cinema pensante

Como um bom filme pode mudar a nossa vida

Sílvia Marques

Paulistana, escritora, idealista em crise, bacharel em Cinema, cinéfila, professora universitária com alma de aluna, doutora em Comunicação e Semiótica, autodidata na vida, filósofa de botequim, com a alma tatuada de experiências trágicas, amante das artes , da boa mesa, dos vinhos, de papos loucos e ideias inusitadas. Serei uma atleta no dia em que levantamento de xícara de café se tornar modalidade esportiva. Sim, eu acredito realmente que um filme possa mudar a sua vida! Autora do blog Garota desbocada. Lancei recentemente em versão e-book pela Cia do ebook o romance O corpo nu.

Quando nos apaixonamos loucamente pela ideia de amar

Quando amamos ou imaginamos amar deixamos de ser um estranho para nós mesmos e descobrimos todo nosso potencial destrutivo e revolucionário. Para o cineasta espanhol Luis Buñuel, amor e revolta eram as palavras mais revolucionárias que existem. E quanto mais ingênuo, iludido e patético é o amor que sentimos ou desejamos sentir, mais nos revelamos , mais revelamos o que inconscientemente ou não escondemos de nós mesmos. Quando amamos, as máscaras caem e já não existem mais meias palavras. Somos o que somos.


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Já diria Lord Byron por meio do personagem Don Juan que “na sua primeira paixão, a mulher ama seu amante, em todas as outras ela só ama o amor.”

Não entrarei no mérito da questão até mesmo porque quando o assunto é amor quase todo mundo é pós graduado em sentir, mas analfabeto funcional em pensar e definir.

Esta frase me parece fascinante pois desnuda uma possibilidade que muitas vezes resistimos a aceitar: às vezes o amor em si é mais importante para nós do que o objeto amado. Ás vezes penso que o que menos nos interessa é o objeto em si. Precisamos de alguém que funcione como um canal por onde flua toda a nossa devastadora energia amorosa. Precisamos amar como respiramos, como acordamos pela manhã e pensamos: “Hoje será melhor do que ontem”.

O amor faz a nossa humanidade fluir e jorrar. O amor nos sensibiliza, ressignifica a nossa miserável condição humana, empresta um sentido maior à vida, proporciona um significado que não encontramos por meio de mais nada. O amor nos conecta conosco mesmo e é a mais poderosa ferramenta de autoconhecimento. Por meio dele nos deparamos com a gente mesmo, com tudo aquilo de mais belo e horrendo que existe na natureza humana.

Quando amamos ou imaginamos amar deixamos de ser um estranho para nós mesmos e descobrimos todo nosso potencial destrutivo e revolucionário. Para o cineasta espanhol Luis Buñuel, amor e revolta eram as palavras mais revolucionárias que existem. E quanto mais ingênuo, iludido e patético é o amor que sentimos ou desejamos sentir, mais nos revelamos , mais revelamos o que inconscientemente ou não escondemos de nós mesmos. Quando amamos, as máscaras caem e já não existem mais meias palavras. Somos o que somos.

Neste sentido, nenhum amor é em vão. Nem os reais nem os imaginários. Um amor é sempre um encontro brutal e essencial com tudo aquilo que não conseguimos ver por detrás dos protocolos e máscaras sociais . Não é à toa, que o amor infeliz é o motivo que mais leva pessoas a consultórios psicológicos.

O amor nos oferta uma visão nossa tão intolerável e maravilhosa ao mesmo tempo que precisamos de ajuda profissional para lidar com tantas descobertas e enfrentamentos. Dizem que amor romântico é uma espécie de doença. Não sei dizer. Na minha visão poética, diria que é uma substância altamente corrosiva que faz derreter a nossa hipocrisia e empáfia sobre a vida e sobre nós mesmos.

O amor nos faz grandes e pequenos ao mesmo tempo. O amor é como um quarto cheio de espelhos , onde podemos nos avistar por todos os ângulos simultaneamente. O conjunto dos nossos fragmentos nos revelam a imensidão da nossa totalidade. E quanto mais fragmentados nos sentimos, mais inteiros nos enxergamos.

Talvez, seja esta uma das razões para amarmos tanto pessoas que racionalmente falando desprezamos. Talvez, por isso permitamos ser subjugados por pessoas que não admiramos. Talvez, por isso existam tantos casais que dizem se amar , mas não se entendem nem se respeitam. Dizem que as melhores pessoas são as que mais sofrem no amor. Faz sentido. Estas pessoas emprestam a sua generosidade e vontade de proporcionar felicidade para o outro como se tais características pertencessem a seu parceiro/parceira e não a ela/ele. Como diria Choderlos de Laclos, autor de "As relações perigosas", "O encanto que supomos encontrar nos outros, só em nós existe; e é apenas o amor que tanto embeleza o objeto amado".


Sílvia Marques

Paulistana, escritora, idealista em crise, bacharel em Cinema, cinéfila, professora universitária com alma de aluna, doutora em Comunicação e Semiótica, autodidata na vida, filósofa de botequim, com a alma tatuada de experiências trágicas, amante das artes , da boa mesa, dos vinhos, de papos loucos e ideias inusitadas. Serei uma atleta no dia em que levantamento de xícara de café se tornar modalidade esportiva. Sim, eu acredito realmente que um filme possa mudar a sua vida! Autora do blog Garota desbocada. Lancei recentemente em versão e-book pela Cia do ebook o romance O corpo nu..
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