cinema pensante

Como um bom filme pode mudar a nossa vida

Sílvia Marques

Paulistana, escritora, idealista em crise, bacharel em Cinema, cinéfila, professora universitária com alma de aluna, doutora em Comunicação e Semiótica, autodidata na vida, filósofa de botequim, com a alma tatuada de experiências trágicas, amante das artes , da boa mesa, dos vinhos, de papos loucos e ideias inusitadas. Serei uma atleta no dia em que levantamento de xícara de café se tornar modalidade esportiva. Sim, eu acredito realmente que um filme possa mudar a sua vida! Autora do blog Garota desbocada. Lancei recentemente em versão e-book pela Cia do ebook o romance O corpo nu.

Sobre nojo e submissão

Quantas pessoas não cuspiriam na cara do parceiro/parceira todo o seu ódio contido, preso na garganta em nome de um status social?
Quantas pessoas não precisam pensar em outros homens ou mulheres para suportarem o parceiro/parceira na cama? Quantos casais não fazem sexo há meses ou há anos?


wmX-528x307x3-4e7356f81cf62f5ebd5427e6ca1ef9991163589bbf83f_bigthumb570.jpg

Como vi num filme italiano dos anos 1970, nada une mais duas pessoas do que um vício em comum. Vou além. Nada une mais duas pessoas do que um crime compartilhado, um medo insano da vida, um sentimento de comodismo paralisante.

Deveríamos querer nos relacionar com quem nos faz crescer, com quem nos acompanha em voos cada vez mais altos. Mas muitas vezes, na prática, buscamos mesmo que inconscientemente quem reforça os nossos defeitos, as nossas manias, a nossa mesquinharia, a nossa sordidez.

Quantos casais não ficam juntos mesmo se odiando por medo da solidão? Melhor dizendo, por medo de se assumirem sozinhos porque na prática já estão.

Quantos homens e mulheres se aproximam e seduzem pessoas que lhes parecem menos arriscadas? Quantos homens e mulheres por medo da rejeição ou da traição optam por parceiros insossos para fugirem de uma possível dor? Nos esquecemos de que alguém sem sal para nós pode ser muito atraente para outras pessoas.

Quantos casais não criam ou se agarram a pretextos ridículos ou até mesmo imaginários para manterem relações falidas, sem o menor nível de respeito e amizade?

Quantas pessoas não se sentem acompanhadas pelo último homem ou pela última mulher do mundo?

Quantas pessoas não cuspiriam na cara do parceiro/parceira todo o seu ódio contido, preso na garganta em nome de um status social? Quantas pessoas não precisam pensar em outros homens ou mulheres para suportarem o parceiro/parceira na cama? Quantos casais não fazem sexo há meses ou há anos?

Ter um namorado/namorada, marido/esposa não significa estar necessariamente acompanhado/acompanhada. Ter um parceiro/parceira não significa estar amando e sendo amado.

Muitas pessoas precisam respirar fundo e engolir a seco o próprio nojo de tudo para se submeter a uma relação e a uma realidade pavorosa.

O que acontece na intimidade de um casal, nos limites da casa de cada par é um abismo impenetrável, cheio de segredos. A vida não é um post do Facebook onde todo mundo sorri e os casais se divertem na praia ou nas montanhas. Para podermos postar fotos das férias a dois precisamos, em alguns casos, suportar o insuportável, tolerar o intolerável, dizer o impronunciável, calar o que vem à boca.

Em alguns casos para manter o status de relacionamento sério nas redes sociais e na vida real, é preciso passar por cima do nosso orgasmo, do nosso orgulho, da nossa dignidade. Infinitos e indizíveis são os horrores aos quais nos submetemos por uma ilusão ou vislumbre de amor. Nos esquecemos de que só poderemos encontrar o amor verdadeiro quando nos desligarmos das ilusões, da ansiedade e do fantasma da solidão.


Sílvia Marques

Paulistana, escritora, idealista em crise, bacharel em Cinema, cinéfila, professora universitária com alma de aluna, doutora em Comunicação e Semiótica, autodidata na vida, filósofa de botequim, com a alma tatuada de experiências trágicas, amante das artes , da boa mesa, dos vinhos, de papos loucos e ideias inusitadas. Serei uma atleta no dia em que levantamento de xícara de café se tornar modalidade esportiva. Sim, eu acredito realmente que um filme possa mudar a sua vida! Autora do blog Garota desbocada. Lancei recentemente em versão e-book pela Cia do ebook o romance O corpo nu..
Saiba como escrever na obvious.
version 9/s/recortes// @obvious //Sílvia Marques
Site Meter