cinema pensante

Como um bom filme pode mudar a nossa vida

Sílvia Marques

Paulistana, escritora, idealista em crise, bacharel em Cinema, cinéfila, professora universitária com alma de aluna, doutora em Comunicação e Semiótica, autodidata na vida, filósofa de botequim, com a alma tatuada de experiências trágicas, amante das artes , da boa mesa, dos vinhos, de papos loucos e ideias inusitadas. Serei uma atleta no dia em que levantamento de xícara de café se tornar modalidade esportiva. Sim, eu acredito realmente que um filme possa mudar a sua vida! Autora do blog Garota desbocada. Lancei recentemente em versão e-book pela Cia do ebook o romance O corpo nu.

Compulsão assassina ou simplesmente compulsão

De um lado, uma mulher atormentada que respira comida. Do outro, uma angustiada atriz com bulimia , alimentada por suas amargas lembranças de uma mãe hedionda e de um passado de ultrajes em nome da fama e do dinheiro. Se para Amy , a comida é a melhor forma de demonstrar e conquistar amor, Saffron tenta expelir suas recordações juntamente com tudo que come.


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O filme Compulsão traduzido para o Brasil como Compulsão assassina mostra a simbiótica relação entre o ato de cozinhar com arte e o desejo avassalador de ser desesperadamente amada.

Amy, interpretada pela bela Heather Graham, é uma mulher altamente sofisticada que imagina prender o seu noivo pelo estômago e pela cama. Cozinhar com estilo e fazer amor, para ela, são um a extensão do outro.

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Ao preparar elaboradas iguarias em sua cozinha branca e moderna, imagina-se diante de uma plateia de verdade. Para Amy, tudo gira em torno do ato de cozinhar e comer bem, como simbologias do ato de amar e ser amada. Ela transforma a sua cozinha integrada á sala num verdadeiro estúdio televisivo pois em sua mente embola sonho e realidade.

Porém, a sofisticada cozinheira descobre que seu noivo se compraz comendo um sanduíche com uma colega de trabalho. Seu gosto alimentar simples parece ofendê-la tanto quanto sua traição sexual. Amy associava uma comida simples com uma vida sexual barata.

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Amy, depois de encerrar seu relacionamento em alto estilo, para não dizer em um estilo bem cruel, começa a ver a sua obsessão por uma atriz ampliada. Amy é fã da atriz Saffron, que se mudou para o apartamento da frente. E é aí que começa o filme.

De um lado, uma mulher atormentada que respira comida. Do outro, uma angustiada atriz com bulimia , alimentada por suas amargas lembranças de uma mãe hedionda e de um passado de ultrajes em nome da fama e do dinheiro. Se para Amy a comida é a melhor forma de demonstrar e conquistar amor, Saffron tenta expelir suas recordações juntamente com tudo que come. Amy quer luzes sobre si enquanto Saffron quer as sombras, a tranquilidade do seu apartamento escuro. Saffron conhece os altos preços a pagar por uma vida sob holofotes.

Os apartamentos de Amy e Saffron traduzem bem seus estilos de vida e aspirações. O de Amy é claro. A cor branca sobressai e o estilo é moderno. A cozinha integrada à sala proporciona uma sensação de amplitude como o olhar de Amy que se deslumbra e vaga sem rumo, em busca de possibilidades variadas.

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O apartamento de Saffron é escuro e uma grade perto da sua escrivaninha proporciona uma ruptura visual, simbolizando uma vida com perspectivas mais restritas. As roupas das personagens também comunicam bastante. Saffron usa uma capa preta quando vai à rua e suas roupas de um modo geral são escuras. Amy usa vestidos mimosos, sapatos bem altos e abusa das cores vivazes como o vermelho. Seu figurino nos remete a um tempo em que cuidar bem da casa e ainda se manter elegante eram ideais de vida. Outro elemento saudosista de Amy é seu gosto por filmes antigos.

Um filme soturno realizado com cores vivazes. Um mar de obsessões representado por duas belas mulheres que se descobrem a si e a outra por meio de um insólito e poderoso vínculo afetivo. Um filme delicadamente erótico, profundamente obsessivo e deliciosamente indigesto.


Sílvia Marques

Paulistana, escritora, idealista em crise, bacharel em Cinema, cinéfila, professora universitária com alma de aluna, doutora em Comunicação e Semiótica, autodidata na vida, filósofa de botequim, com a alma tatuada de experiências trágicas, amante das artes , da boa mesa, dos vinhos, de papos loucos e ideias inusitadas. Serei uma atleta no dia em que levantamento de xícara de café se tornar modalidade esportiva. Sim, eu acredito realmente que um filme possa mudar a sua vida! Autora do blog Garota desbocada. Lancei recentemente em versão e-book pela Cia do ebook o romance O corpo nu..
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