cinema pensante

Como um bom filme pode mudar a nossa vida

Sílvia Marques

Paulistana, escritora, idealista em crise, bacharel em Cinema, cinéfila, professora universitária com alma de aluna, doutora em Comunicação e Semiótica, autodidata na vida, filósofa de botequim, com a alma tatuada de experiências trágicas, amante das artes , da boa mesa, dos vinhos, de papos loucos e ideias inusitadas. Serei uma atleta no dia em que levantamento de xícara de café se tornar modalidade esportiva. Sim, eu acredito realmente que um filme possa mudar a sua vida! Autora do blog Garota desbocada. Lancei recentemente em versão e-book pela Cia do ebook o romance O corpo nu.

Por uma educação humanística! Vamos parar de formar clones!

Este artigo pretende analisar a importância de um ensino superior mais democrático, inspirador e irreverente.


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Na sociedade da informação, a função do professor vai muito além da mera transmissão de conceitos.

Universidade ou universalidade, totalidade. Quais são as reais funções de quem atua como docente em uma universidade? Levar à universalidade ou mostrar apenas uma parcialidade?

Infelizmente nossa sociedade e sistema são marcados pelo desejo de sucesso como felicidade, com pessoas que se auto definem e valoram umas às outras pelas roupas que vestem, pelos sapatos que calçam, pelo carro que dirigem, pelos lugares que frequentam. Conhecemos mais sobre grifes do que sobre filósofos e artistas. Nada contra grifes quando elas são admiradas dentro de proporções razoáveis.

Parece lugar comum, mas infelizmente, ter é mais do que ser, saber e sentir em nossa sociedade. O dinheiro e poder sempre falaram alto em qualquer época, porém, desde a criação da indústria cultural, passando pela globalização e o impacto da internet e principalmente das redes sociais, o mundo tem ficado cada vez mais consumista, narcisista, autocentrado; com pessoas incapazes de ouvir e refletir.

Seria função da universidade remar contra a maré, trazer à tona olhares múltiplos e questionadores. Seria função da universidade convidar os estudantes ao debate. Muitos professores o fazem. Mas ainda falta muito engajamento social e senso crítico em nossas salas de aula.

Embora, teoricamente, a Pedagogia já aceite o aluno como um ser pensante, na prática, muitos professores desconsideram tal fato. O processo educacional não deveria ser tão centralizado na figura do docente. Evidentemente, o professor é um profissional preparado para ensinar, com uma respeitável bagagem cultural. Por outro lado, é um ser humano com limitações como qualquer outra pessoa.

Com a facilidade atual de encontrarmos informações, baixar livros gratuitamente, ver filmes pelo computador, a figura do professor não é tão imprescindível na aquisição de informações nuas e cruas, em seu estado bruto, sem lapidação. Porém, a função do professor vai muito além da transmissão de conceitos, técnicas e teorias. Mais importante que mostrar e demonstrar, o professor precisa inspirar, motivar, orientar o aluno a construir o conhecimento. Sabe aquele famoso ditado popular: Não dê o peixe. Dê a vara de pescar? Então, é o que professor deve conceder ao aluno.

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Aulas dinâmicas e democráticas facilitam o entendimento profundo da disciplina.

Se o aluno em questão não for preparado intelectualmente, ele poderá ter acesso à milhares de informações diárias mas, terá dificuldade para processá-las, entendê-las, absorvê-las e inseri-las em sua própria vida. Por exemplo: de que adianta alguém ler livros e livros sobre a sociedade de consumo e ficar histérico diante de uma promoção no shopping? De que adianta ler artigos e artigos sobre o capitalismo e aceitar ser explorado por empresas predatórias, que por meio de estratégias sedutoras conseguem arrancar horas e horas de trabalho gratuito de seus funcionários? Algumas empresas usando como desculpa “ o cargo de confiança” exploram trabalhadores que abrem mão de horas de descanso sem ganhar um real a mais. Muitos funcionários ficam felizes por receberem uma churrascada no final do ano sem considerarem que o salário oferecido não é suficiente para uma vida digna. Nada contra churrascadas ou chocotones distribuídos no final do ano. O problema é jogar areia nos olhos dos funcionários por meio de paliativos que não compensam salários injustos e jornadas de trabalho desumanas.

O conhecimento adquirido em sala de aula deve fazer a diferença na vida das pessoas. O professor deve ajudar o aluno a construir seu projeto de vida por meio da inspiração e da motivação. Precisamos superar o ensino mecânico que muitos professores ainda praticam. Precisamos retirar o peso da memorização. Precisamos quebrar o mito do professor como detentor do saber. Precisamos abrir espaço para a alteridade, para o debate inteligente e saudável, onde todos aprendem com todos. Precisamos parar com leituras mecânicas, com decorebas. Precisamos parar de pensar que quantidade supera qualidade. Precisamos parar de pensar somente em resultados imediatistas. Precisamos nos focar primeiramente no processo. Os resultados surgem naturalmente, de forma orgânica. Precisamos deixar de lado as hipocrisias, as máscaras sociais, um falso puritanismo que muitos professores vestem para aparentarem mais idoneidade .

Ser idôneo não é ser sisudo ou usar roupas de inverno em pleno verão. Ser idôneo é estar verdadeiramente comprometido com o processo educacional e a formação intelectual e humana dos alunos. Ser idôneo é ver pessoas na sala de aula e não apenas números ou uma massa indiscriminada. Ser idôneo é fazer o nosso trabalho com amor, dedicação, vibrando com as conquistas diárias de nossos estudantes, nos alegrando por fazer parte da vida deles.

Precisamos parar de valorizar metodologias punitivas, pouco criativas, que visam uma averiguação fria dos conceitos aprendidos. O processo avaliativo deveria considerar mais a participação do aluno, seu envolvimento com a disciplina, as perguntas feitas, o interesse de um modo geral. Enfim, o processo educacional deveria ser mais considerado do que uma avaliação formal.

A universidade não deve preparar somente para o mercado de trabalho. A universidade deve preparar para a vida; para uma vida consciente, lúcida, em que descobrimos nossa individualidade, porém, considerando o coletivo. Atualmente, vivemos o oposto. Somos iguais: padronizados. Mas, ao mesmo tempo, não temos causas em comum. Cada um por si e Deus por todos.

Enfim, a universidade deveria ser um porto-seguro em nossa sociedade; a voz destoante e irreverente; não mais uma estrutura que respalda o senso comum.


Sílvia Marques

Paulistana, escritora, idealista em crise, bacharel em Cinema, cinéfila, professora universitária com alma de aluna, doutora em Comunicação e Semiótica, autodidata na vida, filósofa de botequim, com a alma tatuada de experiências trágicas, amante das artes , da boa mesa, dos vinhos, de papos loucos e ideias inusitadas. Serei uma atleta no dia em que levantamento de xícara de café se tornar modalidade esportiva. Sim, eu acredito realmente que um filme possa mudar a sua vida! Autora do blog Garota desbocada. Lancei recentemente em versão e-book pela Cia do ebook o romance O corpo nu..
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