cinema pensante

Como um bom filme pode mudar a nossa vida

Sílvia Marques

Paulistana, escritora, idealista em crise, bacharel em Cinema, cinéfila, professora universitária com alma de aluna, doutora em Comunicação e Semiótica, autodidata na vida, filósofa de botequim, com a alma tatuada de experiências trágicas, amante das artes , da boa mesa, dos vinhos, de papos loucos e ideias inusitadas. Serei uma atleta no dia em que levantamento de xícara de café se tornar modalidade esportiva. Sim, eu acredito realmente que um filme possa mudar a sua vida! Autora do blog Garota desbocada. Lancei recentemente em versão e-book pela Cia do ebook o romance O corpo nu.

Gente que defeca rosas

Este artigo é sobre pessoas que defecam rosas ou pensam defecar.


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Quando era criança, contei para a minha mãe um acontecimento na escola que envolvia uma garota que era tratada como superior por ser considerada mais bonita do que as outras meninas. Minha mãe virou para mim e me perguntou: “_Mas por que ela é melhor do que as outras? Ela defeca rosas?”.

Quase todos os dias me faço esta pergunta: “Algumas pessoas defecam rosas, transpiram Channel 5, arrotam muffins, urinam água de colônia e ficam com um odor espetacular se passarem um dia inteiro sem banho num calor de 35 graus sem ar condicionado? Se deixarem de escovar os dentes , eles não se estragam? Se forem atropelados, não se machucam gravemente ou até mesmo morrem? Se forem esfaqueados, não sai sangue? Na velhice, não terão rugas, cabelos brancos, artrose e lembranças tristes?

Somos fragilíssimos. Seres ridículos como vírus, bactérias e mosquitos nos infectam, nos fazem arder em febre, expelir o que comemos e não importa se comemos filé mignon ou carne de segunda. Seres ridículos nos fazem delirar, enfraquecer, adoecer e morrer.

Se perdemos um filho, não importa a marca do carro, o bairro onde moramos, o cargo que ocupamos. Choraremos as mesmas lágrimas.

A natureza nos fornece milhares de sinais para mostrar o quanto somos limitados e frágeis, o quanto a vida pode se acabar a qualquer momento, o quanto tudo é efêmero. Mas mesmo assim, vemos e ouvimos pessoas que se sentem superiores por terem mais dinheiro, mais beleza, melhor status social. Ainda vemos pessoas que não cumprimentam faxineiras e porteiros porque eles pertencem a outra categoria. A qual categoria eles pertencem? Qual é a grande diferença?

Ainda vemos gente que entrega o pé imundo para a pedicure como se a profissional tivesse a obrigação de mexer na sujeira alheia. Algumas pessoas mal olham também no rosto das manicures e pedicures. Conversar com um taxista é o fim da picada e fazer amizade com gente que mora num bairro mais pobre gera comentários do gênero: “O fulano não pertence ao nosso nível”. A qual nível? A dos defecadores de rosas?

Tem gente que anda de nariz em pé, que só aceita confraternizar com colegas do mesmo nível hierárquico da empresa como se as pessoas fossem divididas pela margem salarial e não por afinidades psicológicas como gostos e crenças em comum.

Será que as pessoas que se recusam a cumprimentar a faxineira, a sorrir para a manicure, a conversar com o taxista, a fazer amizade com o colega pobre defecam rosas? Será que estas pessoas sentem realmente que a “superioridade” delas é real e legítima?

Será que quando elas deixam o banheiro depois de fazer as necessidades fisiológicas, elas respiram fundo para aspirar bem o odor , pensando: “Eu sou demais!? Esta questão me deixa verdadeiramente curiosa.


Sílvia Marques

Paulistana, escritora, idealista em crise, bacharel em Cinema, cinéfila, professora universitária com alma de aluna, doutora em Comunicação e Semiótica, autodidata na vida, filósofa de botequim, com a alma tatuada de experiências trágicas, amante das artes , da boa mesa, dos vinhos, de papos loucos e ideias inusitadas. Serei uma atleta no dia em que levantamento de xícara de café se tornar modalidade esportiva. Sim, eu acredito realmente que um filme possa mudar a sua vida! Autora do blog Garota desbocada. Lancei recentemente em versão e-book pela Cia do ebook o romance O corpo nu..
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