cinema pensante

Como um bom filme pode mudar a nossa vida

Sílvia Marques

Paulistana, escritora, idealista em crise, bacharel em Cinema, cinéfila, professora universitária com alma de aluna, doutora em Comunicação e Semiótica, autodidata na vida, filósofa de botequim, com a alma tatuada de experiências trágicas, amante das artes , da boa mesa, dos vinhos, de papos loucos e ideias inusitadas. Serei uma atleta no dia em que levantamento de xícara de café se tornar modalidade esportiva. Sim, eu acredito realmente que um filme possa mudar a sua vida! Autora do blog Garota desbocada. Lancei recentemente em versão e-book pela Cia do ebook o romance O corpo nu.

A ditadura do texto dramático e estrangeiro

A profundidade pode ser encontrada em qualquer gênero. A inteligência e sensibilidade não são exclusividades do drama. É triste ver que um preconceito medieval permanece nos dias atuais. Na Idade Média o humor era visto como satânico porque leva a muitas leituras, muitas interpretações.


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Esclareço logo de cara que não tenho nada contra textos estrangeiros e pessoas estrangeiras. Não sou xenofóbica, amo a Europa e vi muitas peças boas escritas por autores estrangeiros. Vou além. Sou especialista em cinema europeu. Porém, acredito que os diretores, atores e produtores teatrais brasileiros deveriam dar um pouco mais de atenção aos seus escritores.

Vemos repetidas vezes companhias montando textos de autores estrangeiros consagrados que já morreram. Para muitos atores dá mais status montar um estrangeiro como se não houvesse dramaturgo no Brasil. Outra questão chata e embaraçosa: cursos que investem em dramaturgia só apostam em gente que escreve drama. Se um bom dramaturgo, com conteúdo e bagagem cultural se dedica à comédia não é valorizado. Mais do que isso. Nem tem a oportunidade de participar de uma oficina séria de dramaturgia.

Qual é o problema com o humor? Concordo que muitas montagens cômicas são realmente rasas. Mas isto também acontece com alguns dramas ou textos pseudo intelectuais que apenas servem para aborrecer e fazer a gente ficar com aquela sensação de que perdeu tempo.

A profundidade pode ser encontrada em qualquer gênero. A inteligência e sensibilidade não são exclusividades do drama. É triste ver que um preconceito medieval permanece nos dias atuais. Na Idade Média o humor era visto como satânico porque leva a muitas leituras, muitas interpretações.

Humor bem feito, sensível, perspicaz e inteligente é tão bom quanto um drama de qualidade. Uma vez, o autor de novelas Silvio de Abreu disse em uma entrevista que o humor passa necessariamente pelo racional, o que o tornava muito complexo em sua opinião. O humor não apela para o sentimentalismo. Ele precisa realmente denunciar a decadência de nossa sociedade, o ridículo de nossos costumes, a fragilidade das nossas máscaras e como despencamos em tudo aquilo de que fugimos. Fazer rir das nossas próprias desgraças é o mesmo que ofender alguém com um sorriso nos lábios e uma voz melosa. Ficamos impotentes e indefesos diante de uma crítica bem humorada. Só nos resta acatá-la.

Talvez daqui 300 ou 400 anos os nossos diretores, produtores e atores comecem a entender isso...


Sílvia Marques

Paulistana, escritora, idealista em crise, bacharel em Cinema, cinéfila, professora universitária com alma de aluna, doutora em Comunicação e Semiótica, autodidata na vida, filósofa de botequim, com a alma tatuada de experiências trágicas, amante das artes , da boa mesa, dos vinhos, de papos loucos e ideias inusitadas. Serei uma atleta no dia em que levantamento de xícara de café se tornar modalidade esportiva. Sim, eu acredito realmente que um filme possa mudar a sua vida! Autora do blog Garota desbocada. Lancei recentemente em versão e-book pela Cia do ebook o romance O corpo nu..
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