cinema pensante

Como um bom filme pode mudar a nossa vida

Sílvia Marques

Paulistana, escritora, idealista em crise, bacharel em Cinema, cinéfila, professora universitária com alma de aluna, doutora em Comunicação e Semiótica, autodidata na vida, filósofa de botequim, com a alma tatuada de experiências trágicas, amante das artes , da boa mesa, dos vinhos, de papos loucos e ideias inusitadas. Serei uma atleta no dia em que levantamento de xícara de café se tornar modalidade esportiva. Sim, eu acredito realmente que um filme possa mudar a sua vida! Autora do blog Garota desbocada. Lancei recentemente em versão e-book pela Cia do ebook o romance O corpo nu.

Professores e alunos

Quando há uma sintonia verdadeira, não há nada mais mágico e já não existem limites entre a sala de aula e a rua. Tudo se embola poeticamente , como um poema de versos livres ou um quadro abstrato que nos leva a vagar por um labirinto de sentidos múltiplos.


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Ainda existe muito formalidade e excesso de hierarquias entre professores e alunos. Ora, os primeiros são tratados como superiores por apresentarem uma bagagem cultural maior. Em outros momentos, por questões da sociedade capitalista que transformou a tudo em produto, os alunos têm primazia porque se tornaram clientes.

O que parece realmente importante numa sala de aula não é o professor nem os alunos, mas a relação que se estabelece. Relação esta que necessita de respeito e confiança de ambas as partes. Quanto mais um se entrega nas mãos do outro, de olhos fechados e coração aberto, mais fluente se torna o que surge desta hipérbole sentimental. E falando em sentimentos, ninguém consegue aprender ou ensinar só com a cabeça. A afetividade ressignifica tudo, fazendo conceitos frios e abstratos se transformarem em elementos da mais comezinha realidade.

E neste vai e vem, de emoção e razão, ensinamento e aprendizado, o professor acaba conhecendo mais sobre ele mesmo e o aluno se descobre como alguém capaz de produzir saberes e não apenas absorvê-los como uma esponja.

E quando o professor conhece mais a ele mesmo, percebe que tem muito a aprender e quando o aluno descobre que tem muito a ensinar, quer aprender ainda mais para produzir conhecimento cada vez mais e melhor.

E quando a sintonia é estabelecida de forma visceral, já não sabemos mais onde termina o ensinamento de um e começa o do outro. Quando a sintonia acontece de forma profunda, não há diálogo mais lindo, mais devastador, mais revelador. E todo mundo sai com a alma em chamas, esfolada, prestes a trocar a pele para novas realidades. Quando há uma sintonia verdadeira, não há nada mais mágico e já não existem limites entre a sala de aula e a rua. Tudo se embola poeticamente , como um poema de versos livres ou um quadro abstrato que nos leva a vagar por um labirinto de sentidos múltiplos. E quem tiver olhos para ver, ouvidos para escutar e coração para sentir entrará nesta dança louca sem medo de se assumir como um eterno aprendiz.

Dedico este texto a todos os alunos e ex-alunos que entraram nesta sintonia fina comigo!


Sílvia Marques

Paulistana, escritora, idealista em crise, bacharel em Cinema, cinéfila, professora universitária com alma de aluna, doutora em Comunicação e Semiótica, autodidata na vida, filósofa de botequim, com a alma tatuada de experiências trágicas, amante das artes , da boa mesa, dos vinhos, de papos loucos e ideias inusitadas. Serei uma atleta no dia em que levantamento de xícara de café se tornar modalidade esportiva. Sim, eu acredito realmente que um filme possa mudar a sua vida! Autora do blog Garota desbocada. Lancei recentemente em versão e-book pela Cia do ebook o romance O corpo nu..
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