chacoalhão

sublime cotidiano

Renan Berlitz

Publicitário por formação e desajustado por natureza. Apesar de ser supersincero e muito exigente, tenta viver uma vida mais leve

Fogos de artifício da amizade

Uma homenagem aos amigos que fizeram de 2017 um ano incrível.


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Amizade sempre foi algo com o qual eu debati comigo mesmo para conseguir explicar com exatidão. Sempre que quis escrever algo dedicado aos meus amigos, terminava e nunca achava suficiente para representar tudo o que eu realmente sinto sobre eles. É bem por isso também que sempre utilizei trechos de outras pessoas que falaram sobre esse assunto para tentar corrigir essa minha falha. Sempre amenizou, mas ainda assim não preencheu. Hoje, essa é a minha tentativa, porque a minha palavra de 2017 foi “amizade”.

Este certamente foi o ano divisor de águas para mim. Nem preciso pensar muito, mas acredito que em todos os sentidos, nem que seja só um pouquinho. Eu sei que muito das coisas que aconteceram foram graças às minhas escolhas, ou até mesmo o destino, para quem acreditar nele. Mesmo assim, eu acho bem importante sinalizar que sempre teve alguma pessoa por trás disso tudo. Seja para apoiar, aconselhar ou para chegar na voadeira mesmo. Amigo é assim. Eles não se importam se você não vai receber bem alguma coisa, desde que tenham certeza que será para o nosso próprio bem.

Apesar de não saber muito bem pontuar os ápices, eu sei que 2017 foi um dos anos mais difíceis que já vivi. Aliás, ele tem grande chance de ter sido o mais difícil mesmo. Foi sofrido. Foi desafiador. Foi estressante. Foi dolorido. Foi encantador. Foi maravilhoso. Foi incrível. Uma batalha constante, mas sem ela não há vitória.

Acreditando ou não, eu passei a virada de 2017 de branco para trazer paz à minha vida. O que eu não sabia é que ela viria de mãos dadas com amigos inestimáveis, sendo consequência um do outro.

Fiz muitas amizades novas. Conquistei amigos para a vida em menos de três meses. Dividi momentos com amigos que mudaram de estado. Fui cativado por pessoas que, com uma simples mensagem, transformaram o meu dia mais cinzento em um sábado de verão. Entendi que até mesmo um singelo papo por vídeo já servia de cura. Abri um sorriso com apenas um comentário de Facebook de uma amizade antiga de veraneio. Espelhei-me em gente louca, mas que a sua insanidade se mostrou mais divertida e carinhosa, do que qualquer outra que já conheci. Valorizei ainda mais as amizades que, mesmo estando longe, davam um jeito nas suas correrias diárias para almoçar meia hora comigo. Senti o gosto da alegria com uma simples janta de inauguração de apartamento. Aprendi a dizer não a algumas amizades, pegando o primeiro cruzamento disponível para que cada um trilhasse seu caminho. Me surpreendi com amizades inesperadas do último dia do ano que já considero serem de anos. Fiquei admirado em saber que, mesmo não precisando, anfitriões de aplicativos e caronas foram tão bacanas que também já entraram para o seleto grupo de amigos. Dividi alguns dos meus demônios com amigos que, por serem verdadeiros anjos na minha vida, me concederam as asas da coragem. Dei ouvidos a palavras que arderam, mas que, como o Merthiolate, serviram para cicatrizar e deixar a pele mais firme para o próximo tombo. Concedi as chaves do meu peito para alguns que só deixaram uma bagunça lá. Foi quando tranquei tudo de novo. Foi quando meus amigos já chegaram com o machado e quebraram tudo. Uma fresta não era o bastante. Que seja inteiro, ou então não seja. Também fortaleci a minha crença de que quando a vida traz a conta, você paga caro todo mal que fez ao próximo.

Recentemente, confirmei algo que eu já imaginava: minha energia estava baixa. Curioso é saber que tem casos que isso não se resolve com férias. Isso pode ser resolvido “só” com amigos – essa fonte inesgotável de boas vibrações para a vida. Não é um fenômeno de criação, mas sim de transferência. Como explicar isso, sem conseguir usar a palavra “amor”? Acho que é impossível. A Martha Medeiros que já disse, o melhor lugar do mundo é dentro de um abraço. Faltou complementar “de um amigo”, só acho.

Caros amigos, muito obrigado por existirem na minha vida. Dedico esse texto e o meu 2017 a vocês. Desejo ter conseguido chegar pelo menos perto do que acho que vocês, meus amigos, merecem ler. Espero que todos vocês estejam bem. Caso não estejam, eu sei que ficarão, porque eu, indiferente de onde estiver, direcionarei minha energia a vocês.

Em 2018, quero todos os fogos de artifício da amizade. Porque é só em conjunto mesmo que a gente dá show. Brilhem com tudo de melhor que os próximos 365 dias tem a nos oferecer.

Um ano novo sensacional para todos vocês!


Renan Berlitz

Publicitário por formação e desajustado por natureza. Apesar de ser supersincero e muito exigente, tenta viver uma vida mais leve.
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