cinema pensante

Como um bom filme pode mudar a nossa vida

Sílvia Marques

Paulistana, escritora, idealista em crise, bacharel em Cinema, cinéfila, professora universitária com alma de aluna, doutora em Comunicação e Semiótica, autodidata na vida, filósofa de botequim, com a alma tatuada de experiências trágicas, amante das artes , da boa mesa, dos vinhos, de papos loucos e ideias inusitadas. Serei uma atleta no dia em que levantamento de xícara de café se tornar modalidade esportiva. Sim, eu acredito realmente que um filme possa mudar a sua vida! Autora do blog Garota desbocada. Lancei recentemente em versão e-book pela Cia do ebook o romance O corpo nu.

Vamos colocar os pingos nos is e dar nome aos bois?

Não dá mais para aceitar empresas que tem como política a divisão dos profissionais por “castas”. Não dá mais para aceitar a imposição dos padrões de beleza europeus sobre as mulheres orientais, negras e indígenas. Não dá mais para aceitar que umbanda e candomblé são religiões malignas.


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Quando falamos sobre qualquer assunto, principalmente polêmico, me parece importante relativizar e extrair de cada ponto de vista os seus melhores aspectos e contribuições. Não acredito em respostas prontas, fechadas e categóricas. Posso falar categoricamente que a cozinha italiana é a minha favorita porque se trata de um gosto pessoal, o que é bem diferente de afirmar que a cozinha italiana é a melhor do mundo, fazendo quem pensa diferente engolir a minha “verdade universal”.

Não deveríamos colocar as nossas opiniões como as únicas ou as verdadeiras, excetuando casos extremos que envolvem a violação de direitos de outras pessoas como acontece por exemplo em histórias de pedofilia, violência doméstica e abusos sexuais. Não dá para aceitar um estupro, por exemplo, como algo normal e justificável pelo comprimento da saia da vítima.

Porém, quase tudo tem mais de um lado. Mas neste artigo me centrarei num tema que ao meu parecer deveria ser encarado pela maioria das pessoas como questão clara e resolvida: a discriminação.

Não dá para relativizar preconceitos étnicos, sociais, sexuais. Não dá para aceitar gente que se considera superior aos outros por ter mais dinheiro, mais títulos acadêmicos, mais contatos sociais importantes, mais beleza, mais visibilidade. Não dá para aceitar piadas grosseiras sobre nordestinos e até mesmo ataques agressivos como vimos nas redes sociais nas últimas eleições presidenciais.

Não dá mais para aceitar que quem faz pesquisas nas áreas de Exatas e Biológicas é mais pesquisador do que estudiosos da área de Humanas. Não dá mais para aceitar que a formatura de um médico, de um advogado ou de um engenheiro tem mais valor do que a formatura de um pedagogo, de um sociólogo, de um psicólogo, de um filósofo. Não dá mais para aceitar pessoas com alto poder aquisitivo passando sem cumprimentar faxineiras e porteiros.

Não dá mais para aceitar empresas que tem como política a divisão dos profissionais por “castas”. Não dá mais para aceitar a imposição dos padrões de beleza europeus sobre as mulheres orientais, negras e indígenas. Não dá mais para aceitar que umbanda e candomblé são religiões malignas.

Não dá mais para aceitar que existem etnias e profissões superiores. Não dá mais para aceitar que só a família tradicional é boa. Não dá mais para aceitar que casamento é só para procriar. Não dá mais para aceitar que professor precisa ser tirano e reprovar metade da classe para ser competente. Não dá mais para aceitar que a ética de uma pessoa é medida por sua formalidade.

Não dá mais para aceitar que gente gentil e prestativa seja tratada como falsa e gente solidária como hipócrita. Não quer ser gentil? Não seja. Não quer ser solidário? Não seja. Mas não saia pelo mundo dizendo que gentileza e bondade não existem pois elas não habitam o seu coração. Não dá mais para aceitar gente que ridiculariza quem acredita em Deus. Não dá mais para aceitar quem deseja o mal para as pessoas que não acreditam em Deus. Não dá mais para aceitar que as crianças sejam criadas numa cultura do ódio. Não dá mais para aceitar jogos de palavras que visam simplesmente escamotear como somos primários no quesito amar.


Sílvia Marques

Paulistana, escritora, idealista em crise, bacharel em Cinema, cinéfila, professora universitária com alma de aluna, doutora em Comunicação e Semiótica, autodidata na vida, filósofa de botequim, com a alma tatuada de experiências trágicas, amante das artes , da boa mesa, dos vinhos, de papos loucos e ideias inusitadas. Serei uma atleta no dia em que levantamento de xícara de café se tornar modalidade esportiva. Sim, eu acredito realmente que um filme possa mudar a sua vida! Autora do blog Garota desbocada. Lancei recentemente em versão e-book pela Cia do ebook o romance O corpo nu..
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