cinema e reflexão

Filmes antigos por novos ângulos

CLAUDIO COSTA

Exercite o cérebro: é uma hipertrofia gratificante.

A MUDANÇA DO EU E A MUDANÇA DO OUTRO

Mudar é necessário. Mudar é incontrolável. Mudamos como um processo natural. Entender que mudamos é mais difícil e entender que o outro muda e que , às vezes, muda para o lado que não concordamos é mais difícil ainda. Este texto aborda a questão das mudanças.


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Alguém sabe como mudar uma pessoa? Alguém sabe perceber a sua própria mudança? Alguém sabe o momento exato em que aconteceu essa mudança? São perguntas nada fáceis de responder. Eu sei que mudamos porque precisamos e não porque queremos, é involuntário e compulsório, como o coração que bate alheio a nossa vontade. Não somos os mesmos de ontem e nem seremos os mesmos amanhã, essa crisálida rompida incessantemente gera novos eus que se coadunam num eu agregado de acontecimentos. Nós vamos nos tornando diferentes a cada dia.

O delicado e o cômico das mudanças é que por mais que mudemos todos os dias (pelo menos um pouco) quando queremos efetuar esta mudança em outrem voluntariamente, esbarramos numa limitação; pois, esta modificação é desejada sempre a feitio do requerente, fazendo com que o candidato assuma a postura idealizada por este requerente. Mas não funciona assim, mesmo com anuência do possível modificado, o resultado suscita uma corruptela imprevisível, ou seja, a mudança nunca será da forma de quem deseja, simplesmente porque ninguém é do jeito que a gente deseja.

É muito difícil a percepção da própria mudança, é mais fácil nós notarmos nos outros, porém não é impossível. As alterações em nossas ações e, mormente, em nossas reações são mais suavemente identificadas quando comparamos com situações semelhantes ocorridas anteriormente, evidente que este insight carece de sensibilidade, sensibilidade esta comprometida pelas asperezas do nosso cotidiano frenético. Estamos tão afundados em nossos afazeres, que se torna quase impraticável a possibilidade de irmos até a borda pra respirar; e é neste cenário que perdemos a percepção da mudança.

Há muitas pessoas que batem no peito e afirmam que jamais mudarão, pois são originais, sinceras e que têm personalidade. Em jactância proclamam-se pertencentes a uma seleta lista dos que não se influenciam. Concordo que devemos manter a nossa essência, ser fiel ao nosso espírito e não embarcar numa nau de volubilidade; mas é desperdício não mudar, pra não dizer estupidez. Devemos mudar quando precisamos, devemos mudar porque faz parte do aprendizado; é quase impossível que vivamos uma existência inteira e não agreguemos nada a ela. O que vemos, sentimos, fazemos, omitimos, tocamos... tudo vai nos moldando, mudando.

Às vezes, essas pessoas que nunca mudam procuram entender o motivo que as levam a não serem bem aceitas, mas essa investigação para no limite do seu engessamento como ser; decretando que o erro está sempre na outra pessoa; como diria Sartre, “o inferno são os outros”. Há uma matemática simples, se a maioria acha que há algo de errado – não que a maioria seja o reflexo da verdade¬¬ – então, vale a pena uma autoavaliação, uma reflexão sobre pensamento e atitude.

A emblemática data de início do ano pode ser uma época propícia para esse tipo de avaliação, pode ser um ponto de partida para mudanças na vida que inevitavelmente partem de dentro pra fora, não precisamos ser uma “metamorfose ambulante”, mas é muito chato ter uma “velha opinião formada sobre quase tudo”.


CLAUDIO COSTA

Exercite o cérebro: é uma hipertrofia gratificante..
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