem gente que só me tira do sério, melhor elas não fazerem mais parte da minha vida. Não é destratar, nem nada do tipo, é só se afastar. Sorrir e acenar, ótima tática dos pinguins de Madagascar.

Então é isso. A caixa da felicidade é sobre nossas pequenas grandes felicidades. Aqueles momentos insignificantes que são nossos singelos milagres diários. Nossa trilha de pão de 365 pedacinhos.

Talvez você não tenha o mesmo resultado que eu. E isso não quer dizer que não deu certo. Bem pelo contrário, só reforça que não existem fórmulas supremas. A vida é sua, os resultados são seus, os aprendizados são seus.

Gostei tanto que vou repetir agora em 2017. Vou permitir que 2017 seja exatamente o que eu quiser que ele seja.

Mesmo que você não precise desse exercício, não custa tentar. Vai que você se surpreenda.


Renan Berlitz

Publicitário por formação e desajustado por natureza. Apesar de ser supersincero e muito exigente, tenta viver uma vida mais leve.
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