cinema pensante

Como um bom filme pode mudar a nossa vida

Sílvia Marques

Paulistana, escritora, idealista em crise, bacharel em Cinema, cinéfila, professora universitária com alma de aluna, doutora em Comunicação e Semiótica, autodidata na vida, filósofa de botequim, com a alma tatuada de experiências trágicas, amante das artes , da boa mesa, dos vinhos, de papos loucos e ideias inusitadas. Serei uma atleta no dia em que levantamento de xícara de café se tornar modalidade esportiva. Sim, eu acredito realmente que um filme possa mudar a sua vida! Autora do blog Garota desbocada. Lancei recentemente em versão e-book pela Cia do ebook o romance O corpo nu.

A corrente do bem e a grandiosidade dos pequenos gestos


Muitas vezes nos omitimos, deixamos de ajudar e tentar mudar a realidade porque nos consideramos pequenos e frágeis para operar qualquer transformação. Mas nunca ignore ou menospreze o poder de uma pequena atitude isolada.Muitas vezes um pequeno favor ou gentileza pode ser o divisor de águas na vida de uma pessoa, pode ser uma razão para continuar vivendo, para voltar a sorrir.


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Resisti muito tempo a assistir ao filme A corrente do bem, dirigido por Mimi Leder em 2000. O cartaz do filme em combinação com o título me soou algo piegas, autoajuda enlatada estadunidense. Lugar comum. Filme que mais deprime do que auxilia pessoas reflexivas.

Fui preconceituosa. Mais do que isso. Fui um pouco tola. O filme foi protagonizado por Kevin Spacey e Helen Hunt. Dois atores de peso. Normalmente, Kevin Spacey entra em filmes diferenciados no bom sentido da palavra, como por exemplo, Beleza americana de Sam Mendes, um retrato nu e cru do American way of life e Seven, do visceral diretor David Fincher.

Não contarei o enredo para quem tiver interesse em assistir ao filme, mas já faço um alerta: é muito triste. É realmente triste. Mas não pessimista. Algo pode ser triste e otimista ao mesmo tempo quando começamos a entender que certas dores e perdas, independente do sofrimento que elas geram, deixam algumas lições e legados que ficam para sempre ou por muito tempo.

O filme me deixou dois recados importantes:

1. A grandiosidade e o poder dos pequenos gestos

2. Temos uma missão maior

Muitas vezes nos omitimos, deixamos de ajudar e tentar mudar a realidade porque nos consideramos pequenos e frágeis para operar qualquer transformação. Achamos que o poder está unicamente nas mãos das celebridades e dos políticos. Realmente pessoas célebres, socialmente poderosas e muito ricas podem fazer mais a curto prazo.

Mas nunca ignore ou menospreze o poder de uma pequena atitude isolada. Se um professor, numa sala de aula com 50 alunos, puder alterar o pensamento de um único estudante, ele promoveu uma transformação incrível. Este estudante tocado pelo professor tocará outras pessoas e assim por diante.

Muitas vezes um pequeno favor ou gentileza pode ser o divisor de águas na vida de uma pessoa, pode ser uma razão para continuar vivendo, para voltar a sorrir.

Qualquer tipo de ajuda é válida. Qualquer tipo de ajuda vale a pena. Boas ações geram boas ações e quando você esbarrar com pessoas ingratas, incapazes de reconhecer a beleza do seu gesto, não desmereça o poder da caridade. O problema não está em você e no ato de ajudar. O problema está em quem recusou a gentileza , em quem cuspiu no prato onde comeu. Por alguma razão, aquela pessoa ainda não está preparada para alçar voos de águia.

A segunda lição foi perceber a importância de nos comprometermos com algo maior. Muitas pessoas vivem somente para pagar as contas e tocar a vida sem tocar nem ser tocado por nada ou ninguém. Podemos ser e fazer muito mais do que isso. Podemos expandir a nossa energia vital e abraçar outras pessoas e causas diversas.

Podemos fazer a diferença na vida de quem não tem nada nem ninguém. Podemos preencher espaços vazios, os nossos próprios. Podemos inspirar, despertar o melhor dos outros. E como a vida acontece nas relações ( não somos uma ilha) nos enriquecemos quando enriquecemos o outro. A lágrima do outro nada mais é do que um reflexo da nossa própria lágrima porque independente do desastre ocorrido na vida do outro, desastre é desastre. E todo desastre é uma faca de dois gumes: a possibilidade para nos tornarmos melhores ou piores. A escolha é pessoal e intransferível.


Sílvia Marques

Paulistana, escritora, idealista em crise, bacharel em Cinema, cinéfila, professora universitária com alma de aluna, doutora em Comunicação e Semiótica, autodidata na vida, filósofa de botequim, com a alma tatuada de experiências trágicas, amante das artes , da boa mesa, dos vinhos, de papos loucos e ideias inusitadas. Serei uma atleta no dia em que levantamento de xícara de café se tornar modalidade esportiva. Sim, eu acredito realmente que um filme possa mudar a sua vida! Autora do blog Garota desbocada. Lancei recentemente em versão e-book pela Cia do ebook o romance O corpo nu..
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