cinema e reflexão

Filmes antigos por novos ângulos

CLAUDIO COSTA

Exercite o cérebro: é uma hipertrofia gratificante.

SOBRE NEOLIBERALISMO OU TSUNAMI

O Neoliberalismo é uma opção de política econômica que mudou com o passar dos anos. Hoje, o neoliberalismo pode destruir mais do que um tsunami.


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Algumas pessoas da nova classe média, vários pequenos e médios empresários e, praticamente, todos os grandes empresários exaltam o neoliberalismo. Acreditam que o livre mercado, as privatizações e o Estado mínimo são imprescindíveis para a construção de um país forte. Seguindo esta linha de raciocínio temos o Estado como altamente centralizador, uma máquina despótica e catalisadora da corrupção, um organismo que se retroalimenta ficando de um tamanho desproporcional e inibindo o crescimento da economia. O neoliberalismo seria a panaceia, seria a salvação para a nação, mas clamar pelo neoliberalismo é como pedir um pouco d’água e ser atendido com um tsunami.

O neoliberalismo, além das características já citadas, prevê a desigualdade social, é praticamente um elemento fundamental, pois, para o controle dos salários e acumular capital é necessário um exército de reserva, ou seja, pessoas desempregadas. O Estado mínimo só tem a função de solapar qualquer reivindicação trabalhista, desmobilizando os sindicatos, cortar radicalmente os gastos sociais e suavizar nos impostos com os grandes movimentadores da economia. Não é por acaso que o modelo de neoliberalismo desenvolvido pela Sociedade de Mont Pèlerin teve seu evento teste na ditadura de Pinochet, no Chile, pois, só um regime bruto e autoritário poderia implantar tal ideologia. Mais tarde, no final dos anos 1970 e início dos anos 1980, chegaram ao poder Thatcher na Inglaterra e Reagan nos EUA, erguendo a bandeira neoliberal. Mas, desta vez, por vias democráticas. (Embora, Perry Anderson nos alerte que hiperinflação é um instrumento que viabiliza a indução a alternativa neoliberal).

Já tivemos provas que o neoliberalismo como modelo econômico não conseguiu o êxito esperado, não houve crescimento e não houve estabilidade (vide a crise do capitalismo de 2008 que se estende até hoje). O neoliberalismo venceu como ideologia e como cultura, mudou os valores e a corrupção que se pensava apanágio do Estado se estendeu para cada lar. O neoliberalismo já está instalado no Brasil, culturalmente, mesmo o atual governo que se declara de centro-esquerda já foi cooptado pelas tendências neoliberais. Mas podemos imaginar se voltarmos a um governo nitidamente neoliberal o que poderemos encontrar. Nos Estados Unidos, as grandes corporações varreram o pequeno e o médio empresariado, destruindo o sonho norte-americano (leiam George Packer), o neoliberalismo criou um tsunami de oligopólios e fortaleceu o mercado financeiro que não produz nada, mas se alimenta de fracassos e de crises.

Para quem quer água, cuidado com o tsunami.


CLAUDIO COSTA

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