cinema pensante

Como um bom filme pode mudar a nossa vida

Sílvia Marques

Paulistana, escritora, idealista em crise, bacharel em Cinema, cinéfila, professora universitária com alma de aluna, doutora em Comunicação e Semiótica, autodidata na vida, filósofa de botequim, com a alma tatuada de experiências trágicas, amante das artes , da boa mesa, dos vinhos, de papos loucos e ideias inusitadas. Serei uma atleta no dia em que levantamento de xícara de café se tornar modalidade esportiva. Sim, eu acredito realmente que um filme possa mudar a sua vida! Autora do blog Garota desbocada. Lancei recentemente em versão e-book pela Cia do ebook o romance O corpo nu.

Sobre a capacidade de estabelecer vínculos

Ter um vínculo especial com alguém, independente de ser uma amizade, uma relação familiar ou um namoro/casamento é o mesmo que ter a pessoa impressa em nossa alma, arraigada à nossa História, fazendo parte da constituição das nossas lembranças mais profundas e do nosso ser como um todo.


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Vínculo nada mais é que uma ligação. Quando alguém é contratado por uma empresa, se diz que esta pessoa tem um vínculo empregatício, isto é, está ligada, conectada à empresa.

Na vida afetiva estabelecemos vínculos desde a mais tenra infância. Primeiramente com a mãe. Mesmo um bebezinho muito novo reconhece o cheiro e a voz materna, se sentindo acalentado e em harmonia ao encontro do seio da mesma.

O bebê também estabelece rapidamente vínculos fortes com o pai e outros parentes que convivem em sua casa com grande regularidade.

Na escolinha, mesmo as crianças bem pequenas já se sentem mais confortáveis e felizes perto de determinados coleguinhas e professoras.

E por aí vamos por toda a nossa vida, construindo relações a partir de sentimentos e emoções que as pessoas nos despertam. Amamos nossos parentes e desejamos apenas coisas boas a eles, mas fortalecemos mais os vínculos com alguns membros da família. O mesmo podemos dizer em relação a colegas, ex-colegas e até mesmo à amigos.

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Fazemos amizades e temos boas relações profissionais durante toda a vida, mas com alguns colegas os projetos fluem melhor e com alguns amigos a relação vai mais fundo, tem mais intimidade, cumplicidade e de certa forma sentimos a nossa vida irremediavelmente unida a destas pessoas.

Quanto mais forte o vínculo, mais poderosa a relação. Sem vínculos fortes, elementos externos abalam a amizade. Muita gente afirma que se afasta de um amigo porque este deixou de trabalhar na mesma empresa ou se mudou para outra cidade. Concordo que a distância geográfica atrapalha encontros frequentes, mas se a amizade é verdadeira, em algum momento, estas pessoas vão arrumar um jeito de se reencontrarem, por mais que este dia demore a chegar. E quando finalmente ocorrer o reencontro, ambas as partes sentirão que nada mudou apesar do tempo distante.

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Ter um vínculo especial com alguém, independente de ser uma amizade, uma relação familiar ou um namoro/casamento é o mesmo que ter a pessoa impressa em nossa alma, arraigada à nossa História, fazendo parte da constituição das nossas lembranças mais profundas e do nosso ser como um todo.

Milhares de pessoas passam por nossa vida. Muitas apenas uma vez. Outras repetidas vezes, durante anos, mas nem por isso se integram à nós por mais que tenhamos um relacionamento cordial e até mesmo agradável. Quem já não passou pela situação de simpatizar com um vizinho ou um colega, mas não ter vontade de aprofundar a relação? Por tal razão, com alguns vizinhos só conversamos no elevador. Com outros, levamos para casa. Por tal razão, com alguns colegas tomamos um café de vez em quando. Com outros, nos tornamos sócios, amigos, confidentes. Por tal razão, encontramos alguns parentes só em datas festivas ou em casos de enfermidade e com outros partilhamos o nosso dia a dia.

Mas por que isso acontece? Por que nos sentimos mais impelidos para algumas pessoas do que para outras? Por que sentimos mais falta do amigo A do que do B mesmo os dois sendo gentis, inteligentes, confiáveis etc? O amor, a paixão e a amizade ainda são temas misteriosos para a ciência e embora os pesquisadores compreendam uma série de reações que tais sentimentos desencadeiam em nosso cérebro, ainda existem muitas perguntas sem resposta para definir os porquês das relações humanas. Arrisco a dizer com o meu olhar de leiga extremamente afetuosa que nos ligamos, nos vinculamos mais fortemente com aqueles que além de apresentarem um grande número de gostos em comum e uma forma de organizar o pensamento semelhante, sentem de forma parecida e apresentam necessidades psicológicas congruentes, levando em conta que relações são espelhos.

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O vínculo afetivo poderoso é uma ligação existente entre duas pessoas que se amam profundamente independente de todas as distâncias, diferenças e dificuldades que se colocam entre elas.

Sem vínculos a vida não faz sentido pois é só por meio deles que nos relacionamos verdadeiramente e temos nossas emoções mais profundas ativadas. É só por meio deles que fazemos a diferença na vida dos outros e os outros fazem a diferença na vida da gente. É só por meio deles que nos transformamos por meio das pessoas e as pessoas se transformam por meio de nós. Os vínculos nos sensibilizam. São os vínculos que trazem à tona o mais poderoso da nossa Humanidade.

Dedico este texto à Marisa Aguetoni Fontes, uma prima muito querida com quem desenvolvi um vínculo muito poderoso e sugeriu o tema deste texto.


Sílvia Marques

Paulistana, escritora, idealista em crise, bacharel em Cinema, cinéfila, professora universitária com alma de aluna, doutora em Comunicação e Semiótica, autodidata na vida, filósofa de botequim, com a alma tatuada de experiências trágicas, amante das artes , da boa mesa, dos vinhos, de papos loucos e ideias inusitadas. Serei uma atleta no dia em que levantamento de xícara de café se tornar modalidade esportiva. Sim, eu acredito realmente que um filme possa mudar a sua vida! Autora do blog Garota desbocada. Lancei recentemente em versão e-book pela Cia do ebook o romance O corpo nu..
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