cinema pensante

Como um bom filme pode mudar a nossa vida

Sílvia Marques

Paulistana, escritora, idealista em crise, bacharel em Cinema, cinéfila, professora universitária com alma de aluna, doutora em Comunicação e Semiótica, autodidata na vida, filósofa de botequim, com a alma tatuada de experiências trágicas, amante das artes , da boa mesa, dos vinhos, de papos loucos e ideias inusitadas. Serei uma atleta no dia em que levantamento de xícara de café se tornar modalidade esportiva. Sim, eu acredito realmente que um filme possa mudar a sua vida! Autora do blog Garota desbocada. Lancei recentemente em versão e-book pela Cia do ebook o romance O corpo nu.

Efeito borboleta e o sacrifício do amor

E se pudéssemos voltar ao passado e corrigir todos os erros cometidos que comprometeram a nossa felicidade? O filme Efeito borboleta mostra de forma vertiginosa e frenética que muitas vezes apenas pioramos a situação quando tentamos corrigi-la e que em muitos casos a perda do amor é o preço pago pelo bem comum.


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Doloroso e alucinante filme sobre as consequências de nossos atos, de como somos capazes com simples gestos de produzir tragédias homéricas para terceiros e para nós mesmos.

Depois de cometerem dois assassinatos acidentalmente, a vida de quatro adolescentes fica completamente destruída. Evan, interpretado por Ashton Kutcher, retorna a uma época que precede os crimes. Porém, quanto mais tenta consertar os erros do passado, mais produz novas e inesperadas tragédias, provando que apagar as consequências de nossos atos não é tarefa fácil.

O filme lida com diversos temas muito importantes e polêmicos como alcoolismo, pedofilia e sadismo. Acima de tudo mostra como somos frutos das escolhas alheias, do meio em que vivemos, do que perdemos ou deixamos. Com um ritmo frenético, em alguns momentos angustiante, Efeito borboleta apresenta uma estrutura narrativa circular pois sempre retoma o passado e às variadas possibilidades da vida, tema caro ao cinema moderno, que mergulha no universo do se, do que poderia ter sido e não foi.

A mesma circularidade encontrada na narrativa pode ser identificada no perfil psicológico dos personagens. Tommy, interpretado por William Lee Scott, apresenta uma personalidade extremamente violenta e sádica. No entanto, voltando ao passado, saberemos que o seu comportamento nada mais é que a reprodução das próprias agressões e abusos sofridos. Sua irmã, vítima de tormentos semelhantes, não é sádica, mas opta por um caminho extremo, mostrando o rastro de estragos que uma infância infeliz e perturbada proporciona à vida de terceiros.

Muitas vezes somos vítimas de estranhos que promovem tragédias em nossa vida por conta de outras tragédias vividas anteriormente e que não dizem respeito a nós. É como se alguém que pratica o mal a alguém, praticasse o mal para muitos outros por tabela.

Algumas cenas se assemelham a verdadeiros pesadelos, porém Efeito borboleta é muito mais que um filme violento e de ação. É um filme sobre as nossas escolhas e suas consequências, de como podemos afetar a vida dos outros e como o amor necessita, em muitos casos, ser sacrificado para o bem comum.

Quando todos os caminhos são tentados e nenhuma solução é encontrada, faz-se o sacrifício do amor num ritual melancólico que culmina na solidão. Muitas vezes, em nossa sociedade, o amor é cordeiro imolado, é o bode expiatório, é o sacrificado para que a ordem seja mantida.


Sílvia Marques

Paulistana, escritora, idealista em crise, bacharel em Cinema, cinéfila, professora universitária com alma de aluna, doutora em Comunicação e Semiótica, autodidata na vida, filósofa de botequim, com a alma tatuada de experiências trágicas, amante das artes , da boa mesa, dos vinhos, de papos loucos e ideias inusitadas. Serei uma atleta no dia em que levantamento de xícara de café se tornar modalidade esportiva. Sim, eu acredito realmente que um filme possa mudar a sua vida! Autora do blog Garota desbocada. Lancei recentemente em versão e-book pela Cia do ebook o romance O corpo nu..
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