cinema pensante

Como um bom filme pode mudar a nossa vida

Sílvia Marques

Paulistana, escritora, idealista em crise, bacharel em Cinema, cinéfila, professora universitária com alma de aluna, doutora em Comunicação e Semiótica, autodidata na vida, filósofa de botequim, com a alma tatuada de experiências trágicas, amante das artes , da boa mesa, dos vinhos, de papos loucos e ideias inusitadas. Serei uma atleta no dia em que levantamento de xícara de café se tornar modalidade esportiva. Sim, eu acredito realmente que um filme possa mudar a sua vida! Autora do blog Garota desbocada. Lancei recentemente em versão e-book pela Cia do ebook o romance O corpo nu.

Dará certo e que o pessimismo vá pescar em PQP!

Este artigo ressalta a importância do otimismo mesmo quando a vida está difícil.


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A vida é feita de escolhas. Escolhas exigem atitudes e levam a consequências. Você pode acertar ou errar. Ou ainda não errar por não tentar nada. Me parece este o pior tipo de fracasso. Nunca caí da bicicleta pois nunca andei em uma . Ninguém é obrigado a andar de bicicleta , nem de patins , patinete ou coisa alguma. Adoro licenças poéticas. No entanto, precisamos fazer um milhão de coisas. Passar a vida levando não no meio da cara às vezes enche e o pessimismo se torna inevitável. Porém , acredito em uma teoria: se uma porção de bilhetes não premiados foram retirados da mesma urna , mais cedo ou mais tarde , um premiado aparecerá. Quando tentamos com garra , com vontade e acima de tudo com fé , uma hora alguma coisa acontece. É uma questão de probabilidade. Tudo não pode dar certo ou errado.

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A necessidade de fazer e acontecer na juventude é altamente angustiante

Em nossa sociedade temos a tendência de achar que tudo precisa acontecer até os 30 anos: carreira de sucesso, dinheiro no banco, casa própria , casamento sólido , filhos) Depois desta data , um dispositivo será acionado e nossas esperanças de felicidade serão implodidas e as cinzas enviadas a Terra do nunca. Não! Isso não é verdade. Para muitos , a vida começa a partir desta idade . Depois de passar a casa dos vinte num interminável thriller onde se retira bilhete não premiado atrás de bilhete não premiado , algo finalmente pode acontecer. Muita gente passa a se entender melhor mais tarde; muita gente esbarra nas pessoas certas mais tarde; muita gente encontra grandes oportunidades ou transforma pequenas chances em enormes empreitadas mais tarde. O porquê disso não sei. Não dá para explicar , embora eu adoraria saber.

O que me parece importante é entender que as pessoas não são manteiga ou iogurte. Não temos data de validade ( para filhos sim, no caso das mulheres, embora atualmente o nosso prazo seja maior) , mas não para amar , namorar, casar , começar uma carreira mais empolgante , fazer a viagem dos sonhos, mudar de cidade , estado e até país. Enfim, começar tudo de novo, mais intensamente e melhor.

O tempo não nos fornece apenas rugas e cabelos brancos. O tempo nos fornece mais jogo de cintura. O tempo não rouba apenas a firmeza da pele , mas a nossa mania de achar que sabemos tudo e querer tudo para ontem. Ok que algumas pessoas nunca amadurecem em alguns aspectos , mas em geral o ser humano se torna menos ansioso ; passa a entender melhor que nada acontece cedo ou tarde. Soa meio contraditório mas , quem tem menos tempo para esperar é quem espera melhor. Enfim, aprende-se a ligar o tal do “Fodômetro”.

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Saber perder e esperar denota maturidade emocional.

A nossa cultura supervaloriza a juventude e o físico perfeito. Uma pena. Prestem atenção! Falei físico perfeito e não beleza. Tem muitas gordinhas lindas e muitas mulheres dentro dos padrões da moda nem tanto. Não devemos confundir medidas perfeitas , com formas bonitas e excitantes, olhos expressivos , traços harmoniosos , sorriso cativante.

Perdemos o prazer de uma boa refeição para não engordar ( como se um dia fora da linha fosse fazer muita diferença!) ; deixamos de tomar um refrescante banho de piscina num dia lindo e escaldante porque ganhamos um quilinho no último mês; fazemos amor com menos vontade e intensidade porque apareceu uma barriguinha indesejável; ignoramos os idosos como se experiência de vida fosse coisa irrelevante. A maioria prefere sapatos a livros. Ou ainda maus livros a bons livros , o que pode ser pior que preferir sapatos. Nada contra sapatos e quem os curte...mas livros são livros, né? Olhando a vida sob esta perspectiva , realmente tudo precisa acontecer muito cedo pois apenas quem está explodindo de colágeno tem o direito e a possibilidade de ser feliz. Felicidade para a nossa sociedade tem a ver com juventude e status: quem tem mais dinheiro; quem aguenta melhor um ambiente corporativo estressante; quem acumula mais roupas de grife etc).

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Às vezes precisamos esquecer a dieta e saborear a vida.

Se entendermos que certos padrões sociais são tirânicos demais e temos o direito de desafiá-los , poderemos sentir prazer e alegria em qualquer idade. Poderemos sim aos 35 , aos 40 ou com mais idade iniciar uma nova carreira ; fazer uma nova faculdade ou a primeira da nossa vida ; encontrar um grande amor ; perder o fôlego de tanta paixão; pegar o fundo de garantia de um emprego chato e abrir um negócio ou ainda sair pelo mundo. Precisamos de entendimento e de coragem obviamente.

A palavra coragem vem do francês “ courage ” e significa viver com o coração. Quem tem coragem, se arrisca ; paga pra ver; abre o coração e seja o que Deus quiser. Quem vive com coragem , sabe que não existem certezas nem respostas prontas ; que nem tudo por ser controlado; que na última hora o jogo pode virar a nosso favor ou contra; que a vida pode ser bem cruel mesmo , mas completamente fascinante ao mesmo tempo. Quem vive com coragem, quer ultrapassar limites; mergulhar dentro de si e principalmente se reinventar. Gente corajosa vive se reinventando porque às vezes o mundo passa por cima mesmo e ainda dá ré.

Para ser otimista , precisa ter coragem porque se formos olhar atentamente ao redor , não encontraremos muitos motivos para a esperança. A própria finitude humana é o suficiente para anos em um divã. Acreditar que alguma ou algumas coisas darão certo apesar dos pesares; apesar das nossas limitações , dos nossos traumas , das outras pessoas , de nós mesmos é um exercício desafiador. Mas que costuma valer a pena.


Sílvia Marques

Paulistana, escritora, idealista em crise, bacharel em Cinema, cinéfila, professora universitária com alma de aluna, doutora em Comunicação e Semiótica, autodidata na vida, filósofa de botequim, com a alma tatuada de experiências trágicas, amante das artes , da boa mesa, dos vinhos, de papos loucos e ideias inusitadas. Serei uma atleta no dia em que levantamento de xícara de café se tornar modalidade esportiva. Sim, eu acredito realmente que um filme possa mudar a sua vida! Autora do blog Garota desbocada. Lancei recentemente em versão e-book pela Cia do ebook o romance O corpo nu..
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