cinema pensante

Como um bom filme pode mudar a nossa vida

Sílvia Marques

Paulistana, escritora, idealista em crise, bacharel em Cinema, cinéfila, professora universitária com alma de aluna, doutora em Comunicação e Semiótica, autodidata na vida, filósofa de botequim, com a alma tatuada de experiências trágicas, amante das artes , da boa mesa, dos vinhos, de papos loucos e ideias inusitadas. Serei uma atleta no dia em que levantamento de xícara de café se tornar modalidade esportiva. Sim, eu acredito realmente que um filme possa mudar a sua vida! Autora do blog Garota desbocada. Lancei recentemente em versão e-book pela Cia do ebook o romance O corpo nu.

Quando o amor não acontece

Viramos crianças grandes, mimadas. Não sabemos mais lidar com as frustrações. Não sabemos mais esperar. A ansiedade nos faz pular de cama em cama, de história em história até a nossa história de vida se tornar uma grande e melancólica colcha de retalhos.
Nossa vida amorosa virou um mosaico bizarro, uma série de coitos interrompidos.


Mulher em primeiro plano com cara de triste e homem no segundo plano e desfocado.jpg

Falamos que estamos vivendo na Era dos amores líquidos como defende o grande sociólogo polonês Bauman. Mais do que isso. Nada foi feito para durar. Porém, acho que talvez o termo mais exato e menos delicado para definir as relações do nosso tempo é desamor seco.

A emoção devastadora que sentimos ao esbarrar com alguém muito interessante é paixão. O amor não tem relação com mãos suadas e coração disparado. Nem com boca seca e vontade de fazer amor 17 vezes por dia. Amor não é micareta nem fogos de artifício. Amor é cotidiano, é denso, profundo.

Amor precisa de tempo para se formar e se consolidar. Antes que ele aconteça, no vão entre o fim da louca paixão e do início de seu surgimento, os pares se desfazem como quem se livra de botinas velhas ou meias furadas.

Temos pressa. Não lidamos com os altos e baixos. Não nos dedicamos para superar as crises, atravessar o tédio, reciclar a mesmice em algo especial. Para transformar paixão em amor é preciso uma complexa combinação entre paciência, criatividade e generosidade com o outro e consigo mesmo.

Viramos crianças grandes, mimadas. Não sabemos mais lidar com as frustrações. Não sabemos mais esperar. A ansiedade nos faz pular de cama em cama, de história em história até a nossa história de vida se tornar uma grande e melancólica colcha de retalhos. Nossa vida amorosa virou um mosaico bizarro, uma série de coitos interrompidos.

Quando não há tempo para o amor acontecer, só resta o vazio, só resta a sensação de que convivemos por um tempo com um ilustre desconhecido e a memória se torna um depósito de lembranças indigentes.

Quando o amor não acontece, não há doçura no desfecho pois nunca houve um vínculo verdadeiro entre as partes. O corte é seco como o de um filme experimental ou material bruto. Não tem trilha sonora pois não houve tempo para editar. Escutamos apenas o som ambiente com aquela tristeza que brota no peito quando as coisas não chegam a realmente acontecer. Quando o amor não acontece tudo o que vivemos com o outro se esvai em pouco tempo.


Sílvia Marques

Paulistana, escritora, idealista em crise, bacharel em Cinema, cinéfila, professora universitária com alma de aluna, doutora em Comunicação e Semiótica, autodidata na vida, filósofa de botequim, com a alma tatuada de experiências trágicas, amante das artes , da boa mesa, dos vinhos, de papos loucos e ideias inusitadas. Serei uma atleta no dia em que levantamento de xícara de café se tornar modalidade esportiva. Sim, eu acredito realmente que um filme possa mudar a sua vida! Autora do blog Garota desbocada. Lancei recentemente em versão e-book pela Cia do ebook o romance O corpo nu..
Saiba como escrever na obvious.
version 1/s/recortes// @obvious, @obvioushp //Sílvia Marques