cinema pensante

Como um bom filme pode mudar a nossa vida

Sílvia Marques

Paulistana, escritora, idealista em crise, bacharel em Cinema, cinéfila, professora universitária com alma de aluna, doutora em Comunicação e Semiótica, autodidata na vida, filósofa de botequim, com a alma tatuada de experiências trágicas, amante das artes , da boa mesa, dos vinhos, de papos loucos e ideias inusitadas. Serei uma atleta no dia em que levantamento de xícara de café se tornar modalidade esportiva. Sim, eu acredito realmente que um filme possa mudar a sua vida! Autora do blog Garota desbocada. Lancei recentemente em versão e-book pela Cia do ebook o romance O corpo nu.

Abaixo amantes sistemáticos

Rogo por um mundo com mais cheiro de comida caseira e menos preocupação com roupas e sapatos. Rogo por um mundo em que as pessoas comam com mais apetite e façam dietas só quando elas forem realmente necessárias. Rogo por um mundo onde os casais façam mais amor em suas camas desarrumadas e aproveitem mais o tempo livre para descansar e se curtir.


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Ás vezes precisamos nos deixar levar

Quem me conhece, pode achar curioso o título do meu artigo porque sou meio sistemática. Levo super a sério a questão da pontualidade. Não implico com 5 minutos de atraso, mas fico chateada quando me fazem esperar mais de 15 minutos, principalmente se for num local público.

Me parece que pontualidade é uma atitude que indica boa educação e respeito como honrar os compromissos e a palavra dada. Como pedir desculpas quando pisa na bola.

Porém existe um limite bem sutil entre ser uma pessoa bem educada e respeitosa e alguém muito sistemático. Em alguns momentos o sistemático fica tão preso aos seus esquemas e padrões que chega a ser mal educado. Algumas pessoas acreditam que existe apenas uma maneira de fazer as coisas e viver a vida e se agarra tão credulamente a estas convicções que não consegue enxergar mais nada nem ninguém. E acabam se estressando e irritando os outros por causa de uma toalha molhada na cama, uma panela guardada no armário errado, um copo mal lavado. Não estou dizendo que é certo deixar toalhas molhadas na cama nem esquecer de abaixar a tampa do vaso. Não estou dizendo que é legal ver louças mal lavadas. O que quero dizer é que conviver com gente que implica com tudo, que se estressa com questões facilmente resolvíveis pode ser bem cansativo.

Sabe aquele tipo de postura que encontramos comumente em redes sociais? A pessoa escreve um texto bacana, levanta uma questão importante e alguém se incomoda seriamente porque existe espaço entre as palavras e vírgulas? Quem se concentra neste pequeno defeito, perde o essencial que são as ideias apresentadas pelo texto. Quem se aborrece com um objeto fora do lugar, deixa de notar e apreciar todas as outras coisas que foram feitas na casa.

Rogo por um mundo mais educado e respeitoso e ao mesmo tempo menos sistemático. Rogo por um mundo em que as pessoas considerem mais o outro e se importem menos com banalidades. Rogo por um mundo em que as pessoas se desculpem mais e critiquem menos. Rogo por um mundo em que uma toalha molhada não seja o pivô de uma briga homérica nem um copo mal lavado seja mais notado do que os dez bem lavados. Rogo por um mundo onde o copo esteja sempre meio cheio e que as banalidades cotidianas não engulam a espontaneidade e a alegria dos pequenos momentos.

Rogo por um mundo com mais cheiro de comida caseira e menos preocupação com roupas e sapatos. Rogo por um mundo em que as pessoas comam com mais apetite e façam dietas só quando elas forem realmente necessárias. Rogo por um mundo onde os casais façam mais amor em suas camas desarrumadas e aproveitem mais o tempo livre para descansar e se curtir. Rogo por um mundo em que seja natural um homem lavar a louça, ir ao mercado e cozinhar.

Rogo por um mundo em que as pessoas digam mais “Eu te entendo” e que escutem com respeito as opiniões alheias mesmo quando não concordam. Rogo com um mundo em que as pessoas discordem com mais tranquilidade e que as crianças sejam educadas para serem elas mesmas e não aquilo que os pais e a sociedade esperam. Rogo por um mundo em que a empatia valha mais do que o status social, a conta bancária, a marca dos sapatos. Rogo por um mundo em que as pessoas se importem mais umas com as outras e liguem menos para protocolos. Rogo por um mundo com namorados/namoradas, maridos/esposas menos sistemáticos, que usufruam mais da companhia de seus parceiros e que saibam valorizar mais o que existe de bom no outro.

Rogo por um mundo com mais conversas sobre livros e filmes, com mais conversas poéticas e filosóficas. Rogo por um mundo em que as pessoas pensem, escutem e compreendam mais. Rogo por um mundo onde o espontâneo e brincalhão não seja considerado ridículo e o bondoso, um tolo. Rogo por um mundo com menos espertalhões e mais sábios. Com mais perguntas e menos respostas. Com menos "Eu sei" e com mais "Que interessante!". Rogo por um mundo em que um livro seja considerado mais valioso do que uma bolsa e que as pessoas conheçam mais artistas, pensadores e filantropos do que grifes.

Rogo por um mundo com mais cores e possibilidades, onde esteja na última moda ter o seu estilo. Rogo por um mundo em que o amor nunca cai de moda e que uma rosa seja o presente mais precioso que um homem pode dar a uma mulher, pois simboliza toda a delicada e frágil beleza da vida.


Sílvia Marques

Paulistana, escritora, idealista em crise, bacharel em Cinema, cinéfila, professora universitária com alma de aluna, doutora em Comunicação e Semiótica, autodidata na vida, filósofa de botequim, com a alma tatuada de experiências trágicas, amante das artes , da boa mesa, dos vinhos, de papos loucos e ideias inusitadas. Serei uma atleta no dia em que levantamento de xícara de café se tornar modalidade esportiva. Sim, eu acredito realmente que um filme possa mudar a sua vida! Autora do blog Garota desbocada. Lancei recentemente em versão e-book pela Cia do ebook o romance O corpo nu..
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