cinema pensante

Como um bom filme pode mudar a nossa vida

Sílvia Marques

Paulistana, escritora, idealista em crise, bacharel em Cinema, cinéfila, professora universitária com alma de aluna, doutora em Comunicação e Semiótica, autodidata na vida, filósofa de botequim, com a alma tatuada de experiências trágicas, amante das artes , da boa mesa, dos vinhos, de papos loucos e ideias inusitadas. Serei uma atleta no dia em que levantamento de xícara de café se tornar modalidade esportiva. Sim, eu acredito realmente que um filme possa mudar a sua vida! Autora do blog Garota desbocada. Lancei recentemente em versão e-book pela Cia do ebook o romance O corpo nu.

Ligações perigosas: a melancólica vitória do amor

Este artigo objetiva comentar o filme Ligações perigosas, de Stephen Frears, protagonizado por Glenn Close, John Malkovich e Michelle Pfeiffer.


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Ligações perigosas , filme de 1988, dirigido por Stephen Frears e protagonizado por Glenn Close, John Malkovich e Michelle Pfeiffer é baseado no romance epistolar As relações perigosas de Pierre Choderlos de Laclos, de 1782.

Ligações perigosas não é um filme convencional sobre o amor. Apresenta um senso de erotismo cruel mesclado a uma boa dose de filosofia. Para quem aprecia fundos históricos, o filme tem o seu charme pois mergulha no mundo de privilégios e ociosidade da nobreza. As atuações de Glenn Close e John Malkovich são um show à parte: irresistíveis e detestáveis em proporções iguais.

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Ligações perigosas, diferentemente da maioria dos livros e filmes, tem como personagem protagonista uma vilã. Achamos que antagonista é sinônimo de mau, de vilão. Na verdade, antagonista significa aquele que se opõe ao protagonista. É aquele quem tem interesses contrários ao protagonista. No caso de Ligações perigosas, a antagonista é a doce e suave personagem vivida por Michelle Pfeiffer ( para mim um dos rostos mais românticos do cinema. Seu rosto, para mim, é quase a encarnação do próprio amor).

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Glenn Close vive a Marquesa de Merteuil, uma nobre aparentemente gentil e sensata que passa o seu tempo fazendo jogos perversos que objetivam manchar a reputação de seus inimigos. Arranja como parceiro o sedutor e libertino Visconde de Valmont, seu amigo por quem nutre uma antiga paixão.

Não contarei os fatos e as intrigas elaboradas pelo maquiavélico casal para não roubar a surpresa de quem pretende assistir ao filme. Mas adianto de que se trata de uma inusitada história de amor, em que um jogo cruel, uma aposta suja e maldosa transforma-se em um amor verdadeiro.

A cruel Marquesa de Merteuil e o perverso Visconde de Valmont, apesar de toda a sua engenhosidade e sangue frio, perdem o controle da situação e o que deveria promover a desmoralização de pessoas respeitáveis da sociedade, reverte-se na destruição deles mesmos.

Ligações perigosas deixa algumas lições amargas e difíceis de digerir:

1. Pessoas essencialmente más existem.

2. O poder , muitas vezes, fala mais alto do que o amor.

3. Muitas vezes quem mais merece e se dedica ao amor é quem menos o recebe.

4. O amor pode vencer, mas nem sempre é possível o vitorioso usufruir de seu troféu.

Mas, provavelmente nenhuma das lições acima é mais importante e essencial do que a citada a seguir: o amor é o único meio de atingirmos uma vida plena e nos tornarmos pessoas melhores.


Sílvia Marques

Paulistana, escritora, idealista em crise, bacharel em Cinema, cinéfila, professora universitária com alma de aluna, doutora em Comunicação e Semiótica, autodidata na vida, filósofa de botequim, com a alma tatuada de experiências trágicas, amante das artes , da boa mesa, dos vinhos, de papos loucos e ideias inusitadas. Serei uma atleta no dia em que levantamento de xícara de café se tornar modalidade esportiva. Sim, eu acredito realmente que um filme possa mudar a sua vida! Autora do blog Garota desbocada. Lancei recentemente em versão e-book pela Cia do ebook o romance O corpo nu..
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