chacoalhão

sublime cotidiano

Renan Berlitz

Publicitário por formação e desajustado por natureza. Apesar de ser supersincero e muito exigente, tenta viver uma vida mais leve

Medíocre

Acreditemos mais em nós mesmos.


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Não sei você, mas eu me esforço bastante para tentar ao máximo ser melhor do que a média. Ser mediano sempre foi algo que me dava arrepios. Não que eu precise ser excelente, mas acima do padrão já era suficiente. Como se já não bastasse essa nossa própria cobrança, ainda assim tem gente que consegue ter esse mesmo efeito de nos fazer sentir medíocres. Esse texto é para vocês.

Por mais que a gente seja dedicado e busque sempre o melhor, sempre vão ter pessoas que cruzarão o nosso caminho e dirão, ou pelo menos farão questão, de carimbar a palavra “fracassado” na nossa testa.

Um exemplo clássico disso foi um professor que tive. Em uma das suas primeiras aulas ele fez um discurso que não existe ninguém perfeito. Com essas palavras ele disse com todas as letras que, para ele, não existia prova ou trabalho dignos de um 10. Também fez questão de reforçar que, até aquele momento, ele nunca tinha escrito essa nota para um aluno. Desde então, eu tenho ele como um dos exemplos de pessoa mesquinha. Eu não sei como foram os professores que ele teve que fez com que ele se tornasse essa pessoa miserável, mas isso também não justifica a atitude dele. Assim, ele foi um dos meus primeiros exemplos de pessoas com o poder de me denominar “perdedor”.

Também tem aqueles casos que são meio híbridos. Você não consegue identificar até que ponto é uma vontade da outra pessoa de realmente te ajudar, ou simplesmente para poder dar os ares da graça da sua experiência. Pode ser uma mistura dos dois. Pode ser que a pessoa não se dê conta. Pode ser realmente que ela só quer ajudar. Ou pode significar sim que ela é uma pessoa ruim, que só fica feliz quando vê o outro infeliz. Espero sinceramente nunca chegar nem perto disso.

Aos poucos estou aprendendo a abstrair. Mesmo assim, acredito que deva ser um esforço em conjunto. De nós mesmos aprendermos a aceitar melhor as considerações alheias, e dos outros em reconhecerem todo o nosso empenho em fazer o nosso melhor. No fim, é preciso calarmos a boca, em ambos casos.

Então vamos fazer um acordo de compartilhar a alegria. Para nós mesmos: não vamos nos deixar afetar pelas palavras dos outros. E para os outros: tentem não fazer nenhuma ponderação, se limitando a felicitar o colega por um trabalho bem executado. Tenho certeza que valerá a pena.


Renan Berlitz

Publicitário por formação e desajustado por natureza. Apesar de ser supersincero e muito exigente, tenta viver uma vida mais leve.
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