cinema pensante

Como um bom filme pode mudar a nossa vida

Sílvia Marques

Paulistana, escritora, idealista em crise, bacharel em Cinema, cinéfila, professora universitária com alma de aluna, doutora em Comunicação e Semiótica, autodidata na vida, filósofa de botequim, com a alma tatuada de experiências trágicas, amante das artes , da boa mesa, dos vinhos, de papos loucos e ideias inusitadas. Serei uma atleta no dia em que levantamento de xícara de café se tornar modalidade esportiva. Sim, eu acredito realmente que um filme possa mudar a sua vida! Autora do blog Garota desbocada. Lancei recentemente em versão e-book pela Cia do ebook o romance O corpo nu.

Liberdade de expressão sim! Bullying não!

Este artigo visa ressaltar a gravidade de comportamentos antissociais nas redes que deveriam ser sociais.


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É fato que a internet e as redes sociais provocaram uma verdadeira revolução na forma em que expressamos as nossas ideias, opiniões e divulgamos o nosso trabalho. Hoje, não somos meros espectadores; somos produtores de conteúdo e informação. Somos formadores de opinião. E para mim isso é simplesmente incrível.

Com uma simples câmera, na sala de casa, podemos fazer um humorístico ou um discurso inflamado sobre qualquer assunto relevante em nosso ponto de vista. Hoje, muitos escritores publicam e vendem seus livros de forma independente, em plataformas online. Hoje, não precisamos mais estar ligados a uma rádio, canal de TV, gravadora ou editora para publicar nossos vídeos, fotos, textos, músicas etc. Hoje podemos divulgar nossos textos em blogs com alta visibilidade, conquistando fãs, recebendo críticas construtivas que nos ajudam a crescer.

Mas como tudo na vida tem o seu lado B, tamanha liberdade de expressão tem o seu preço. Nada vem de graça, sem efeitos colaterais . Junto com os fãs e as pessoas assertivas que enriquecem os debates, analisando nossas produções sob interessantes pontos de vista ( às vezes, mesmo sem querer, podemos ser unilaterais ou esquecer de citar um dado importante etc) aparecem os rebeldes sem causa; pessoas que criticam por criticar, pelo simples prazer de depreciar o trabalho alheio, sem apresentar nenhum argumento consistente para tal.

Alguns criticam ferozmente, mas por suas opiniões, podemos perceber na hora que a pessoa em questão não leu o texto na íntegra; se incomodou com um trecho em particular e mandou bala. Por exemplo: questionam a ausência de uma informação, mas a informação está presente no texto em um dos parágrafos finais. Entendem o que quero dizer? Vemos também excessivos casos de termos chulos, vulgares, de baixo nível mesmo. Falar palavrões entre amigos, na forma de brincadeira, para descontrair o ambiente é uma coisa. Usar termos baixos e grosseiros para criticar o trabalho alheio é considerado conduta antissocial, uma modalidade disfarçada de bullying e assédio moral. Para quem desconhece este fato, críticas cruéis que incluem palavrões e ofensas são um indício de comportamento antissocial e a pessoa que o pratica deveria procurar por ajuda profissional.

Quando alguém usa termos moderados e educados para criticar, sentimos que o leitor em questão está realmente interessado em contribuir. Quando lemos termos agressivos, percebemos que o real interesse é depreciar, ferir, desconsiderar. Mas por quê? Por que tanto ódio em relação a pessoas desconhecidas? Por que tanto ódio em relação ao livre pensamento do outro? Confundimos liberdade de expressão com posturas xenofóbicas, etnocêntricas, quase nazistas e psicopatas.

Discordar é um direito. Ofender e baixar o nível da discussão com comentários maldosos são atitudes altamente reprováveis, que deveriam ser seriamente combatidas por moderadores, autores e os outros leitores de bom senso.

Muitos, escondidos, atrás de perfis fake se profissionalizam em criticar o trabalho alheio. Dizem o que querem, mas se escondem dos efeitos de uma resposta negativa. Batem, mas morrem de medo de apanhar. Julgam, mas não querem ser julgados. Rotulam, mas se escondem atrás de uma máscara. Esculhambam , mas não fundamentam. Distorcem maldosamente o pensamento do autor mas, muitas vezes, não são capazes de produzir seus próprios textos, vídeos etc. Ou ainda entendem de forma equivocada mesmo porque fazem uma leitura descuidada. Enfim, são rigorosos para criticar e displicentes na hora de ler.

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Atrás de máscaras todos são corajosos e destemidos.

Não gostou do texto de alguém? Considerou-o chato? Pare de lê-lo. Considerou as opiniões alheias superficiais ou arrogantes, não curta, não compartilhe nem recomende. Achou o texto interessante mas, faltou alguma informação importante? Comente com respeito. Achou o autor sem noção, não o leia mais. Tem muitas ideias fortes para defender, defenda-as. Escreva seus próprios textos; produza seus próprios vídeos. Enfim, adote uma postura pró ativa e saudável; use sua perspicácia , inteligência e conhecimentos para produzir algo de seu; algo que possa inspirar, motivar , fazer a diferença na vida de outras pessoas.

Não use o mundo virtual para descontar as tristezas e frustrações da vida real. Muitos não tem coragem de dizer o que pensam no ambiente de trabalho por medo de perder o emprego, mas descarregam suas tensões e raiva contida por meio de comentários absurdos, como por exemplo, chamar o autor de louco. Sim, já vi isso. Uma autora incrível escreveu sobre maternidade com a maior lucidez do mundo e foi rotulada de louca. Deplorável. Muitos não conseguem viver o amor plenamente ou são pessoas extremamente reprimidas na vida pessoal e extravasam sua falta de alegria e prazer nas redes sociais.

Existem tantas formas de relaxar e encontrar o equilíbrio emocional que tanto precisamos para nos sentir bem com a gente mesmo: terapias, ioga, meditação, arte terapia etc Enfim, pinte um quadro, aprenda uma dança, deite-se num divã , busque por momentos de prazer no seu dia a dia; coisas simples como ouvir música, ler, ver um filme, tomar um chope com os amigos, fazer uma comida, escrever um diário, comer um doce sem culpa, caminhar etc etc etc

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Reservar momentos do dia para relaxar e sentir prazer pode ajudar muito na saúde mental das pessoas.

Estamos na Era do não. Do não gosto. Do não quero. Do não curti. Para muitos, mais importante que elogiar um texto que lhe agradou, é criticar o que lhe desagradou. Estamos vivendo uma fase de extrema intolerância ao que difere da nossa moral e valores. Se alguém pensa diferente de mim, é lixo. Se alguém quer outra coisa para a própria vida, é excremento ...para não usar termos chulos.

Precisamos exercitar a alteridade. Precisamos entender que o outro tem o mesmo direito a pensar, sentir e viver da forma que mais lhe convém. Toda crença religiosa é válida. Porém, ninguém tem o direito de julgar aquele que não crê. Toda orientação sexual tem direito ao amor. Todo tipo de personalidade merece seu lugar ao sol, contanto que saiba identificar onde termina a sua liberdade e onde começa a do outro. Uma pessoa torna-se reprovável a partir do momento em que ela desrespeita o outro. Em minha opinião, esta é a única conduta que não tem direito ao respeito de ninguém.


Sílvia Marques

Paulistana, escritora, idealista em crise, bacharel em Cinema, cinéfila, professora universitária com alma de aluna, doutora em Comunicação e Semiótica, autodidata na vida, filósofa de botequim, com a alma tatuada de experiências trágicas, amante das artes , da boa mesa, dos vinhos, de papos loucos e ideias inusitadas. Serei uma atleta no dia em que levantamento de xícara de café se tornar modalidade esportiva. Sim, eu acredito realmente que um filme possa mudar a sua vida! Autora do blog Garota desbocada. Lancei recentemente em versão e-book pela Cia do ebook o romance O corpo nu..
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