cinema pensante

Como um bom filme pode mudar a nossa vida

Sílvia Marques

Paulistana, escritora, idealista em crise, bacharel em Cinema, cinéfila, professora universitária com alma de aluna, doutora em Comunicação e Semiótica, autodidata na vida, filósofa de botequim, com a alma tatuada de experiências trágicas, amante das artes , da boa mesa, dos vinhos, de papos loucos e ideias inusitadas. Serei uma atleta no dia em que levantamento de xícara de café se tornar modalidade esportiva. Sim, eu acredito realmente que um filme possa mudar a sua vida! Autora do blog Garota desbocada. Lancei recentemente em versão e-book pela Cia do ebook o romance O corpo nu.

Em defesa das mulheres reais

Mulheres fazem dietas malucas para se adequarem a uma moda que as desconsideram. Entendo que vestir mulheres bem altas e bem magras é mais simples para os estilistas, mas a vida real não é um desfile.


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Li uma matéria que me interessou muito: sobre uma modelo australiana com síndrome de Down. Ela é descolada, conhece as suas limitações e potencial, faz uso da internet para divulgar seu trabalho, conta com a ajuda da sua mãe, se preocupa com a alimentação. Enfim, as diferenças não parecem tão grandes em relação a uma moça sem síndrome de Down. Considerei um grande passo dado pelo mundo da moda.

Acredito firmemente que a moda se tornará algo realmente importante e representativo na nossa sociedade quando ela começar a dialogar realmente e constantemente com a sociedade.

A moda está focada em uma parcela ínfima da população. Mulheres extremamente altas e magras. E as baixinhas magras? E as baixinhas com muito quadril? E as altas corpulentas? Mulheres com menos de 1,75 ou com uns quilinhos a mais não existem ou são a minoria da população? Andando pelas ruas, o que mais vemos são mulheres com menos de 1,75 e alguma parte do corpo mais avantajada para os critérios do mundo da moda.

Toda mulher quer se vestir bem . Toda mulher gosta de colocar um vestido novo, se olhar no espelho e sentir que aquela roupa tem a cara dela.

Roupas e sapatos fazem parte da nossa rotina e comunicam muito sobre aquilo que somos, queremos e sentimos. As roupas deveriam nos expressar e nos adequar ao nosso estilo de vida e ao nosso corpo, não o contrário. Mulheres fazem dietas malucas para se adequarem a uma moda que as desconsideram. Entendo que vestir mulheres bem altas e bem magras é mais simples para os estilistas, mas a vida real não é um desfile.

A vida real é formada por mulheres que precisam se vestir para trabalhar, estudar, namorar etc e deveriam encontrar com facilidade modelos que sejam pensados para os mais variados tipos de corpos. Vou além: deveríamos ver nas passarelas mulheres com variados tipos físicos. Imagina uma mulher com 1,80 passando de um lado e outra com 1,50 passando do outro. Alguns diriam que ficaria antiestético. Eu diria que ficaria humanamente lindo. Seria um verdadeiro brinde à diversidade e à valorização de todas nós.

No dia em que a moda for democratizada e vermos mulheres de todas as alturas , pesos , com os mais variados formatos e tamanhos de seios, quadris , nádegas etc desfilando e representando mulheres com as mesmas características , a moda sim poderá render debates e artigos realmente instigantes. Ao vermos na passarela uma modelo com um corpo semelhante ao nosso, poderíamos nos identificar com ela e criar uma conexão afetiva mais poderosa com a moda.

Infelizmente , a moda atual funciona como mais um mecanismo de discriminação e fomentação do preconceito e de um ideal impossível para a maioria das mulheres. Deveríamos ser incentivadas a gostar do nosso corpo do jeito que ele é pois todo corpo tem a sua dinâmica, a sua beleza, a sua graça, que vai muito além de critérios puramente estéticos.


Sílvia Marques

Paulistana, escritora, idealista em crise, bacharel em Cinema, cinéfila, professora universitária com alma de aluna, doutora em Comunicação e Semiótica, autodidata na vida, filósofa de botequim, com a alma tatuada de experiências trágicas, amante das artes , da boa mesa, dos vinhos, de papos loucos e ideias inusitadas. Serei uma atleta no dia em que levantamento de xícara de café se tornar modalidade esportiva. Sim, eu acredito realmente que um filme possa mudar a sua vida! Autora do blog Garota desbocada. Lancei recentemente em versão e-book pela Cia do ebook o romance O corpo nu..
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