cinema pensante

Como um bom filme pode mudar a nossa vida

Sílvia Marques

Profa. Doutora, escritora e psicanalista lacaniana. Indicada ao Jabuti 2013. Idealizadora da Pós em Cinema do Complexo FMU. www.psicanalistasilviamarques.com

Um brinde a todas as famílias

Muitos temem o fim da família. Enquanto as pessoas forem capazes de se amarem e cuidarem umas das outras, assumindo responsabilidades e dedicando boa parte do seu tempo e energia pelos seus entes queridos, a família continuará existindo.


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Atualmente anda-se discutindo muito o conceito de família. Mais uma vez, estamos burocratizando e racionalizando o que deveria ser entendido e formulado pelo coração.

Mais uma vez tentamos criar mecanismos de exclusão ao invés de incluir. Mais uma vez queremos definir quem tem o direito de sentir e amar. Queremos nos apropriar do direito de ser feliz.

Se para muitos o que define a existência de uma família é um casal heterossexual com filhos biológicos, creio que família é toda estrutura formada por pessoas que se amam, se respeitam e se protegem mutuamente.

Com que direito podemos dizer , por exemplo, que um filho adotivo é menos amado do que um biológico? Com que direito podemos dizer, por exemplo, que um casal sem filhos não é uma família? Com base em quais argumentos podemos criar uma hierarquia para classificar as famílias?

As possibilidades são inúmeras. Homens e mulheres sozinhas criam filhos biológicos ou adotivos com uma coragem comovente, acumulando três jornadas diárias: emprego, cuidados com a casa e com os filhos.

E o que dizer de tios e avós que criam sobrinhos e netos, mesmo tendo suas próprias responsabilidades? O que dizer de homens e mulheres que aceitam de braços abertos os filhos do cônjuge?

Muitos temem o fim da família. Enquanto as pessoas forem capazes de se amarem e cuidarem umas das outras, assumindo responsabilidades e dedicando boa parte do seu tempo e energia pelos seus entes queridos, a família continuará existindo. E não importa se a criança crescer com duas mães, dois pais, um casal hetero, um homem ou uma mulher sozinha. Não importa se a criança saiu da barriga da sua mãe ou se uma mãe sem filhos encontrou um filho sem mãe.

No final das contas o que importa mesmo é ter alguém para olhar por nós neste mundo tão caótico. Não importa de onde venha este amor contanto que ele seja verdadeiro.


Sílvia Marques

Profa. Doutora, escritora e psicanalista lacaniana. Indicada ao Jabuti 2013. Idealizadora da Pós em Cinema do Complexo FMU. www.psicanalistasilviamarques.com.
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