cinema pensante

Como um bom filme pode mudar a nossa vida

Sílvia Marques

Paulistana, escritora, idealista em crise, bacharel em Cinema, cinéfila, professora universitária com alma de aluna, doutora em Comunicação e Semiótica, autodidata na vida, filósofa de botequim, com a alma tatuada de experiências trágicas, amante das artes , da boa mesa, dos vinhos, de papos loucos e ideias inusitadas. Serei uma atleta no dia em que levantamento de xícara de café se tornar modalidade esportiva. Sim, eu acredito realmente que um filme possa mudar a sua vida! Autora do blog Garota desbocada. Lancei recentemente em versão e-book pela Cia do ebook o romance O corpo nu.

Este monstro chamado solidão

Muitas vezes já estamos sozinhos mesmo estando oficialmente acompanhados. E não há solidão mais nefasta que a dois. Ser olhado sem ser visto. Falar sem ser entendido. Lutando sozinho por algo que o outro já largou mão. Engolindo o próprio senso de prazer por uma relação que é importante apenas para você.


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A infância é marcada por perigos inenarráveis. Temos medo do escuro, queremos ir para a cama dos pais depois de um pesadelo e nos assustamos verdadeiramente com filmes de terror.

Passada esta fase da vida, continuamos temendo monstros terríveis. O que muda não é a nossa insegurança diante da vida, mas os monstros que nos assombram. No lugar do Jason , do Freddy Krueger e de tantos outros seres estranhos, nos deparamos com o pior dos monstros: a solidão. Não corremos mais para a cama dos pais nem cobrimos a cabeça com o lençol. Continuamos na cama de quem não nos preza e escondemos a cabeça debaixo das mentiras que inventamos para nós mesmos.

Sou defensora da vida a dois. Mais do que isso. Acredito que devemos lutar bravamente para salvar uma relação. Afinal de contas nenhum relacionamento é prefeito e não devemos desistir de cada relação diante do primeiro imprevisto. Por outro lado, insistir em relações deterioradas ou até mesmo com morte cerebral decretada é perda de tempo. Mas se elas estão falidas, por que insistimos em manter os aparelhos ligados? Porque temos medo da solidão. Mais do que isso. Temos medo de mostrar que estamos sozinhos.

Só nos esquecemos de um detalhe importante: muitas vezes já estamos sozinhos mesmo estando oficialmente acompanhados. E não há solidão mais nefasta que a dois. Ser olhado sem ser visto. Falar sem ser entendido. Lutando sozinho por algo que o outro já largou mão. Engolindo o próprio senso de prazer por uma relação que é importante apenas para você.

O mais curioso é perceber que quando uma relação unilateral acaba, quem se sente mais culpado foi quem mais lutou por ela. Muitas vezes a pessoa que desiste de uma relação deteriorada se arrepende futuramente por ter dado um basta, quando a solidão começa a assombrar e até mesmo as mesquinharias do outro ganham um charme. Mas não se iludam. Mesquinharia não tem charme algum.

Pessimismo e frases cáusticas são atraentes apenas na boca de personagens de filmes. No dia a dia , pessimismo é um saco. É uma chatice sem tamanho conviver com alguém que acha que tudo vai dar errado sem ao menos ter tentado. No dia a dia, é um saco aturar gente que vê a garrafa sempre meia vazia e analisa o ser humano sob o seu pior viés. No dia a dia é um saco aguentar gente que só critica, que só reclama, que só desacredita, gente que diz que nada muda porque tem preguiça de mudar.

Um dia, uma linda aluna minha, uma garota cheia de luz e afetividade, me disse que eu não estava sozinha porque eu não havia perdido a minha capacidade de me comunicar. Ela leu isto em algum site e correu para me dizer. Acreditei nela. Não tema a solidão nem se culpe por não ter dado certo. Um amor se faz com duas pessoas e não adianta lutar sozinho.


Sílvia Marques

Paulistana, escritora, idealista em crise, bacharel em Cinema, cinéfila, professora universitária com alma de aluna, doutora em Comunicação e Semiótica, autodidata na vida, filósofa de botequim, com a alma tatuada de experiências trágicas, amante das artes , da boa mesa, dos vinhos, de papos loucos e ideias inusitadas. Serei uma atleta no dia em que levantamento de xícara de café se tornar modalidade esportiva. Sim, eu acredito realmente que um filme possa mudar a sua vida! Autora do blog Garota desbocada. Lancei recentemente em versão e-book pela Cia do ebook o romance O corpo nu..
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