cinema pensante

Como um bom filme pode mudar a nossa vida

Sílvia Marques

Paulistana, escritora, idealista em crise, bacharel em Cinema, cinéfila, professora universitária com alma de aluna, doutora em Comunicação e Semiótica, autodidata na vida, filósofa de botequim, com a alma tatuada de experiências trágicas, amante das artes , da boa mesa, dos vinhos, de papos loucos e ideias inusitadas. Serei uma atleta no dia em que levantamento de xícara de café se tornar modalidade esportiva. Sim, eu acredito realmente que um filme possa mudar a sua vida! Autora do blog Garota desbocada. Lancei recentemente em versão e-book pela Cia do ebook o romance O corpo nu.

Nosso jeito de amar border

Com o namorado intelectual se tornam leitoras famintas. Com o namorado esportista, ficam obcecadas por boa forma. Com o namorado religioso, não saem da igreja. Com o namorado surfista, não saem da praia. Com o namorado vegetariano, param de comer carne. Com o namorado que adora carne , não saem de churrascarias. Algumas mulheres que assumem relações de mais dependência afetiva, passam, às vezes, até a incorporar preconceitos do parceiro.



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Antes de gerar qualquer mal entendido, aviso que o atual artigo não se refere à pessoas com síndrome de personalidade borderline. Apenas estabeleço uma comparação entre mulheres que amam demais com um dos traços presentes na personalidade borderline.

Para quem nunca ouviu falar no termo, transtorno de personalidade borderline não é uma psicose nem uma neurose. É um transtorno de personalidade. Isto é, precisa ser tratado por meio de terapia pois diferentemente de outros transtornos como a bipolaridade, não se resolve tomando medicamentos, embora eles também sejam usados. Se o bipolar tem um disfunção química, o borderline tem uma personalidade complicada que o faz sofrer muito e que cria muito problemas para as pessoas ao redor.

O transtorno borderline seria o oposto da psicopatia. O psicopata tem baixíssima ação do cérebro límbico, o que chamamos de coração. Enfim, o psicopata é desprovido do sentimento de compaixão e é extremamente racional. Já o borderline é extremamente impulsivo pois seu cérebro límbico trabalha excessivamente.

O transtorno de personalidade borderline é mais comum nas mulheres enquanto que a psicopatia é mais diagnosticada nos homens.

Portadores da personalidade borderline podem ser tratados pois eles são providos de sentimentos e costumam procurar ajuda médica porque sofrem muito. Os psicopatas não procuram ajuda profissional pois o seu transtorno só causa complicações para as pessoas manipuladas por eles. Inclusive a psiquiatra Ana Beatriz Silva afirmou que psicopatas costumam seduzir mulheres borderline por serem mais frágeis e dependentes emocionalmente.

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As personagens interpretadas por Winona Ryder e Angelina Jolie no filme Garota, interrompida são respectivamente uma borderline e uma psicopata: dois olhares sobre o suicídio. A borderline fica desesperada. A psicopata irônica.

Porém, neste artigo não falarei sobre o transtorno em si, mas sobre um traço específico dos border que aparecem em muitas mulheres que não são border: mulheres que amam demais. Nem toda mulher que sacrifica tudo pelo parceiro é border. Mas mesmo assim, ela enfrenta um problema serio e precisa de ajuda.

Querer compartilhar a vida com alguém é muito natural. Abrir mão de um desejo ou outro pelo homem amado também é natural. Relações fortes e verdadeiras se fazem à custa de algumas renúncias. Porém, se apenas uma das partes se sacrifica e investe na relação, algo está muito errado.

Mulheres que amam demais fazem tudo para agradar o parceiro, incluindo taras sexuais que lhe desagradam e algumas vezes até as humilham. Mulheres que amam demais aceitam adotar práticas como o sexo em grupo ou anal por exemplo com o intuito de segurar o parceiro. Não critico aqui nenhuma prática sexual contanto que ela seja de comum acordo e proporcione prazer a ambas as partes.

Algumas mulheres são surradas fisicamente e verbalmente e continuam com seus parceiros. Algumas mulheres enfrentam longos históricos de adultérios e constrangimentos de todas as naturezas para manter a relação. Algumas mulheres colocam sua carreira e projetos pessoais em segundo plano em nome da relação e às vezes até adotam hábitos e crenças do parceiro para melhor se adequarem à sua vida. Quantas mulheres não se convertem a outra religião ou passam a frequentar determinados lugares para satisfazer o parceiro e se integrar ao seu mundo? ´

Nada impede que alguém adote um hábito ou crença de um parceiro por estar convencido de que aquela filosofia de vida é melhor. Porém, algumas pessoas vão mudando de rotina de acordo com o parceiro. Com o namorado intelectual se tornam leitoras famintas. Com o namorado esportista, ficam obcecadas por boa forma. Com o namorado religioso, não saem da igreja. Com o namorado surfista, não saem da praia. Com o namorado vegetariano, param de comer carne. Com o namorado que adora carne , não saem de churrascarias. Algumas mulheres que assumem relações de mais dependência afetiva, passam, às vezes, até a incorporar preconceitos do parceiro.

Quando imaginamos amar demais o outro, na realidade estamos amando de menos nós mesmas. Fazer a vontade do outro de vez em quando para agradá-lo é uma coisa. Anular-se como pessoa é outra. Muitas vezes o amor excessivo a uma pessoa que pouco nos oferece afetivamente é um sinal forte de que estamos precisando de ajuda profissional urgente. É sinal de que estamos tentando suprir as nossas lacunas por meio do amor de outra pessoa. E por mais delicioso que seja se sentir amado, não devemos entregar nas mãos de ninguém o poder de nos valorar ou não. Independente do que o outro nos oferece, precisamos nos amar incondicionalmente, o que inclui respeitar nossos limites, aceitar que falhamos e principalmente tentar nos tornarmos uma pessoa melhor, o que inclui mais autenticidade e fidelidade a nós mesmos.


Sílvia Marques

Paulistana, escritora, idealista em crise, bacharel em Cinema, cinéfila, professora universitária com alma de aluna, doutora em Comunicação e Semiótica, autodidata na vida, filósofa de botequim, com a alma tatuada de experiências trágicas, amante das artes , da boa mesa, dos vinhos, de papos loucos e ideias inusitadas. Serei uma atleta no dia em que levantamento de xícara de café se tornar modalidade esportiva. Sim, eu acredito realmente que um filme possa mudar a sua vida! Autora do blog Garota desbocada. Lancei recentemente em versão e-book pela Cia do ebook o romance O corpo nu..
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