cinema pensante

Como um bom filme pode mudar a nossa vida

Sílvia Marques

Paulistana, escritora, idealista em crise, bacharel em Cinema, cinéfila, professora universitária com alma de aluna, doutora em Comunicação e Semiótica, autodidata na vida, filósofa de botequim, com a alma tatuada de experiências trágicas, amante das artes , da boa mesa, dos vinhos, de papos loucos e ideias inusitadas. Serei uma atleta no dia em que levantamento de xícara de café se tornar modalidade esportiva. Sim, eu acredito realmente que um filme possa mudar a sua vida! Autora do blog Garota desbocada. Lancei recentemente em versão e-book pela Cia do ebook o romance O corpo nu.

A inveja: a mais desengonçada das sete irmãs capitais

Este artigo objetiva analisar pessoas que disfarçam a inveja por meio da soberba.


inveja.jpg

O invejoso é como uma criança fazendo birra.

O tema dos sete pecados capitais sempre me interessou. Uma vez, no cursinho pré-vestibular, precisamos escolher um dos sete pecados para escrever sobre ele. Cada um optou trabalhar com aquele que lhe incomodava mais, que lhe parecia mais desagradável. Pecado é pecado e bonito nenhum é. Mas por uma série de causas emocionais e relacionadas ao histórico e sensibilidade de cada um, acabamos nos incomodando mais com uns do que com outros. Antes de me centrar no pecado escolhido por mim, a inveja, citarei brevemente os outros seis.

Os pecados capitais são assim nomeados por se tratarem de pecados cabeça, isto é, dão origem a outros pecados. Eles são: a ira, a inveja, a gula, a preguiça, a soberba, a avareza e a luxúria. Todo pecado é nocivo e causa estragos em nossa vida e na de terceiros. Mas entre tantas possibilidades desagradáveis, escolhi a inveja. Sempre a achei muito feia. Acho que ninguém está livre de sentir inveja. Quando ela chega de repente em nosso coração me parece algo natural. Para mim, o problema não é o sentimento si, mas como lidamos com ele. Como assim? Ao sentir inveja de alguém, o que podemos fazer? Lutar contra o sentimento ou alimentá-lo.

Se aprendermos a valorizar as nossas conquistas e qualidades, sem fazer comparações constantes com os outros, perceberemos que cada um tem o seu valor. Por exemplo: A inveja B porque B tira notas melhores na escola. Mas, muitas vezes, A se esquece de analisar que B tem defeitos e dificuldades que ela não tem. Será que A gostaria de “trocar de vida” com B para tirar notas melhores na escola, mas em compensação assumir os problemas da vida de B como uma renda familiar menor ou dificuldade para fazer amigos? Entendem o que quero dizer? Provavelmente B deseja apenas as boas notas de A, mas prefere continuar com sua renda familiar maior e sua melhor capacidade para fazer amigos. Enfim, quer o bom de cada lado.

O problema do invejoso é que ele quer tudo de bom que os outros possuem, mas se esquece de enxergar que o ser invejado também tem problemas e que ele ( o ser invejoso) também tem qualidades. Na verdade, o invejoso é alguém muito inseguro, com uma péssima autoimagem. Alguém que sofre demais. Alguém que valoriza pouco o que tem e sabe. Alguém que se ama pouco. O invejoso, normalmente, está infeliz com ele mesmo.

Muitos invejosos deixam na cara que são invejosos. Estes são os menos perigosos. Muitas pessoas escondidas atrás de uma máscara de soberba, apresentam personalidades altamente invejosas. Qual é a diferença entre um simples soberbo e alguém que aparenta soberba para esconder a inveja? O soberbo se acha melhor do que as outras pessoas. Ele pensa saber mais, ser mais atraente, mais interessante, mais inteligente. Ele pouco valoriza o saber do outro. Ele se mostra indiferente ao outro pois está autocentrado nas próprias realizações.

Já o invejoso disfarçado de soberbo, além de jogar confete em si mesmo o tempo todo, aumentando conquistas, se auto elogiando, tem a necessidade de desmerecer claramente o conquistado por outras pessoas. Enquanto o soberbo simplesmente ignora, o invejoso disfarçado de soberbo trucida verbalmente e com gestos e olhares tudo aquilo que pertence ao outro. O soberbo não enxerga o outro. O invejoso disfarçado de soberbo enxerga muito bem, analisa a pessoa em questão e ao final encontra uma palavra ou um olhar para fazer o outro acreditar que é incompetente, desinteressante e sem valor. A pessoa que alimenta a inveja e coloca como objetivo de vida ser melhor sempre pelo simples prazer de ser melhor está condenada a uma vida angustiante. Está condenada a sair derrotada sempre pois sempre haverá alguém mais interessante, mais inteligente em determinada área, mais divertido, mais atraente, mais criativo, mais viajado, mais instruído, com melhor situação financeira etc

Inspirar-se em pessoas não é o mesmo que invejá-las. O problema é querer aniquilá-las. Sim, a inveja é muito feia. A inveja não tem graça, não sabe sorrir. Seus olhos carecem de brilho e seus movimentos, de alegria e leveza. Sua voz é azeda. Seus gestos e cacoetes irritantes. Nada de bom sai da sua boca. Sua comida não tem gosto. Falta libido ao seu ser. A inveja bem alimentada, três vezes ao dia com muito rancor, maledicência e competitividade destrutiva, torna o seu dono um ser insuportável, uma pessoa a quem desejamos ver pelas costas sempre. Como comentei no início do artigo, sentir inveja é natural. Cultivá-la é uma opção.


Sílvia Marques

Paulistana, escritora, idealista em crise, bacharel em Cinema, cinéfila, professora universitária com alma de aluna, doutora em Comunicação e Semiótica, autodidata na vida, filósofa de botequim, com a alma tatuada de experiências trágicas, amante das artes , da boa mesa, dos vinhos, de papos loucos e ideias inusitadas. Serei uma atleta no dia em que levantamento de xícara de café se tornar modalidade esportiva. Sim, eu acredito realmente que um filme possa mudar a sua vida! Autora do blog Garota desbocada. Lancei recentemente em versão e-book pela Cia do ebook o romance O corpo nu..
Saiba como escrever na obvious.
version 6/s/recortes// @destaque, @hplounge, @obvious, @obvioushp //Sílvia Marques
Site Meter