cinema pensante

Como um bom filme pode mudar a nossa vida

Sílvia Marques

Paulistana, escritora, idealista em crise, bacharel em Cinema, cinéfila, professora universitária com alma de aluna, doutora em Comunicação e Semiótica, autodidata na vida, filósofa de botequim, com a alma tatuada de experiências trágicas, amante das artes , da boa mesa, dos vinhos, de papos loucos e ideias inusitadas. Serei uma atleta no dia em que levantamento de xícara de café se tornar modalidade esportiva. Sim, eu acredito realmente que um filme possa mudar a sua vida! Autora do blog Garota desbocada. Lancei recentemente em versão e-book pela Cia do ebook o romance O corpo nu.

Reflexões sobre pessoas ultra sensíveis

Você se sensibiliza com a dor do outro? Sofre intensamente quando se sente ofendido ou rejeitado? Se sente extremamente feliz com um simples sorriso? Fique calmo. Você não é fraco ou fresco. Você é apenas alguém ultra sensível.


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Começo o meu post com uma analogia. Imaginem um albino na praia pegando o sol do meio dia sem protetor solar? Imaginaram? O sol queima na mesma intensidade todas as pessoas, mas alguns apresentam uma pele mais delicada e portanto sentem estragos maiores caso fiquem muito tempo expostos ao sol sem proteção.

O mesmo ocorre com pessoas ultra sensíveis. Pessoas assim não possuem couraças nem blindagens contra situações traumáticas que a maioria tira de letra ou com uma dose bem menor de sofrimento. O que para muitos numa escala de 0 a 10 é 5, para um ultra sensível é 10.

O ultra sensível sente tudo muito intensamente, de forma visceral. Ele pode se alegrar profundamente com a menor das delicadezas e se magoar gravemente com uma pequena desfeita.

Socialmente falando, muitas vezes, são consideradas pessoas “frescas” e fracas. Lidar com um ultra sensível realmente não é tarefa para amadores. O humor varia bastante. Precisa ser tratado com muito tato. Verdades grosseiras jogadas na cara ferem mortalmente. É preciso escolher bem as palavras e o tom de voz na hora de fazer uma crítica. É importante valorizar seus gestos de carinho.

Você pode estar se perguntando agora: gente ultra sensível é um saco? Gente ultra sensível é complicada? Utilizando as palavras da minha prima psicóloga, quando eu disse que era complicada, ela me respondeu que eu era complexa. Gostei da definição. Além de não ferir a minha ultra sensibilidade, me soou adequada. Sim, gente ultra sensível é complexa e como tudo que é complexo, dá mais trabalho, exige mais de nós. Mas, por outro lado, ter um amigo ou parceiro afetivo complexo pode ser uma grande lição de vida. Pode ser uma forma de nos humanizarmos mais, de nos abrirmos mais para a vida e para os nossos próprios sentimentos.

Se o ultra sensível pode “criar” problemas por um lado, por outro, pode ser o mais atencioso dos ouvintes, o mais delicado dos conselheiros. Com uma simples palavra pode fazer os outros se sentirem mil vezes melhor. Pode ser o único amigo que ficará ao seu lado quando você perder aquele cargo que te dava status. Pode ser o único a compreender a sua dor quando o seu trigésimo grande amor for embora sem uma explicação plausível.

Gente ultra sensível pode ser um saco sim, mas são os que realmente fazem tudo com fervor, com integridade. Entra de corpo e alma em tudo que faz. Paga as consequências das suas escolhas afetivas com doses cavalares de sofrimento pois não sabe viver na epiderme das emoções. Quando é teu amigo é teu amigo mesmo. Se compromete por você. Quando deixar de ser, melhor manter distância.

Gente ultra sensível faz arte , arrisca os interesses para ajudar, olha mais o interior do que a casca, não liga para hierarquias, faz amizade com todo tipo de gente ( evita apenas os egoístas e fúteis). Gente ultra sensível não ama pela metade , não oferece nem se contenta por muito tempo com migalhas afetivas. Gente ultra sensível não é cool. Gente ultra sensível é para os fortes, para os corajosos. Para os outros ultra sensíveis.


Sílvia Marques

Paulistana, escritora, idealista em crise, bacharel em Cinema, cinéfila, professora universitária com alma de aluna, doutora em Comunicação e Semiótica, autodidata na vida, filósofa de botequim, com a alma tatuada de experiências trágicas, amante das artes , da boa mesa, dos vinhos, de papos loucos e ideias inusitadas. Serei uma atleta no dia em que levantamento de xícara de café se tornar modalidade esportiva. Sim, eu acredito realmente que um filme possa mudar a sua vida! Autora do blog Garota desbocada. Lancei recentemente em versão e-book pela Cia do ebook o romance O corpo nu..
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