chacoalhão

sublime cotidiano

Renan Berlitz

Publicitário por formação e desajustado por natureza. Apesar de ser supersincero e muito exigente, tenta viver uma vida mais leve

Piscina de bolinhas

As bolinhas coloridas fazem um convite à diversão e à compreensão.


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Se a gente for falar de cores, esse texto teria que virar uma coletânea. Para as noivas, por exemplo, na hora de escolher o vestido “branco”, tem-se algumas opções como: marfim, pérola, off-white, e etc. Tem tantas alternativas que chega a ser cansativo. Mesmo assim é algo necessário. Viver na mesmice é sinônimo de cansativo. Como deu para perceber, entre o preto e o branco, existe uma gama enorme de variedades e tons que muitas vezes não são compreendidos ou simplesmente não querem ser vistos.

Por trabalhar com esse universo, eu bem que poderia ser um daqueles chatos que ficam te corrigindo dizendo que não é rosa, é fúcsia. Que não é roxo, é lilás. Que não é vermelho, é magenta. Que não é verde, é verde bandeira. Só que fazer isso, só piora as coisas invés de melhorar. Fazer as pessoas perceberem que entre um azul e outro tem alguns tons a mais ou a menos, já é mais do que suficiente. No final, elas continuarão sendo azul, né?

Fica um pouco mais fácil de deixar isso dinâmico imaginando uma piscina de bolinhas. Grande ou pequena, não importa. O que importa são as bolinhas. Uma cartela gigante, não só cores propriamente ditas, mas de tons também. Como nesse brinquedo é preciso ser criança para poder brincar, nós precisamos nos transportar para essa época para tomar consciência sobre algumas coisas. Esse teletransporte não nos faz ir somente para um período mais despreocupado, como também nos resgata para um período onde empatia, gentileza, inocência e coletividade eram palavras bem presentes, mesmo sem sequer saber que elas existiam.

Ainda que não tenha ninguém brincando, as bolinhas estão lá. Elas convivem harmonicamente uma com as outras, emprestando todas as suas melhores características e todo o poder das suas cores para deixar o brinquedo mais atrativo e divertido a todos.

Como crianças na pré-escola, nós também descobrimos que, quando misturamos algumas cores, elas se transformam em outras. E isso também pode acontecer na piscina de bolinhas. À medida que você vai brincando nela, você vai descobrindo novas cores que, não necessariamente se transformam em novas, contudo podem só atribuir mais uma ou várias tonalidades, como o xadrez, por exemplo. Você não precisa gostar dela, ou delas. Se você só respeitar que elas fazem parte da piscina, já estará fazendo a sua parte. É só isso que se espera.

A sua opinião vai continuar sendo exatamente isso, sua opinião. Não é ela que vai mudar as nuances das bolinhas, modificá-las ou desmerecê-las. Cada uma é única e tem seu próprio charme.

Nessa profusão cromática, as tradicionais brancas e pretas continuarão sendo clássicas. Entretanto, a beleza do arco-íris também está aí para ficar. Tem lugar pra todo mundo.

Do lado de fora da cerquinha, não dá para saber toda a diversão que se sente lá dentro. É preciso se jogar, mergulhar. Você já viu alguém triste em uma piscina de bolinhas? Eu não.


Renan Berlitz

Publicitário por formação e desajustado por natureza. Apesar de ser supersincero e muito exigente, tenta viver uma vida mais leve.
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