cinema pensante

Como um bom filme pode mudar a nossa vida

Sílvia Marques

Paulistana, escritora, idealista em crise, bacharel em Cinema, cinéfila, professora universitária com alma de aluna, doutora em Comunicação e Semiótica, autodidata na vida, filósofa de botequim, com a alma tatuada de experiências trágicas, amante das artes , da boa mesa, dos vinhos, de papos loucos e ideias inusitadas. Serei uma atleta no dia em que levantamento de xícara de café se tornar modalidade esportiva. Sim, eu acredito realmente que um filme possa mudar a sua vida! Autora do blog Garota desbocada. Lancei recentemente em versão e-book pela Cia do ebook o romance O corpo nu.

Que tal parar de justificar os próprios vícios?

Este artigo defende uma postura mais assertiva e sincera diante da vida e das outras pessoas.


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Vícios vão muito além de cigarros, álcool e drogas ilícitas. Certas atitudes consideradas positivas ou inofensivas , se realizadas em excesso, podem se tornar vícios nocivos como trabalhar demais, comer comidas calóricas em excesso ou se tornar obcecado por alimentação saudável.

Quando falamos em vício, pensamos em cigarro, maconha, cocaína, álcool, remédio para dormir... enfim, qualquer droga lícita ou ilícita. Mas quase tudo na vida pode se transformar em um vício. Falar demais ou de menos. Comer demais ou de menos. Se divertir demais ou de menos. Trabalhar demais ou de menos. Quando fazemos algo em excesso ou deixamos de fazer, algo pode estar errado em nossa vida. Se tenho necessidade de trabalhar 12 horas por dia ( não me refiro àqueles que trabalham realmente por necessidade) algo está faltando em minha vida e o trabalho excessivo é uma forma de disfarçar algum outro problema. Se não quero trabalhar nunca, algo também está errado comigo. Ou estou doente ou escolhi uma profissão inadequada ou não me sinto bem na empresa onde trabalho etc. Se só penso em me divertir, preciso rever a minha postura. Se nunca me divirto, algo vai mal. Se como muito, prejudico minha saúde. Se começo a satanizar a comida, algo está desequilibrado em mim e por aí vai.

Ninguém está livre de ter um ou mais vícios. Somos seres frágeis. A rotina é caótica. As cobranças sociais, inúmeras. A vida pode ser bem difícil. Muitas vezes, acabamos nos “apegando” exageradamente a coisas que podem aliviar o nosso estresse e nos proporcionam prazer. Sabemos que o excesso é negativo. Sabemos que beber demais faz mal. Sabemos que passar noites em claro faz mal. Sabemos que se preocupar demais com a beleza faz mais. Sabemos que negligenciar os filhos é errado. Sabemos que colocar as coisas à frente das pessoas é equivocado, mas mesmo assim continuamos errando por fraqueza, por medo, por tédio, por um monte de motivos.

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Não arranjar tempo para se alimentar tranquilamente e substituir almoços por fast food por falta de tempo para comer é uma atitude muito comum em nossa sociedade, mas que deveria ser repensada.

Talvez, o pior problema não seja o vício em si. Talvez, o principal problema não seja trabalhar demais ou de menos, encher a cara, comer que nem louco ou fazer dietas malucas. Talvez o pior seja a justificativa do vício como algo bom. Que tomemos os nossos venenos, mas que não o anunciemos como bons. Se adoro fumar e não pretendo parar, posso dizer simplesmente que mesmo conhecendo os males provocados pelo fumo, me sentiria muito triste sem fumar. Se trabalho demais pois considero o ambiente da minha casa tedioso, talvez o melhor fosse admitir que algo anda errado com a família. Se parecer dez anos mais jovem e pesar 20 quilos é o essencial para mim, ok. Mas que não justifiquemos a nossa obsessão por beleza com falsos argumentos. Não falemos que estamos preocupados com a saúde quando na verdade só estamos preocupados em seguir um padrão da moda.

Inventamos justificativas para nossos vícios porque lá no fundo sabemos que são vícios. E sabemos também que vícios são errados e devem ser combatidos. Porém, se os justifico posso acomodar-me, posso pegar o caminho mais simples que é o de continuar usufruindo de meu vício. Não subestimemos a inteligência alheia com argumentos falsos. E daí, se bebo muito? E daí, se como de menos? E daí, que sou consumista? E daí que sigo a moda à risca como uma religião? Todo mundo pode ser o que quiser, mas tenha a coragem de se assumir como alcoólatra, como consumista, como fútil. Qualquer pessoa que se assume integralmente é muito mais interessante e bem menos irritante.


Sílvia Marques

Paulistana, escritora, idealista em crise, bacharel em Cinema, cinéfila, professora universitária com alma de aluna, doutora em Comunicação e Semiótica, autodidata na vida, filósofa de botequim, com a alma tatuada de experiências trágicas, amante das artes , da boa mesa, dos vinhos, de papos loucos e ideias inusitadas. Serei uma atleta no dia em que levantamento de xícara de café se tornar modalidade esportiva. Sim, eu acredito realmente que um filme possa mudar a sua vida! Autora do blog Garota desbocada. Lancei recentemente em versão e-book pela Cia do ebook o romance O corpo nu..
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