cinema pensante

Como um bom filme pode mudar a nossa vida

Sílvia Marques

Paulistana, escritora, idealista em crise, bacharel em Cinema, cinéfila, professora universitária com alma de aluna, doutora em Comunicação e Semiótica, autodidata na vida, filósofa de botequim, com a alma tatuada de experiências trágicas, amante das artes , da boa mesa, dos vinhos, de papos loucos e ideias inusitadas. Serei uma atleta no dia em que levantamento de xícara de café se tornar modalidade esportiva. Sim, eu acredito realmente que um filme possa mudar a sua vida! Autora do blog Garota desbocada. Lancei recentemente em versão e-book pela Cia do ebook o romance O corpo nu.

Dois dias , uma noite e milhares de motivos para assistir a este filme

Quando nos abrimos de verdade ao drama do outro, quando nos sentimos verdadeiramente tocados pelo outro, saímos diferentes da relação. Muitas vezes mais conscientes a respeito de nós mesmos.


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Semana passada vi uma coprodução belga, francesa e italiana intitulada Dois dias, uma noite protagonizada pela talentosíssima Marion Cotillard. O filme foi dirigido pelos irmãos Jean-Pierre e Luc Dardenne em 2014.

Marion Cotillard ( Sandra) vive uma mulher comum, saindo de uma licença médica por depressão. Porém, quando ela deveria regressar ao seu trabalho, seu supervisor manipula seus colegas a fim de demiti-la. Eles precisam escolher entre a volta da funcionária ou o recebimento de um bônus no valor de mil euros. A maioria esmagadora escolhe o bônus e estimulada por seu marido e por sua colega/amiga que a apoia, Sandra precisa tentar convencer seus colegas a mudar de opinião a respeito do bônus para manter o emprego.

O final é surpreendente, mas não no sentido hollywoodiano da palavra, até mesmo porque esta palavra não existe no cinemão comercial pois ninguém pode ser contrariado ou se sentir desconfortável quando busca um filme que mostra um pseudo lado positivo da vida.

Um filme otimista e realista ao mesmo tempo, de um humanismo extremo, que vale a pena ser conferido por quem ainda acredita no poder da generosidade e na importância de nos reinventarmos sempre. A atuação de Marion Cotillard é um show à parte. Ela encarna deliciosamente a dor da mulher comum, mãe de família, sofrida, com os nervos à flor da pele, sentindo-se obscura e sem valor, que tem toda a sua vida transtornada por um processo depressivo.

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Outro aspecto interessante do filme é perceber que nem sempre tudo é o que parece ser. Ao pedir a ajuda para cada colega, os roteiristas e diretores fazem um “estudo psicológico” valioso. Diante de uma mesma situação problemática vemos reações múltiplas, que variam da compaixão total até a agressividade brutal, passando pela indiferença em suas variadas nuances.Mais do que isso. Percebemos como cada um vive uma realidade complexa e como algumas delas podem ser transformadas radicalmente por meio do contato interativo e afetivo com o outro.

Quando nos abrimos de verdade ao drama do outro, quando nos sentimos verdadeiramente tocados pelo outro, saímos diferentes da relação. Muitas vezes mais conscientes a respeito de nós mesmos.

Para quem pensa que filme europeu é sempre difícil, este é um bom exemplo de filme simples e profundo ao mesmo tempo. Mais do que uma experiência cinematográfica, uma experiência humana.


Sílvia Marques

Paulistana, escritora, idealista em crise, bacharel em Cinema, cinéfila, professora universitária com alma de aluna, doutora em Comunicação e Semiótica, autodidata na vida, filósofa de botequim, com a alma tatuada de experiências trágicas, amante das artes , da boa mesa, dos vinhos, de papos loucos e ideias inusitadas. Serei uma atleta no dia em que levantamento de xícara de café se tornar modalidade esportiva. Sim, eu acredito realmente que um filme possa mudar a sua vida! Autora do blog Garota desbocada. Lancei recentemente em versão e-book pela Cia do ebook o romance O corpo nu..
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