cinema pensante

Como um bom filme pode mudar a nossa vida

Sílvia Marques

Paulistana, escritora, idealista em crise, bacharel em Cinema, cinéfila, professora universitária com alma de aluna, doutora em Comunicação e Semiótica, autodidata na vida, filósofa de botequim, com a alma tatuada de experiências trágicas, amante das artes , da boa mesa, dos vinhos, de papos loucos e ideias inusitadas. Serei uma atleta no dia em que levantamento de xícara de café se tornar modalidade esportiva. Sim, eu acredito realmente que um filme possa mudar a sua vida! Autora do blog Garota desbocada. Lancei recentemente em versão e-book pela Cia do ebook o romance O corpo nu.

Ser homem nos dias de hoje

Este artigo objetiva analisar os novos papeis sociais masculinos diante dos novos papeis femininos.


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Muito se fala sobre a mulher e seu lugar na sociedade. Muito se fala sobre seus novos papeis, suas novas funções, reivindicações conquistadas e outras que tardam em chegar. Fala-se da dupla jornada de trabalho, do assédio sexual, do medo de não ser amada e respeitada ao mesmo tempo.

Porém, pouco se fala sobre os homens. Pouco se fala sobre suas perspectivas e expectativas. Pouco se fala sobre seus temores e sobre seu desconforto nesta sociedade em transição. Se a mulher ganha novos papeis, inevitavelmente, a posição do homem também se altera no cenário social, cultural e principalmente privado.

O que é ser homem em pleno século XXI? Como satisfazer e seduzir a nova mulher que se recolocou na sociedade? Como mostrar que a deseja sem ofendê-la? Como seduzi-la sem humilhá-la? Como protegê-la sem subjugá-la? Como amá-la sem sentir medo?

Em uma sociedade em transição, em que valores são reavaliados e funções redistribuídas, todo mundo fica meio perdido e já não se sabe onde termina o discurso libertário feminino e onde começa um discurso opressor da própria feminilidade.

Nas redes sociais, uma atriz americana foi severamente criticada por afirmar que gostava de preparar as refeições do marido. Lutamos para ter mais liberdade, mais espaço e voz ativa na sociedade. Lutamos para sermos respeitadas e consideradas. Mas isso não significa dizer que é desonroso ou errado uma mulher cozinhar ou fazer qualquer outro serviço doméstico, principalmente se ela o faz por prazer.

Entendo que diante da nova realidade social, mulheres que trabalham fora precisam contar com a participação consciente do marido nos serviços da casa. Tudo precisa ser dividido para que ninguém enlouqueça. Mas se uma mulher quer cozinhar, por que recrimina-la? Não seria esta também uma nova modalidade de perda da liberdade? Só que desta vez praticada pelas próprias mulheres.

Um dia desses, revendo pela milésima vez o filme “Foi apenas um sonho”, me lembrei do romance homônimo de Richard Yates, muito mais incisivo do que o filme que já é bem incisivo. Me lembrei também da questão central da obra: o novo lugar do homem na sociedade. Mais do que isso. Como ser homem na atualidade?

O que antes era considerado educado e galante como dar flores e abrir a porta do carro, virou caretice, machismo. Rosas vermelhas deixaram de ser uma sutil sedução e passaram a ser entendidas como um convite explícito ao sexo. Um homem que felicita uma mulher no dia 8 de março corre o risco de levar uma bofetada.

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Os signos sociais estão se readaptando rapidamente

A mulher atual quer conciliar carreira, amor, maternidade, corpo perfeito e tempo para se cuidar. A mulher atual quer orgasmos homéricos, um homem que divida as tarefas domésticas, que segure as pontas da casa, mesmo que ela trabalhe fora. Quer ser independente, mas quer um homem que pague as contas do restaurante, do motel e da pousadinha na praia. Quer um homem que tenha tudo sob controle, com incrível senso prático e ao mesmo tempo ultra sensível, capaz de entender cada um de seus sentimentos e reconhecer as nuances da tintura do cabelo.

Estamos envenenadas pela cultura das comédias românticas hollywoodianas. Encontramos o amor na vida real, mas não o reconhecemos pois formamos outra imagem em nossa cabeça. Como Adele H, passamos pelo homem amado sem reconhecê-lo, pois estamos mergulhadas em nossa própria ilusão.

Meninas, homens não tem tudo sobre controle. Eles também sentem medo de nos perder e podem ser muito inseguros em relação a mil temas. Eles esperam por nossos sinais de aceitação para tomar qualquer iniciativa e diante de situações muito estressantes, podem sim ficar fragilizados e até mesmo deprimidos.Homem também se magoa, se sente oprimido, quer elogio. Homem também precisa se sentir aceito e querido. Homem precisa de estímulo para empreender.

Estamos esperando muito dos homens. Estamos tentando preencher os nossos vazios por meio de uma relação. Amor é parceria, é troca. Enquanto continuarmos vendo os homens como nossos provedores emocionais, capazes de satisfazer cada uma das nossas expectativas, continuaremos sendo dependentes e subjugadas por nossa própria carência.


Sílvia Marques

Paulistana, escritora, idealista em crise, bacharel em Cinema, cinéfila, professora universitária com alma de aluna, doutora em Comunicação e Semiótica, autodidata na vida, filósofa de botequim, com a alma tatuada de experiências trágicas, amante das artes , da boa mesa, dos vinhos, de papos loucos e ideias inusitadas. Serei uma atleta no dia em que levantamento de xícara de café se tornar modalidade esportiva. Sim, eu acredito realmente que um filme possa mudar a sua vida! Autora do blog Garota desbocada. Lancei recentemente em versão e-book pela Cia do ebook o romance O corpo nu..
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