cinema pensante

Como um bom filme pode mudar a nossa vida

Sílvia Marques

Paulistana, escritora, idealista em crise, bacharel em Cinema, cinéfila, professora universitária com alma de aluna, doutora em Comunicação e Semiótica, autodidata na vida, filósofa de botequim, com a alma tatuada de experiências trágicas, amante das artes , da boa mesa, dos vinhos, de papos loucos e ideias inusitadas. Serei uma atleta no dia em que levantamento de xícara de café se tornar modalidade esportiva. Sim, eu acredito realmente que um filme possa mudar a sua vida! Autora do blog Garota desbocada. Lancei recentemente em versão e-book pela Cia do ebook o romance O corpo nu.

O sentimento de culpa diante da tristeza

Este artigo objetiva analisar o drama dos depressivos ou dos simplesmente melancólicos em um país tropical e sorridente como o Brasil.


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Falar sobre ansiedade, angústia, depressão ou simplesmente uma profunda tristeza me parece mais simples em países desenvolvidos economicamente e socialmente. Falar de tristeza subjetiva em um país onde milhões de pessoas morrem de fome ou perdem um ente querido por conta da violência urbana parece um ato de futilidade.

Muitas vezes, quem padece de uma tristeza existencial ou romântica sofre duplamente. Sofre pelo problema, pela dor em si. E sofre também por se sentir culpado por algo aparentemente menos grave ou importante. Mas não existe dor pequena. Dor é dor. O tamanho da dor depende da natureza e da percepção de cada um. Depende da bagagem de vida de cada um. Depende dos traumas. Depende do nível de cansaço. Sim, sofrer cansa. Cansa muito. Sofrer repetidas vezes pelo mesmo tipo de drama, pelo mesmo tipo de situação repetitiva pode ser uma verdadeira tortura para a alma.

Quando nos deparamos com desafios e problemas novos, instintivamente nos enchemos de energia para transpor a barreira. Para dizer a nós mesmos que arrumaremos um caminho para superar o drama. Quando uma questão começa a se repetir de forma insistente, começamos a perder a força e a vontade de resolvê-la. Como já pressentimos de que ela voltará a se repetir outras vezes, num ciclo a moda Prometeu acorrentado, nos sentimos desanimados diante de algo que já esgotou todas as suas possibilidades conosco. É o mesmo que ver um filme insuportável e brutal por 20, 30 vezes, enjoando, vomitando e chorando nas mesmas cenas.

Vivenciar o mesmo drama inúmeras vezes não nos torna mais aptos para enfrentá-lo. Muito pelo contrário. Cria uma saturação, uma espécie de reação alérgica que se torna cada vez mais forte e feroz a cada regresso. Os velhos antibióticos já não funcionam mais e o pavor da antecipação de novas situações similares nos tira a coragem para superar. Mas por que perdemos esta coragem? Sou leiga no tema . Falo baseada por experiências vividas e presenciadas. Creio que perdemos a vontade de superar porque sabemos que após a superação virá um período de calmaria. E logo em seguida, uma nova crise. Ao não desejarmos a superação, não estamos buscando o sofrimento. Muito pelo contrário. Não queremos superar para não entrarmos em um novo ciclo de desespero e frustração ainda mais intenso e perturbador do que o anterior.

Falar de amor, vida a dois, insatisfação na carreira, decepção com os amigos e parentes é algo muito complicado em uma sociedade como a brasileira. Sim, parecemos fúteis, as pessoas mesmo sem querer nos julgam e nós mesmos nos julgamos.

O Brasil é terra hostil para os deprimidos, para os românticos incorrigíveis, para os atormentados existenciais. Se acusam a neve e as baixas temperaturas de promotoras da depressão em países frios, o sol quente, os dias claros e o povo sempre sorridente mesmo com tantas mazelas sociais pode ser o mais nefasto cenário para quem padece dos males da alma.


Sílvia Marques

Paulistana, escritora, idealista em crise, bacharel em Cinema, cinéfila, professora universitária com alma de aluna, doutora em Comunicação e Semiótica, autodidata na vida, filósofa de botequim, com a alma tatuada de experiências trágicas, amante das artes , da boa mesa, dos vinhos, de papos loucos e ideias inusitadas. Serei uma atleta no dia em que levantamento de xícara de café se tornar modalidade esportiva. Sim, eu acredito realmente que um filme possa mudar a sua vida! Autora do blog Garota desbocada. Lancei recentemente em versão e-book pela Cia do ebook o romance O corpo nu..
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