cinema pensante

Como um bom filme pode mudar a nossa vida

Sílvia Marques

Paulistana, escritora, idealista em crise, bacharel em Cinema, cinéfila, professora universitária com alma de aluna, doutora em Comunicação e Semiótica, autodidata na vida, filósofa de botequim, com a alma tatuada de experiências trágicas, amante das artes , da boa mesa, dos vinhos, de papos loucos e ideias inusitadas. Serei uma atleta no dia em que levantamento de xícara de café se tornar modalidade esportiva. Sim, eu acredito realmente que um filme possa mudar a sua vida! Autora do blog Garota desbocada. Lancei recentemente em versão e-book pela Cia do ebook o romance O corpo nu.

Estereótipos como signos culturais

Como se costuma dizer, uma mentira contada muitas vezes se torna verdade. Acreditamos firmemente que nossos valores , costumes e crenças são naturais e normais pois estamos acostumados a eles. Mas se tivéssemos nascido numa outra cultura ou simplesmente numa outra família e classe social, provavelmente pensaríamos de forma diferente a respeito de muitos temas.


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Formamos imagens muito fortes em nossa mente a respeito de temas variados a partir das relações que estabelecemos entre estes mesmos temas com outros. Quando tais imagens se solidificam se tornam símbolos culturais. Nossos costumes e crenças são convenções, portanto são símbolos. E muitos destes símbolos se baseiam em estereótipos.

Como se costuma dizer, uma mentira contada muitas vezes se torna verdade. Acreditamos firmemente que nossos valores , costumes e crenças são naturais e normais pois estamos acostumados a eles. Mas se tivéssemos nascido numa outra cultura ou simplesmente numa outra família e classe social, provavelmente pensaríamos de forma diferente a respeito de muitos temas.

Por que tantas pessoas têm dificuldade para entender um casal jovem , saudável, com boas condições financeiras que não quer ter filhos? A primeira ideia que vem à cabeça é que um dos dois é estéril. Se o casal assume não querer mesmo é olhado em um misto de piedade e horror.

Por que tantas pessoas têm dificuldade para entender que filhos não são signos da felicidade e sucesso? Não são souvenires de viagens exóticas que dão um charme à casa. Por que tantas pessoas acreditam que a felicidade é linear e padronizada? Para ser feliz , todos precisam ter um emprego numa empresa famosa, ter o carro do ano, casar com alguém tradicional , ter dois filhos, de preferência um menino e uma menina?

Por que tantas pessoas não conseguem entender que dois homens ou duas mulheres podem criar um filho? Por que tanta gente acredita que pessoas com aparência convencional têm um caráter mais estável? Por que um homem todo tatuado e com cabelos longos não pode assumir um cargo de alta responsabilidade numa empresa importante? Por que executivas devem usar pouca maquiagem, cabelos curtos e terninhos em cores neutras? Para se parecem homens? Uma mulher que curte batom, unhas esmaltadas e vestidos floridos não têm capacidade intelectual para ser uma executiva? A mulher para ser competente precisa se vestir de forma semelhante a um homem?

Por que cabelos lisos são considerados mais bonitos e elegantes? Por que acreditamos que determinadas áreas do conhecimento são mais importantes? Por que acreditamos em uma religião e não nas outras?

Se fôssemos questionados a respeito das nossas principais escolhas e crenças, provavelmente gaguejaríamos muito antes de responder ou responderíamos na lata: "Penso assim porque me ensinaram desta forma". "Sou católica , metodista ou espírita" porque minha família é." "Prefiro este tipo de trabalho porque as pessoas de sucesso escolheram este caminho"."Acho determinado tipo de roupa inadequado pois quase ninguém a usa". Entendem o que quero dizer? Não sabemos por que tais atitudes e padrões são os melhores. Simplesmente os aceitamos porque os conhecemos desde sempre, como crianças que dizem gostar de A ou B porque a mãe disse que é bom.

As questões aparentemente mais simples e óbvias, talvez, sejam as mais difíceis de se responder.


Sílvia Marques

Paulistana, escritora, idealista em crise, bacharel em Cinema, cinéfila, professora universitária com alma de aluna, doutora em Comunicação e Semiótica, autodidata na vida, filósofa de botequim, com a alma tatuada de experiências trágicas, amante das artes , da boa mesa, dos vinhos, de papos loucos e ideias inusitadas. Serei uma atleta no dia em que levantamento de xícara de café se tornar modalidade esportiva. Sim, eu acredito realmente que um filme possa mudar a sua vida! Autora do blog Garota desbocada. Lancei recentemente em versão e-book pela Cia do ebook o romance O corpo nu..
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