cinema e reflexão

Filmes antigos por novos ângulos

CLAUDIO COSTA

Exercite o cérebro: é uma hipertrofia gratificante.

SOBRE A FELICIDADE

Não há uma receita para ser feliz. Às vezes, nem sabemos o que é a felicidade. Este texto tenta encontrar os caminhos à procura da felicidade.


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No filme À Procura da Felicidade (2006) que contou a história de Chris Gardner, vivido por Will Smith, há uma cena em que ele obteve uma vitória pessoal e diz a seguinte frase: “Esta parte da minha vida, esta pequena parte... se chama felicidade.” Chris conseguiu identificar um momento de felicidade, conseguiu perceber aquele momento especial em meio as dificuldades por quais passava. Não é fácil ser feliz, principalmente, porque não conseguimos identificar a felicidade. Este texto versa sobre isto e sobre as possibilidades de ser feliz.

FELICIDADE PARTE I

Eu sempre digo que a felicidade é uma questão de percepção. É preciso perceber, sentir e apreciar o momento. A felicidade não foi e nem será, a felicidade é. Hoje corremos tanto e para todos os lados, que não consigamos perceber a felicidade. Quando passamos por ela, nós nos lembramos e dizemos que fomos felizes. Enquanto corremos pensamos que esta corrida levar-nos-á a felicidade. Entre a felicidade que passou despercebida e a felicidade que um dia virá, nunca somos felizes agora, no presente.

Quem tem olhos que veja Quem tem coração, sinta Não se lembre, não espere... Apenas se permita.

FELICIDADE PARTE II

A felicidade causa infelicidade. Sim, a busca incessante da felicidade traz a infelicidade e a angústia. Preocupamo-nos tanto em sermos felizes que nos esquecemos de viver a vida. Na vida podemos encontrar a felicidade, mas também encontramos dor, tristeza e sofrimento. Ao vivermos a vida passamos por isto tudo e é fundamental que passemos por isto, pois só assim reconheceremos o que é felicidade quando ela aparecer diante dos nossos olhos e coração.

Só percebemos e identificamos a felicidade quando experimentamos a vida em tudo que ela pode nos oferecer, tanto o que ela tem de bom quanto o que tem de ruim.

FELICIDADE PARTE III

Saulo olhou o corpo do seu irmão gêmeo, Pedro, que jazia sobre o seu leito final e, em um grande conflito, sentiu-se aliviado. Ele pensou: “poderia ser eu”. Pedro nasceu com uma doença no coração, Saulo não. Nasceram na mesma hora, nasceram idênticos, mas tiveram destinos diferentes. O corpo morto do irmão trazia Saulo pra vida, mas com um profundo remorso de se sentir feliz de estar vivo. Ele não poderia transparecer a sua felicidade naquele momento de tristeza familiar. Na verdade, ele não queria se sentir feliz, mas se sentia; ele até quase sorriu.

A felicidade pode ser inoportuna A felicidade pode ser mesquinha e egoísta, mas não pela felicidade em si, e sim, pela transferência dos nossos próprios valores a ela. O que te faz feliz é uma escolha tua. A felicidade pode revelar o pior que existe em ti e, provavelmente, só tu saberás.

FELICIDADE PARTE IV – PÁSSARO AZUL

Há um filme antigo, bem antigo (1940), que tem como enredo uma história interessante. O filme é o Pássaro Azul, a produção conta com a menina prodígio Shirley Temple e, resumidamente, a película relata a história de duas crianças tristes e pobres que saem de casa à procura do pássaro azul da felicidade. Elas procuram o pássaro por todos os lugares, passando por lugares luxuosos e, inclusive, no passado e no futuro, mas retornam pra casa sem nada encontrar.

Já em casa, eles acordaram de manhã ainda imaginando se o que viveram foi real ou não, quando perceberam que o pássaro que criavam passou pelo processo de muda de penas, tornando-se azul. O pássaro azul da felicidade esteve todo o tempo bem pertinho deles.

A felicidade pode já estar com a gente, talvez seja só preciso ter atenção e paciência pra esperar a muda de penas.


CLAUDIO COSTA

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