cinema pensante

Como um bom filme pode mudar a nossa vida

Sílvia Marques

Paulistana, escritora, idealista em crise, bacharel em Cinema, cinéfila, professora universitária com alma de aluna, doutora em Comunicação e Semiótica, autodidata na vida, filósofa de botequim, com a alma tatuada de experiências trágicas, amante das artes , da boa mesa, dos vinhos, de papos loucos e ideias inusitadas. Serei uma atleta no dia em que levantamento de xícara de café se tornar modalidade esportiva. Sim, eu acredito realmente que um filme possa mudar a sua vida! Autora do blog Garota desbocada. Lancei recentemente em versão e-book pela Cia do ebook o romance O corpo nu.

A solidão do amor em dois livros memoráveis

Amamos e pronto. Às vezes uma vida inteira sem nenhum tipo de correspondência, nexo ou porquê. Simplesmente amamos. Nos basta? Não importa. Não é uma questão de escolha. É amor, apenas isso.


FB_0133_002.jpg

Lilian Lemertez como a protagonista do filme Lição de amor, baseado em Amar, verbo intransitivo

Já disse Mario de Andrada em 1927 que amar era verbo intransitivo. Na verdade , o verbo é transitivo pois quem ama , ama algo ou alguém. O que é intransitivo é o ato de amar pois não necessita de complementos. Não necessita de porquês, muito menos de reciprocidade.

Amamos e pronto. Às vezes uma vida inteira sem nenhum tipo de correspondência, nexo ou porquê. Simplesmente amamos. Nos basta? Não importa. Não é uma questão de escolha. É amor, apenas isso.

Em o deserto do amor, do escritor existencialista francês François Mauriac, a solidão do amor é comparada a um deserto, pois amar é uma caminhada que fazemos sozinhos. Tendemos a confundir amor sentimento com relacionamento amoroso.

O personagem protagonista é um homem que realizou muitas conquistas amorosas, mas que nunca se esqueceu do seu primeiro amor e da sua primeira rejeição. Passou anos e anos reconstruindo uma imagem partida para posteriormente admitir que seu primeiro amor definiu tudo em sua vida. Não importava quantas mulheres o desejassem e quantas ele abandonasse, ele seria para sempre um rejeitado caminhando solitariamente no seu deserto particular. Todos nós temos um. A diferença é que apenas poucos corajosos admitem ter.

Indico os dois livros para quem gosta de literatura pungente, que não doura a pílula nem apazigua. O primeiro é uma feroz crítica à burguesia paulistana dos anos 1920. O livro foi considerado imoral. Imoral é a realidade, não o livro. Um pai de família contrata uma professora alemã para ensinar piano e seu idioma aos filhos. Mas na verdade , sua principal incumbência é iniciar sexualmente o jovem Carlos. Mas como amor não se planeja nem se controla, as lições da Fraulen incluem muito mais de afetividade e paixão do que o pai de Carlos pretendia.

O segundo é um dilacerante retrato das marcas que o primeiro amor deixa na pele da alma. Somos definidos por nosso primeiro amor. E não importa o que aconteça depois. Estamos condenados a revivê-lo na cama de outras pessoas ou até mesmo solitariamente em nosso coração.


Sílvia Marques

Paulistana, escritora, idealista em crise, bacharel em Cinema, cinéfila, professora universitária com alma de aluna, doutora em Comunicação e Semiótica, autodidata na vida, filósofa de botequim, com a alma tatuada de experiências trágicas, amante das artes , da boa mesa, dos vinhos, de papos loucos e ideias inusitadas. Serei uma atleta no dia em que levantamento de xícara de café se tornar modalidade esportiva. Sim, eu acredito realmente que um filme possa mudar a sua vida! Autora do blog Garota desbocada. Lancei recentemente em versão e-book pela Cia do ebook o romance O corpo nu..
Saiba como escrever na obvious.
version 1/s/literatura// @destaque, @hplounge, @obvious, @obvioushp //Sílvia Marques