cinema pensante

Como um bom filme pode mudar a nossa vida

Sílvia Marques

Paulistana, escritora, idealista em crise, bacharel em Cinema, cinéfila, professora universitária com alma de aluna, doutora em Comunicação e Semiótica, autodidata na vida, filósofa de botequim, com a alma tatuada de experiências trágicas, amante das artes , da boa mesa, dos vinhos, de papos loucos e ideias inusitadas. Serei uma atleta no dia em que levantamento de xícara de café se tornar modalidade esportiva. Sim, eu acredito realmente que um filme possa mudar a sua vida! Autora do blog Garota desbocada. Lancei recentemente em versão e-book pela Cia do ebook o romance O corpo nu.

Lugar de mulher é onde ela quer ficar

Seremos feministas de fato quando protegermos umas às outras, quando chamarmos um homem para sair sem o menor constrangimento, rachar a conta do motel sem se sentir usada, usufruir do sexo com a maior liberdade e não como arma de barganha, quando entendermos que homem também sofre e que existe gente boa nos dois gêneros.


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Executivas, profissionais liberais, artistas, mães em período integral. Ninguém deveria nos dizer o que falar, pensar, sentir e fazer. Nem mesmo outras mulheres.

O movimento feminista tão essencial para que as mulheres adquirissem voz na sociedade e os mesmos direitos concedidos aos homens ganhou ramificações que o tornaram mais uma manifestação de ódio em nossa sociedade.

Neste artigo apresento a minha versão de feminismo. Não nego que ainda precisamos travar muitas lutas. Por outro lado, não me parece que conquistaremos grandes coisas com androgenia e ataques violentos a mulheres que não seguem ao pé da letra a cartilha do politicamente correto feminista.

Fomos subjugadas e em menor medida ainda somos pelos homens. Atualmente, muitas de nós também são subjugadas por mulheres que não buscam igualdade de direitos. Buscam simplesmente conquistar o lugar de tirania ocupado pelos homens durante séculos. Me parece que toda batalha se trava com coragem e determinação, mas também com sabedoria e diplomacia.

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Não precisamos nos tornar amargas e rabugentas na luta por nosso lugar ao sol

Sem querer, muitas vezes, de forma inconsciente e automática, reforçamos alguns preconceitos em relação ao gênero feminino e alguns mitos sobre as relações entre homens e mulheres. Quando passarmos a agir com naturalidade em relação aos homens, sem nenhum tipo de sentimento de inferioridade muitas coisas podem mudar. Homens tendem a respeitar mulheres que conversam de igual para igual, mantendo contato visual e tentando chamar a atenção por aquilo que sabem e não por aquilo que aparentam. Porém, nada impede uma mulher de sorrir graciosamente diante de um elogio. Nada impede uma mulher de fazer um elogio a um homem. Nada impede uma mulher de se sentar ao lado de um homem no metrô sem a menor cerimônia ou contar uma piada de sexo a um colega de trabalho mais chegado.

Enquanto nos sentirmos inferiorizadas constantemente, seremos tratadas como inferiores. A duras penas aprendemos que muito do valor que nos dão refere-se ao valor que atribuímos a nós. Ninguém poderá nos tratar como inferiores se não nos colocarmos nesta posição. Precisamos aprender a relaxar mais e parar de procurar sinal de machismo nas entrelinhas de tudo e nos focar onde existe machismo de fato.

Evidentemente, quando o tema é diferença salarial o buraco fica mais embaixo e mobilizações são realmente necessárias. Mas sem ódio. Precisamos entender que estamos em transição e que devagar e sempre iremos longe, com atitudes firmes e constantes, mas sem desespero.

Precisamos nos unir de fato. Não adianta acusar os homens disse e daquilo, se muitas mulheres boicotam outras jovens , atraentes, com bastante potencial. Acusamos os homens de machistas, mas quando uma bela moça consegue uma boa vaga no mercado de trabalho, muitas mulheres sem conhecer o currículo da colega já suspeitam que a pessoa em questão foi colocada na empresa por algum amigo íntimo. Ou ainda competimos agressivamente no campo afetivo/sexual. Infelizmente falta muita lealdade entre as mulheres que em muitos casos tentam competir com o seu gênero na busca desenfreada pela realização amorosa. Quantas mulheres não movem céus e terras para parecem maravilhosas diante de maridos e namorados de amigas e colegas? Quantas mulheres julgam outras que falam palavrões, fazendo caras e bocas?

Se não nos unirmos de fato, profundamente, nos solidarizando uma pela outra, respeitando as escolhas e forma de pensar de cada uma, não sairemos do lugar. Seremos feministas de fato quando protegermos umas às outras, quando chamarmos um homem para sair sem o menor constrangimento, rachar a conta do motel sem se sentir usada, usufruir do sexo com a maior liberdade e não como arma de barganha, quando entendermos que homem também sofre e que existe gente boa nos dois gêneros.

Se uma mulher ao casar e ter filhos opta por cuidar da casa, é mal vista pelas outras mulheres que a consideram uma boa vida, como se limpar, cozinhar , lavar e educar os filhos fossem tarefas simples. Donas de casa tem uma vida sacrificada, sem direito a salário nem aposentadoria e reconhecimento. Se há décadas, a mulher foi impedida pelos homens de conquistar seu lugar no mercado de trabalho, atualmente, somos julgadas severamente por desejarmos ficar em casa.

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Existe patrulha na área sexual também. Algumas atitudes na cama são consideradas castradoras da mulher poderosa. A cama é espaço íntimo e ninguém deveria se importar com aquilo que as pessoas fazem e deixam de fazer, contanto que não agrida os direitos de ninguém.

Me parece que lugar de mulher é onde ela quer ficar: trabalhando fora, administrando seu próprio negócio, cuidando da casa, viajando pelo mundo, casando, tendo filhos, não casando, não tendo filhos, estabelecendo as suas prioridades e dirigindo a sua vida. Ninguém deveria dizer o que nós podemos falar, pensar, sentir e fazer. Nem as próprias mulheres.


Sílvia Marques

Paulistana, escritora, idealista em crise, bacharel em Cinema, cinéfila, professora universitária com alma de aluna, doutora em Comunicação e Semiótica, autodidata na vida, filósofa de botequim, com a alma tatuada de experiências trágicas, amante das artes , da boa mesa, dos vinhos, de papos loucos e ideias inusitadas. Serei uma atleta no dia em que levantamento de xícara de café se tornar modalidade esportiva. Sim, eu acredito realmente que um filme possa mudar a sua vida! Autora do blog Garota desbocada. Lancei recentemente em versão e-book pela Cia do ebook o romance O corpo nu..
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