cinema pensante

Como um bom filme pode mudar a nossa vida

Sílvia Marques

Paulistana, escritora, idealista em crise, bacharel em Cinema, cinéfila, professora universitária com alma de aluna, doutora em Comunicação e Semiótica, autodidata na vida, filósofa de botequim, com a alma tatuada de experiências trágicas, amante das artes , da boa mesa, dos vinhos, de papos loucos e ideias inusitadas. Serei uma atleta no dia em que levantamento de xícara de café se tornar modalidade esportiva. Sim, eu acredito realmente que um filme possa mudar a sua vida! Autora do blog Garota desbocada. Lancei recentemente em versão e-book pela Cia do ebook o romance O corpo nu.

Não quero viver até os 90 anos comendo rúcula

Cresci comendo macarrão e um bom prato de massa com bastante parmesão por cima de um belo molho basílico é quase o mesmo que sentir o calor de um abraço na alma. Não deixo de comer frutas. Mas não abro mão do chocolate. Um quadradinho por dia, derretendo lentamente na boca com aquele gostinho de felicidade.


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Estamos perdendo o prazer de comer. Estamos transformando uma necessidade fisiológica e afetiva em uma obrigação chata e penosa em nome de padrões estéticos irreais e neuróticos

Antes que os defensores da alimentação saudável soltem os cachorros em cima de mim, adianto que não tenho nada contra se alimentar corretamente. Mas o que me incomoda é a ditadura da rúcula.

Há poucos anos comia-se de tudo de forma indiscriminada. Saímos de um extremo e partimos para outro. Tudo faz mal. Tudo engorda. Tudo deve ser evitado. O prazer de comer é a cada dia mais sacrificado e todo o sentido lúdico e afetivo da alimentação vem se perdendo gradativamente até se tornar um dever chato. Mais um peso do que algo prazeroso e acolhedor.

Mais que fornecer nutrientes, a alimentação tem um papel afetivo em nossas vidas. A alimentação é inclusive um elemento cultural essencial para nos sentirmos aconchegados e integrados com as nossas raízes. Comer junto estreita os laços, aumenta a cumplicidade. Preparar uma refeição para alguém é uma benção, mas atualmente o pânico em relação a engordar 100 gramas é tão grande que está começando a ficar chato cozinhar para os outros também. Quem cozinha, quer ver o outro comendo com alegria , com prazer. Culpa é o pior tempero para qualquer comida. Não harmoniza com nenhum vinho. Azeda demais o tempero da salada. Faz tudo cair meio pesado.

Muitos alegam que cortando radicalmente carnes e doces e substituindo por toneladas de verduras, poderemos viver mais tempo e com mais qualidade de vida. Mas o que é qualidade de vida? Ser obrigado a se exercitar todos os dias mesmo sem gostar, se encher de salada e se privar do prazer de uma picanha ou de uma porção de fritas com um chope estupidamente gelado? Não defendo o sedentarismo muito menos comer fritura todos os dias, mas ficar contando as calorias de cada alimento que botamos na boca também não me parece muito saudável.

Um cardiologista com visão mais humanística disse uma vez que alguns dos seus pacientes eram mais gordinhos mesmo e se sentiam bem. Também não estou defendendo a obesidade. Mas acho que estamos pirando demais por causa de 2 ou 3 quilinhos a mais.

Uma nutricionista queria tirar da minha alimentação o macarrão e incluir o peixe. Tirando salmão, não como outros peixes e na época nem o salmão comia. Por outro lado, o macarrão é um alimento muito importante para mim não só pelo sabor, mas por toda uma referência afetiva.

Cresci comendo macarrão e um bom prato de massa com bastante parmesão por cima de um belo molho basílico é quase o mesmo que sentir o calor de um abraço na alma. Não deixo de comer frutas. Mas não abro mão do chocolate. Um quadradinho por dia , derretendo lentamente na boca com aquele gostinho de felicidade. Não deixo de comer verduras e legumes. Mas não me privo do meu cafezinho com açúcar que faz o dia começar bem melhor. E nem me privo de passar o meu pãozinho nas sobras do molho de tomate. Normalmente como carnes magras, mas no barzinho com os amigos , não fico olhando com lágrimas nos olhos para o provolone à milanesa.

Enfim, por que iria eu querer viver até os 90 anos comendo o que não gosto e excluindo o que adoro? Comer com prazer também faz bem à saúde.


Sílvia Marques

Paulistana, escritora, idealista em crise, bacharel em Cinema, cinéfila, professora universitária com alma de aluna, doutora em Comunicação e Semiótica, autodidata na vida, filósofa de botequim, com a alma tatuada de experiências trágicas, amante das artes , da boa mesa, dos vinhos, de papos loucos e ideias inusitadas. Serei uma atleta no dia em que levantamento de xícara de café se tornar modalidade esportiva. Sim, eu acredito realmente que um filme possa mudar a sua vida! Autora do blog Garota desbocada. Lancei recentemente em versão e-book pela Cia do ebook o romance O corpo nu..
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