cinema pensante

Como um bom filme pode mudar a nossa vida

Sílvia Marques

Paulistana, escritora, idealista em crise, bacharel em Cinema, cinéfila, professora universitária com alma de aluna, doutora em Comunicação e Semiótica, autodidata na vida, filósofa de botequim, com a alma tatuada de experiências trágicas, amante das artes , da boa mesa, dos vinhos, de papos loucos e ideias inusitadas. Serei uma atleta no dia em que levantamento de xícara de café se tornar modalidade esportiva. Sim, eu acredito realmente que um filme possa mudar a sua vida! Autora do blog Garota desbocada. Lancei recentemente em versão e-book pela Cia do ebook o romance O corpo nu.

Quem se lembra do filme Não adormeça?

Este artigo visa relembrar o filme Não adormeça, que se tornou um cult nos anos 1980.


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Aos 7 anos de idade, assisti ao filme Não adormeça que foi exibido pela Rede Globo, no ano de 1985, no Super Cine. Naquela época, víamos uma propaganda de filme no intervalo da novela e esperávamos a semana inteira para assisti-lo. Se hoje temos a grande vantagem de fazermos o nosso horário e programação, podendo assistir a qualquer coisa pela tela do computador, durante a minha infância nos anos 1980, havia um quê de ritualístico em cada programa que assistíamos. A gente tinha que esperar aquele filme, naquele horário. E as pessoas se reuniam como se fosse um grande evento. E de fato era.

Deixando saudosismos de lado e voltando ao Não adormeça, filme realizado para a televisão no ano de 1982, não posso deixar de sentir uma emoção profunda e estranha quando penso nesta obra que ainda me assusta, mesmo depois de ter assistido a tantos filmes de terror sem sentir medo. Acredito que tudo aquilo que nos aterroriza na infância, continua a nos assombrar de alguma forma. Que bom! Uma vida sem um pouco de catarse me parece monótona. É triste quando não conseguimos rir de mais nada nem sentir medo ou emoção. Embora seja uma defensora dos filmes mais intelectuais e que nos conduzam a reflexões mais profundas e menos emocionais, acho que de vez em quando é saudável nos reconectarmos com um lado mais infantil.

Li todo tipo de crítica sobre este filme. A maioria positiva. Há quem o considere um filme tosco. Mas muita gente o defende como uma obra interessante, apesar de alguns deslizes técnicos. Como sou escritora e minha praia é o roteiro, me incomodou ver alguns defeitinhos nesta parte. Mas de qualquer forma e independente de qualquer possível falha de linguagem, existe algo de muito magnético neste filme que virou cult nos anos 1980 e marcou a infância dos trintões.

Duas questões me marcaram especialmente em Não adormeça.

1. Sem efeitos especiais e cenas grotescas o filme consegue aterrorizar. Na cena final, quando uma grande revelação acontece ( não a contarei RS) um simples recurso de iluminação, que vai mostrando aos poucos o rosto da personagem, para mim, assusta muito mais do que cenas explicitamente violentas.

2. Gosto da questão do drama familiar. Embora o roteiro apresente algumas falhas, em minha opinião, a trama é bem interessante porque gira em torno de problemas cotidianos como o ciúme e inveja entre irmãos, relações conflituosas entre sogra e genro, abuso de bebida justificado como algo opcional e o principal de tudo: a paradoxal relação fraternal. Por um lado, Mary ama a sua irmã falecida. Por outro, ela desejava a sua morte. E deste conflito de sentimentos, a inevitável culpa e todas as consequências terríveis provenientes das escolhas equivocadas.

O filme pode ser baixado pela net ou encontrado no youtube. Para aqueles que já viram e ficaram com saudades, vale reviver a nostalgia. Para quem nunca assistiu e ficou curioso, será uma experiência cinematográfica diferente dos filmes de terror atuais que apostam mais nos efeitos especiais e nas cenas explícitas de violência. Só um alerta: durante o filme, não adormeça RS


Sílvia Marques

Paulistana, escritora, idealista em crise, bacharel em Cinema, cinéfila, professora universitária com alma de aluna, doutora em Comunicação e Semiótica, autodidata na vida, filósofa de botequim, com a alma tatuada de experiências trágicas, amante das artes , da boa mesa, dos vinhos, de papos loucos e ideias inusitadas. Serei uma atleta no dia em que levantamento de xícara de café se tornar modalidade esportiva. Sim, eu acredito realmente que um filme possa mudar a sua vida! Autora do blog Garota desbocada. Lancei recentemente em versão e-book pela Cia do ebook o romance O corpo nu..
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