cinema pensante

Como um bom filme pode mudar a nossa vida

Sílvia Marques

Paulistana, escritora, idealista em crise, bacharel em Cinema, cinéfila, professora universitária com alma de aluna, doutora em Comunicação e Semiótica, autodidata na vida, filósofa de botequim, com a alma tatuada de experiências trágicas, amante das artes , da boa mesa, dos vinhos, de papos loucos e ideias inusitadas. Serei uma atleta no dia em que levantamento de xícara de café se tornar modalidade esportiva. Sim, eu acredito realmente que um filme possa mudar a sua vida! Autora do blog Garota desbocada. Lancei recentemente em versão e-book pela Cia do ebook o romance O corpo nu.

Regras da vida: apologia ao amor maior

Não importa o que aconteça, não importa o quanto a vida seja dura e cruel, temos que ajudar e amar uns aos outros.


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O diretor sueco Lasse Hallström se centrou em contar histórias e amores carregados de doçura e compaixão

O filme Regras da vida, dirigido pelo cineasta sueco Lasse Hallström , no ano de 1999 não é o único exemplo de humanismo que o diretor registrou em sua longa carreira. Autor de Querido John, Minha vida de cachorro, Chocolate, Um porto seguro e Sempre ao seu lado, entre muitos outros, defende a seguinte tese em seus filmes: não importa o que aconteça, não importa o quanto a vida seja dura e cruel, temos que ajudar e amar uns aos outros.

Com uma linguagem bastante fluida, Regras da vida mostra com simplicidade que a maior regra é o amor maior. A trama se centra em um pequeno orfanato dirigido por um médico. Ele acolhe crianças que não tiveram outras oportunidades na vida e tenta poupá-las da crueza da realidade. Quando um interno falece, ele diz aos outros que a criança em questão foi adotada, enfim, encontrou uma família e consequentemente a felicidade.

Sem muitos recursos, ele faz regularmente uma sessão de cinema, sempre apresentando o mesmo filme. Mas a alegria das crianças é constantemente renovada. Mais importante do aquilo que elas assistem, é o ritual de estar junto, em comunhão, como uma grande família.

Algumas atitudes adotadas pelo diretor do orfanato, interpretado por Michael Caine, são pouco ortodoxas. Por outro lado, sentimos uma empatia forte por seu personagem pois tudo o que ele faz visa proteger os desamparados, aqueles que não podem contar com mais ninguém.

Ele é pessimista em relação a vida e acredita que a principal regra da sociedade é abandonar os mais fracos. Vai além. Acredita que nem sempre vale a pena nascer. Já o personagem vivido por Tobey Maguire acredita que a vida sempre vale a pena pois ele foi criado pelo bondoso médico e sua visão sobre o mundo é muito mais doce e generosa, pois ele conheceu o amor e o calor humano de uma verdadeira família, mesmo sem ter uma.

Lasse Hallström trabalha muito bem a questão da renúncia por um bem maior. A personagem interpretada por Charlize Theron começa o filme fazendo um aborto e o termina sacrificando a sua felicidade por um bem maior.

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Os personagens são de um humanismo profundo e mesmo em meio às barbáries da vida, sempre encontramos uma mão estendida para nós em algum momento. Pelo menos este é o recado do cineasta para nós.


Sílvia Marques

Paulistana, escritora, idealista em crise, bacharel em Cinema, cinéfila, professora universitária com alma de aluna, doutora em Comunicação e Semiótica, autodidata na vida, filósofa de botequim, com a alma tatuada de experiências trágicas, amante das artes , da boa mesa, dos vinhos, de papos loucos e ideias inusitadas. Serei uma atleta no dia em que levantamento de xícara de café se tornar modalidade esportiva. Sim, eu acredito realmente que um filme possa mudar a sua vida! Autora do blog Garota desbocada. Lancei recentemente em versão e-book pela Cia do ebook o romance O corpo nu..
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