cinema pensante

Como um bom filme pode mudar a nossa vida

Sílvia Marques

Paulistana, escritora, idealista em crise, bacharel em Cinema, cinéfila, professora universitária com alma de aluna, doutora em Comunicação e Semiótica, autodidata na vida, filósofa de botequim, com a alma tatuada de experiências trágicas, amante das artes , da boa mesa, dos vinhos, de papos loucos e ideias inusitadas. Serei uma atleta no dia em que levantamento de xícara de café se tornar modalidade esportiva. Sim, eu acredito realmente que um filme possa mudar a sua vida! Autora do blog Garota desbocada. Lancei recentemente em versão e-book pela Cia do ebook o romance O corpo nu.

Drácula de Bram Stoker e o ideal do amor eterno

Não sinto medo vendo o filme Drácula de Bram Stoker. Muito pelo contrário. O amor eterno é o meu ideal. O que me deixa horrorizada é a nossa realidade líquida. Um brinde ao amor que nunca morre.


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Drácula de Bram Stoker se insere em um gênero pouco comum e muito interessante: o terror romântico. Deveriam fazer mais filmes deste gênero, partindo-se do pressuposto de que amor e terror são praticamente a mesma coisa, como afirmou um personagem de Almodóvar, em Atame!.

O filme é assustador e romântico em proporções iguais. Talvez o mais aterrorizante seja perceber o quanto um amor pode durar e fazer sofrer tão profundamente. No século XV, o conde Drácula renuncia a Deus por amor à sua noiva falecida, transformando-se em um monstro, condenado a uma existência miserável por ele mesmo. É uma cena terrivelmente bela. Por mais medonho que seja um homem negar a Deus, por outro, é admirável e comovente a perseverança de seu amor por Elisabetha.

O mesmo amor que o condena, é o amor que o salva, que o liberta. Drácula de Bram Stoker conta com a direção de Francis Ford Copola, um cineasta altamente criativo e de um elenco brilhante, com atores como Gary Oldman e Anthony Hopkins. Winona Ryder com seu rosto delicadamente romântico está perfeita na pele de Elisabetha, a amada imortal de Drácula.

As imagens de Drácula de Bram Stoker se aproximam muito das artes plásticas, algumas cenas se assemelham a verdadeiras pinturas, que esbanjam uma grande riqueza de detalhes. Alguns momentos chegam a ser hipnóticos, tamanho o vigor das imagens belas, grotescas e eróticas simultaneamente.

Os efeitos especiais nesta obra estão a serviço de uma história inesquecível e de uma visualidade perturbadora. Os efeitos especiais não são o objetivo principal deste filme aterrorizantemente belo, visualmente plástico e profundamente romântico.

Alguns filmes marcam por seu conteúdo. Outros, por sua estética. Alguns, fazem importantes questionamentos, convidam à reflexão, nos humanizam. Outros, nos seduzem pela plasticidade das imagens, pela quebra de paradigmas das leis cinematográficas, pela ousadia de limpar as imagens do excesso de recursos, pela originalidade da estrutura narrativa.

Drácula de Bram Stoker concilia um enredo forte e consistente com uma estética elaboradíssima. Pode-se dizer que ele funde todas as artes neste filme com qualidade. Até mesmo a dança é representada nesta obra pelo gestual dos atores e pela organicidade das movimentações cênicas que extrapolam a linguagem cinematográfica sem deixar de apresentar o mais puro e visceral cinema.

Em tempos líquidos, o livro de Bram Stoker, escrito em 1897, muito mais do que um dos melhores romances de terror da literatura universal, é uma apologia ao amor imortal. Um filme para cinéfilos, para góticos, para românticos incorrigíveis, para apreciadores da beleza que existe no grotesco.

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Sílvia Marques

Paulistana, escritora, idealista em crise, bacharel em Cinema, cinéfila, professora universitária com alma de aluna, doutora em Comunicação e Semiótica, autodidata na vida, filósofa de botequim, com a alma tatuada de experiências trágicas, amante das artes , da boa mesa, dos vinhos, de papos loucos e ideias inusitadas. Serei uma atleta no dia em que levantamento de xícara de café se tornar modalidade esportiva. Sim, eu acredito realmente que um filme possa mudar a sua vida! Autora do blog Garota desbocada. Lancei recentemente em versão e-book pela Cia do ebook o romance O corpo nu..
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