chacoalhão

sublime cotidiano

Renan Berlitz

Publicitário por formação e desajustado por natureza. Apesar de ser supersincero e muito exigente, tenta viver uma vida mais leve

Sorriso de merda

O poema da vingança.


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Tão engraçado ele pensa que é

Coitado,

Mal sabe que não passa de um garnisé

Palavras difíceis ele fala

A boca não diz,

Mas os olhos gritam que é mala

Essa rima pode ser infantil

Mas estão adequadas ao seu perfil

Porque você continuará sendo

Um completo imbecil

Com um garfo, prefiro comer a minha sopa

Do que dar risada das suas piadas, seu idiota

Você diz para não levar a sério as brincadeiras comigo

Mas isso não é coisa que se faz com um amigo

Tudo bem, sorrirei e acenarei

Mas seu delicioso chimarrão eu preparei

E nele, o ingrediente secreto, meu cuspe, coloquei

Sabe aquele seu xampu caro da Herzegovina?

Fórmula tão sofisticada que também tinha

A minha urina

Dez a zero você achava?

Enquanto na sua frente,

Mentalmente, eu te fuzilava,

Sorrateiramente, sua escova de dente eu pegava

E os rejuntes mofados com ela eu esfregava

Higienicamente, na privada, eu também a lavava

Pro inferno eu irei

E o que você nunca saberá

De lavada, esse placar eu virei

Daqui, mesmo que nada eu leve

Pelo menos vou gritar:

Tá pago, tá entregue!

A partir de agora, na dúvida ficará

Aquilo que se faz, é o que se herda

No fim, não sou eu que estampo

Esse sorriso de merda.


Renan Berlitz

Publicitário por formação e desajustado por natureza. Apesar de ser supersincero e muito exigente, tenta viver uma vida mais leve.
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