cinema pensante

Como um bom filme pode mudar a nossa vida

Sílvia Marques

Paulistana, escritora, idealista em crise, bacharel em Cinema, cinéfila, professora universitária com alma de aluna, doutora em Comunicação e Semiótica, autodidata na vida, filósofa de botequim, com a alma tatuada de experiências trágicas, amante das artes , da boa mesa, dos vinhos, de papos loucos e ideias inusitadas. Serei uma atleta no dia em que levantamento de xícara de café se tornar modalidade esportiva. Sim, eu acredito realmente que um filme possa mudar a sua vida! Autora do blog Garota desbocada. Lancei recentemente em versão e-book pela Cia do ebook o romance O corpo nu.

Reconstrução

Este artigo é a continuação do post "Desconstruções". Como diria o nome de um filme antigo, existe um tempo para amar e outro para esquecer. O estrago já foi feito. Ok. Mas chegou o momento de secar as lágrimas e começar a juntar os cacos. Vamos nessa?


Man_sitting_under_beach_umbrella.jpg Reconstruir é longo e vasto. Precisamos aprender a olhar para dentro de nós e encontrar o nosso eu mais profundo.

No dia 20 de abril, escrevi um texto intitulado Desconstruções. Hoje, escrevo sobre a reconstrução. Destruir é simples. Destruímos em segundos um objeto. Em minutos, horas ou dias, uma amizade. A intimidade estabelecida e construída durante meses ou anos pode ser desmanchada em poucas semanas ou dias.

Desconstruir é fácil e rápido. Reconstruir é lento, complexo. Reconstruir exige uma força de vontade grande, um desejo profundo e sincero de consertar o que foi estragado, resgatar o que foi perdido sob bases novas e mais fortes.

Reconstruir exige a reavaliação de conceitos, valores, atitudes. Reconstruir exige que joguemos uma luz forte sobre a nossa alma e analisemos sem tabu cada uma de nossas feridas. Reconstruir, muitas vezes, significa deixarmos o passado para trás e não nos importarmos tanto com o futuro. Viver os pequenos prazeres do dia a dia. Quando uso a palavra prazer, não faço referências sexuais. Falo do prazer de um bom vinho numa noite fria, um filminho na TV com um grande pacote de pipoca, a conversa inteligente de um amigo, um banho quente, uma boa comida, enfim, qualquer coisa que seja prazerosa, por menor que seja.

Ninguém se reconstrói completamente em dias ou semanas. Não há fórmulas mágicas, rápidas e indolores. Cada um precisa descobrir o seu caminho, a sua energia vital, o que te move. Alguns meditam, outros fazem arte terapia. Tem gente que pratica esportes. Tem gente que estuda. Tem gente que encontra força na religião. Outros optam por fazer terapia. Ás vezes, é preciso fazer uso de medicamentos. Outros recarregam as baterias com os amigos , com a família. Enfim, precisamos refletir a respeito de nós mesmos profundamente e descobrirmos o que nos faz bem. Muitas vezes precisamos conciliar uma série de elementos.

Precisamos acima de tudo evitarmos pessoas superficiais e julgadoras. Pessoas que desmerecem a nossa dor por não acreditarem nela ou por simplesmente sentirem prazer em tripudiar sobre alguém que já está fraco e debilitado. Pessoas deprimidas não precisam ouvir sermões. Precisam receber afeto, carinho. Precisam se sentir queridas. Uma pessoa deprimida fica com a autoestima baixa. Normalmente, ela se sente inútil, sem valor. As pessoas ao redor precisam mostrar que o deprimido é importante para elas. Mas simultaneamente, o tempo de recuperação do deprimido deve ser respeitado.

Muitas pessoas criticam e até mesmo fazem piadas de mau gosto sobre a depressão e o desejo de suicidar-se. Muita gente acredita que quem afirma querer se matar o faz para chamar a atenção. Mas pesquisas indicam que muitas pessoas se suicidam ou realmente tentam se suicidar depois de relatar publicamente o seu desejo. Brincar com a tristeza alheia é algo muito grave e denota uma imaturidade emocional enorme por parte de quem a pratica.

A grande vantagem do depressivo em relação ao insensível é a seguinte: existe tratamento para a depressão. Para a insensibilidade não.

Em resumo: não tenha medo de admitir que você precisa de ajuda. Procure ajuda médica se for necessário. Aproxime-se de quem te faz bem e se possível, se afaste de quem te faz mal. Centre-se em pequenos prazeres cotidianos. Não faça planos a longo prazo. Depressivos ficam mais tristes quando pensam no futuro. E acima de tudo, não tente encontrar respostas para tudo. Viva cada dia de cada vez.


Sílvia Marques

Paulistana, escritora, idealista em crise, bacharel em Cinema, cinéfila, professora universitária com alma de aluna, doutora em Comunicação e Semiótica, autodidata na vida, filósofa de botequim, com a alma tatuada de experiências trágicas, amante das artes , da boa mesa, dos vinhos, de papos loucos e ideias inusitadas. Serei uma atleta no dia em que levantamento de xícara de café se tornar modalidade esportiva. Sim, eu acredito realmente que um filme possa mudar a sua vida! Autora do blog Garota desbocada. Lancei recentemente em versão e-book pela Cia do ebook o romance O corpo nu..
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