cinema pensante

Como um bom filme pode mudar a nossa vida

Sílvia Marques

Paulistana, escritora, idealista em crise, bacharel em Cinema, cinéfila, professora universitária com alma de aluna, doutora em Comunicação e Semiótica, autodidata na vida, filósofa de botequim, com a alma tatuada de experiências trágicas, amante das artes , da boa mesa, dos vinhos, de papos loucos e ideias inusitadas. Serei uma atleta no dia em que levantamento de xícara de café se tornar modalidade esportiva. Sim, eu acredito realmente que um filme possa mudar a sua vida! Autora do blog Garota desbocada. Lancei recentemente em versão e-book pela Cia do ebook o romance O corpo nu.

Os Jasons da net


Não liga para a minha dor? Não se identifica com o meu sofrimento? Não se sente tocado por minhas palavras? Ok. Guarde seus comentários de mau gosto para quem compartilha de suas opiniões.


jason.jpg

Os fóruns da net têm aberto um grande espaço para que as pessoas demonstrem sua falta de empatia pela raça humana, com comentários maldosos, que visam apenas ironizar publicamente a dor do outro.

A vida é feita de diversidade. A beleza está nisso. Uns amam filmes. Outros preferem teatro. Uns preferem vinho. Outros, cerveja. Algumas pessoas planejam tudo com detalhes. Outras deixam rolar. Tem gente mais prática. Tem gente mais intelectual.

Muitas vezes aprendemos muito com quem pensa diferente, com que adorou um filme que a gente detesta, com quem tem coragem de fazer algo que para nós é uma loucura impensável. Aprendemos com quem sabe desempenhar tarefas que para nós são complexas, que leram livros que não lemos, que superaram perdas que não vivemos.

Creio que a vida se torna realmente rica quando entramos num processo dialético com o outro. Quando combinamos o nosso ponto de vista com o do outro e descobrimos um terceiro caminho, uma possibilidade híbrida.

Porém, toda vez que emitimos uma opinião diferente da do nosso ouvinte, precisamos tomar cuidado para escolher as palavras, apresentar os argumentos. Ninguém é obrigado a sentir e a pensar como nós sentimos e pensamos. Precisamos tomar cuidado principalmente quando falamos sobre o sentimento do outro, sobre experiências íntimas, profundas e traumáticas. Discordar intelectualmente sobre um livro ou filme já exige uma boa dose de diplomacia. Quando entramos no terreno das experiências pessoais do outro e dos sentimentos por ele descritos, a diplomacia precisa vir em dose tripla, quádrupla.

Não concorda com o ponto de vista do outro? Considera o sofrimento alheio uma bobagem? Ok. Cada um pensa e sente de um jeito. Nenhum problema. Por outro lado, usar de ironia e/ou indelicadeza para tripudiar sobre alguém que já está fragilizado é desumano.

Se não podemos ajudar, que não atrapalhemos. A velha sabedoria popular já afirma que quem não atrapalha já ajuda. Ninguém é obrigado a se sensibilizar pelo drama do outro. Mas que guardem a falta de empatia para si.

A vida já é dolorosa e caótica demais sem comentários maldosos. As pessoas não precisam ser ofendidas para se sentirem mal. As pessoas não ser precisam ser julgadas e ironizadas publicamente pois elas já padecem de muitas dores cotidianas.

Acredito no poder da generosidade, na beleza da empatia , na luz e no calor que podemos proporcionar ao outro com um simples olhar de afeto e uma palavra de compaixão. Acredito num amor maior, que podemos oferecer até mesmo a quem não conhecemos, mas que precisa da nossa ajuda: um estranho que passa mal no ônibus, no metrô. Uma senhora idosa com dificuldade para atravessar a rua.

Por outro lado, acredito também na importância do espírito combativo. Existem tantas demonstrações de desafeto e desrespeito no mundo porque nos calamos diante delas. Não devemos nunca aceitar como normal o que fere os outros, o que desrespeita o espaço alheio, o que nada agrega de bom. Se a dor do outro parece ridícula, se a dor do outro não desperta compaixão, o problema não é de quem sofre. O problema é de quem não consegue sentir.


Sílvia Marques

Paulistana, escritora, idealista em crise, bacharel em Cinema, cinéfila, professora universitária com alma de aluna, doutora em Comunicação e Semiótica, autodidata na vida, filósofa de botequim, com a alma tatuada de experiências trágicas, amante das artes , da boa mesa, dos vinhos, de papos loucos e ideias inusitadas. Serei uma atleta no dia em que levantamento de xícara de café se tornar modalidade esportiva. Sim, eu acredito realmente que um filme possa mudar a sua vida! Autora do blog Garota desbocada. Lancei recentemente em versão e-book pela Cia do ebook o romance O corpo nu..
Saiba como escrever na obvious.
version 1/s/recortes// @destaque, @hplounge, @obvious, @obvioushp //Sílvia Marques
Site Meter